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Ecio Costa comenta em entrevista à Folha de Pernambuco sobre a decisão norte-americana que afasta perigo de calote


Decisão norte-americana afasta perigo de calote


Publicado em 03.08.2011, Caderno de Economia, Folha de Pernambuco


Com o objetivo de evitar que o mundo inteiro sofra com um calote dado pelos Estados Unidos, democratas e republicanos aprovaram no Senado, ontem, o aumento do teto da dívida para US$ 15,2 trilhões. “Essa decisão afasta o perigo de calote por um novo período. A dívida é muito alta. Eles gastam muito mais do que arrecadam”, explicou o professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e consultor de empresa, Ecio Costa. 



O professor Thales Castro, coordenador do curso de Relações Internacionais da Faculdade Damas, concorda com Costa. “Essa votação afasta temporariamente o risco de calote. Desde a década de 1930, sempre houve um aumento nesse teto da dívida. Isso é uma medida paliativa. Para resolver isso de forma mais profunda seria preciso corrigir a questão do deficit duplo norte-americano, formado pelo deficit fiscal e comercial”, disse. Pelo Dólar ser uma moeda franca, utilizada em negociações internacionais, segundo Castro, esse problema se torna menor. “Como todo o mundo demanda Dólar, esse deficit pode ser razoavelmente administrado”, afirmou.



Devido à credencial de melhor pagador do mundo, vários países compravam títulos de dívida americanos. Os dois principais compradores são a China e o Brasil. No entanto, desde que a notícia do possível calote veio à tona, agências de rating ameaçavam diminuir a nota dos EUA. Depois que o Senado americano aprovou o plano, agências como Fitch afirmaram que pretendem manter a nota “AAA”. “Acredito que é preciso haver uma queda nessa nota. Com essa situação, a gente vê que nem sempre é feita uma radiografia da saúde econômica de um país. Diminuindo a nota do rating, é possível chamar atenção para esse fato”, contou Thales Castro.



“Dois terços das dívidas brasileiras são de dívidas norte-americanas. Mas se os EUA não pagassem, o Brasil não seria afetado só por isso, pois eles também reduziriam as importações e os investimentos. Provavelmente as commodities iriam cair. Um calote não seria bom de jeito algum para o Brasil”, concluiu Ecio Costa.


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