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Ecio Costa comenta em matéria da Folha de Pernambuco sobre corte de gastos do Governo e seu impacto no nível de preços
Corte de gastos pode diminuir a inflação
Publicado em 03.01.2012, Caderno de Economia, Folha de Pernambuco
Para este ano, é esperado um corte nos gastos públicos do Governo Federal na ordem de R$ 60 bilhões, de acordo com fontes do Ministério da Fazenda ouvidas pela Agência Estado. Com a redução, o Governo visa cumprir a meta de superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e facilitar a queda das taxas de juros. O consultor Humberto Veiga, que possui doutorado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), explica que a redução dos gastos públicos gera diminuição da demanda no País e, com isso, os preços sobem menos, gerando menos inflação.
No entanto, a queda na inflação tem como conseqüência diminuição na produção que, por sua vez, reduz a oferta de empregos. Em contrapartida, ainda segundo o consultor, com o corte dos gastos públicos, há a possibilidade de redução das taxas de juros, que estimula os investimentos na economia real (abertura de negócios e aquisição de máquinas, por exemplo), o que resulta na criação de novos empregos.
Veiga considera que a decisão do Governo é acertada, pois ao cortar gastos ele poderá reforçar o pagamento das dívidas, tornando-se mais independente em relação aos credores. “Atualmente, o Brasil não consegue nem pagar os juros da dívida”, comenta. O consultor ressalta ainda que, a longo prazo, a redução de gastos tem como conseqüência a queda de impostos.
“O grande desafio do Governo é fazer o corte dos gastos públicos sem prejudicar os programas sociais”, afirmou o professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Écio Costa. “No Brasil, há muito gargalos que só serão atendidos com investimentos do Governo em infraestrutura, pois são eles que estimulam os investimentos das empresas e fazem a economia crescer”, acrescentou. O professor explicou também que a redução de gastos diminui a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional. “Outro reflexo negativo pode ser a diminuição do crescimento do PIB”.
Link da entrevista:
www.cedesconsultoria.com.br/download/0301ec03.pdf
Fonte: Folha de Pernambuco