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01/03/2024

O PIB de 2023 cresceu 2,9%, mas com dois crescimentos seguidos de 0% no terceiro e quarto trimestres, o que acende um alerta

No acumulado do ano, houve um crescimento de 15,1% da agropecuária. A indústria cresceu 1,6% e o setor de serviços teve um crescimento de 2,4%. O Consumo das famílias avançou 3,1% e o Investimento caiu 3,0%. Importante entender que desses três setores produtivos, o setor de serviços representa mais de 70% da economia brasileira e um bom desempenho dele puxa o PIB para cima. A indústria representa em torno de 25% da economia brasileira e apesar de ter andado de lado nesses últimos anos apresentou crescimento de 1,6%. A agropecuária foi o grande destaque, com crescimento de 15,1%. Para um setor que representa pouco mais de 5% a 6% do PIB brasileiro, o crescimento foi forte, mas como pesa pouco no PIB, não foi decisivo. Importante olhar a taxa de investimentos de 2023, de 16,5% do PIB, enquanto em 2022 foi de 17,8%. Isso preocupa porque um menor investimento na economia pode significar um crescimento mais baixo nos próximos anos já que a produção tende a ser menor porque estão investindo menos no setor produtivo. Na comparação do quarto para o terceiro trimestre, o PIB teve um crescimento de 0%. Anteriormente, o IBGE tinha informado um crescimento de 0,1% para o terceiro trimestre e agora ajustou para 0%. No quarto trimestre em relação ao terceiro, a indústria avançou 1,3%. Os serviços, que tiveram um bom desempenho ao longo de 2023, apresentaram uma variação positiva de 0,3%, mostrando uma desaceleração e a agropecuária caiu 5,3%. Ao comparar o PIB desse quarto trimestre com o quarto trimestre de 2022, o crescimento foi de 2,1%, o que também mostra uma desaceleração da economia. O grande desafio fica para 2024. As preocupações vêm dos investimentos em queda e, principalmente, da agropecuária, que deve ter um crescimento mais baixo. A indústria pode se recuperar com taxas de juros mais baixas, já que a SELIC vem caindo. E o setor de serviços depende muito hoje da forte economia informal existente no país. A depender do desempenho desse setor, pode ter um desempenho bom para o PIB em 2024. A economia em 2024 será mais puxada pelo lado da demanda através do consumo das famílias. Em 2023, o consumo das famílias avançou 3,1% em relação ao ano anterior. E foi muito ajudada pela massa salarial real, que teve um crescimento com o arrefecimento da inflação e pelo Bolsa Família. O consumo do governo também teve um crescimento de 1,7%, sendo os principais destaques pelo lado da demanda. O investimento teve uma queda de 3%, com destaque muito negativo do setor de máquinas e equipamentos (-9,4%). Então, com a queda de juros ao longo desse ano e uma inflação mais controlada, é possível que esse avanço da massa salarial real continue contribuindo através do consumo das famílias. Vale lembrar que o consumo das famílias, pelo lado da demanda, representa mais de 60% do PIB. Os gastos governamentais também podem contribuir, mas com um custo muito caro para o endividamento público do país.


28/02/2024

Renda domiciliar per capita calculada pelo IBGE em 2023 teve aumento nominal de 16,7%, chegando a R$ 1.893,00 por mês, versus R$ 1.625,00 do ano anterior

Parte relevante desse aumento é inflação, mas outra parte também importante é aumento real. Os estados melhor posicionados estão no Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Os piores no Nordeste e Norte. O aumento real decorreu tanto do crescimento do PIB, ao redor de 2,2% no ano passado, quanto da queda na taxa de desemprego, que fechou 2023 em 7,8%. O dado mais importante, porém, deve ser estimado a partir do aumento de poder de compra da população que ajuda na renda real, descontada a inflação. A queda da inflação foi importante para possibilitar reajustes e recuperações reais de renda. O Distrito Federal continua no topo da renda per capita domiciliar brasileira, em R$ 3.357,00, enquanto o Maranhão possui a menor, com R$ 945,00 mensais. Segundo o IBGE, 3 Estados figuravam com menos de R$ 1.000,00 per capita em 2022 (Amazonas, Alagoas e Maranhão). Agora, somente o último (Maranhão). Distrito Federal (R$ 3.357,00), São Paulo (R$ 2.492,00) e Rio de Janeiro (R$ 2.367,00) são os líderes no ranking de rendimento per capita. Os 3 últimos colocados foram Maranhão (R$ 945,00), Acre (R$ 1.095,00) e Alagoas (R$ 1.110,00). Alagoas teve crescimento acima da média brasileira, com 18,7%, deixando a penúltima para a antepenúltima colocação. Pernambuco saiu do 3º pior lugar para o 4º pior, embora tenha tido um crescimento de apenas 10,2%.


27/02/2024

IPCA-15 avança menos que o esperado em fevereiro e ajuda o mercado

O IPCA-15 avançou 0,78% em fevereiro ante previsão de crescimento de 0,83%. Com isso, no acumulado de 12 meses, o índice foi para 4,49%, mantendo-se abaixo do teto da meta do Banco Central. O índice do mês foi pressionado principalmente pelos gastos com educação, como ocorre tradicionalmente nos meses de fevereiro, que marca o início do ano letivo. Os preços do grupo subiram 5,07% e responderam por 0,30 ponto percentual do IPCA-15 de 0,78%. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços no período, caiu para 60,5%, vindo de 67,0% na prévia de janeiro, considerando todos os itens da cesta. Sem alimentos, o indicador mostrou maior abrangência das altas de preços, de 62,9% para 64,4%, maior percentual desde abril de 2023 (66,8%). Os dados refletem a desaceleração de preços de commodities, mesmo com efeitos inflacionários do El Niño, mas com desaceleração da China, que tem impacto na queda dos preços. O setor de serviços é que se mantém como uma preocupação, com pressão ainda significativa. O resultado dentro da meta ajuda o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central a reduzir os juros com maior intensidade nas próximas reuniões. Esse resultado ajudou o mercado financeiro, com aumento do Ibovespa para um patamar acima dos 130.000 pontos.


26/02/2024

Dívida pública federal caiu 1,08% em janeiro em relação a dezembro, mas aumentou 11,80% em relação a janeiro de 2023

O estoque da dívida foi de R$ 6,52 trilhões em dezembro de 2023 para R$ 6,45 trilhões em janeiro de 2024, mas era R$ 5,77 trilhões em janeiro de 2023. A dívida pública é emitida pelo governo federal para financiar o déficit orçamentário, ou seja, para cobrir as despesas que superam a arrecadação com impostos, contribuições e outras receitas. O seu valor em relação ao PIB é analisado pelas agências de classificação de risco e influencia os juros praticados pelo país. A queda de R$ 70,45 bilhões ocorreu por conta dos juros maiores que o governo recebeu em relação ao que pagou aos seus devedores no mercado de títulos doméstico. Em contrapartida, o Brasil aumentou seu endividamento externo para US$ 55,28 bilhões (R$ 273,83 bilhões) com emissões externas. A dívida pública percentual em relação ao PIB encerrou 2023 em 74,34%, segundo o Banco Central. Novos dados sobre a DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) para o mês de janeiro, como é conhecido o indicador, serão divulgados pel0 BC em 7 de março de 2024. O custo médio do estoque da Dívida Pública Federal (DPF) acumulado em 12 meses teve aumento de 10,51% a.a. em dezembro para 10,65% a.a. em janeiro, mesmo com reduções seguidas da SELIC. Espera-se que esse custo venha a cair com a redução da SELIC ao longo de 2024. A manutenção da relação dívida/PIB em patamares aceitáveis é condição importante para que os juros possam cair mais no Brasil e o rating do país na direção da retomada do grau de investimento aconteça. Para isso, é imprescindível a retomada dos superávits primários.


26/02/2024

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


23/02/2024

A arrecadação federal subiu 6,67% no mês de janeiro e atingiu um recorde histórico de R$ 280,6 bilhões

Esse foi o melhor resultado já registrado para todos os meses da série histórica da Receita Federal iniciada em 1995. Isso aconteceu por conta de três fatores não recorrentes que incrementaram a arrecadação no mês de janeiro. Os recolhimentos do imposto de renda de pessoa jurídica, IRPJ, e a contribuição social sobre o lucro líquido, CSLL; a tributação de fundos exclusivos; e, a reoneração dos combustíveis. Esses dados mostram que, no caso da tributação de fundos exclusivos, que são chamados fundos dos super-ricos, teve um incremento de R$ 4,1 bilhões no mês de janeiro. Já os recolhimentos atípicos de IRPJ e CSLL somaram mais R$ 4 bilhões, pois as empresas que recolhem tributos pelo lucro real têm os primeiros três meses do ano para fazer ajustes do exercício anterior. Os combustíveis também contribuíram porque tiveram um processo de reoneração de PIS e COFINS concluído em janeiro, só que os efeitos da retomada da tributação serão sentidos com mais intensidade agora em fevereiro. O desempenho da atividade econômica do mês também ajudou na arrecadação, com destaque para o aumento da massa salarial de dezembro, época mais aquecida do ano com as contratações para as vendas e festas da época, que impactou no mês de janeiro. Então essa é uma preocupação que está sempre presente porque a meta do governo é atingir o déficit zero esse ano. No ano passado, houve um déficit recorde de R$ 230,5 bilhões, maior saldo negativo tirando o ano da pandemia. Esse déficit pode se repetir em 2024. Se a política de gastos excessivos for mantida, apesar desses aumentos da arrecadação, é bem provável, que não consiga obter o déficit zero esse ano. O Ministério da Fazenda vem usando diversas medidas que aumentam a arrecadação, mas não se vê, por parte do governo, medidas mais concretas para a redução dos gastos, o que dificulta bastante para que o déficit zero seja atingido.


22/02/2024

México se tornou o maior exportador de produtos para os EUA, substituindo a China, ou não!

Levantamento aponta que, com os embarques terrestres, o México se tornou o maior fornecedor de mercadorias em 2023 para os EUA, substituindo a China, mas há algo importante por trás disso. Entenda melhor. o México ultrapassou a China em 2023 como maior exportador de mercadorias aos EUA, graças ao crescimento das remessas por caminhão pela fronteira. A política dos EUA de adotar o friendly e near shoring, junto com acordo de livre comércio com o México explicam, em parte, essa mudança. Ao mesmo tempo, os dados mais recentes da Container Trades Statistics, mostram que o número de contêineres de 20 pés enviados da China ao México somou 881 mil nos três primeiros trimestres de 2023, acima dos 689 mil do mesmo período de 2022. Esses números mostram a dificuldade do governo Biden em reduzir a dependência dos EUA em relação a cadeias de abastecimento internacionais dominadas por seu rival geopolítico, a China, cuja capacidade industrial lhe deu grande papel no fornecimento de quase tudo, desde bens da linha branca até veículos elétricos. O problema é que os EUA são os maiores consumidores mundiais de tudo e a China é o maior produtor mundial de tudo e mais um pouco. De um jeito ou de outro, as duas maiores economias do mundo, e suas forças, vão se encontrar, pelo menos no curto prazo. As medidas dos EUA para reorientar as cadeias de abastecimento e afastá-las da China começaram em 2018, com Donald Trump impondo pesadas tarifas ao comércio exterior com a China. Biden as manteve em vigor, diante da contínua competição comercial e geopolítica entre as duas potências. Como resultado das tarifas, as remessas diretas da China agora representam menos de 15% das importações americanas. Em 2017, eram mais de 20%. Mas o desvio de comércio vem acontecendo não somente com o México, mas também com Vietnã, Cingapura e Filipinas que apresentam superávits cada vez maiores com os EUA e importações maiores da China. E o Brasil pode se beneficiar dessa situação? Até o momento isso não tem acontecido pois o Brasil tem muitas barreiras às importações de produtos industrializados, como o mais influenciado no comércio exterior registrado por esses países, o de autopeças e não tem acordos de livre comércio com os EUA.


21/02/2024

E se Brasil e Israel romperem relações comerciais, como ficará o comércio exterior entre os dois países?

A crise diplomática tem trazido consequências para as relações políticas entre os dois países e pode resultar em algum impacto no comércio exterior, mas talvez não de imediato. Dados da plataforma governamental ComexStat mostram que o Brasil exportou US$ 662 milhões em produtos para Israel em 2023. Os cinco itens principais são óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos (US$ 139 milhões) carne bovina (US$ 127 milhões), soja (US$ 121 milhões), farelo de soja (US$ 63 milhões) e milho (US$ 38 milhões). Em termos de volume, é pouco, mas qualquer mal-entendido que afete a área comercial traz preocupação, pois pode ter efeito multiplicador para outros países que não concordem com o posicionamento político brasileiro, como já declarado pelos EUA, inclusive. O Brasil importou US$ 1,35 bilhão em produtos israelenses, sendo os dois principais itens insumos para o agronegócio: fertilizantes (US$ 608 milhões) e defensivos agrícolas (US$ 144 milhões). A maior parte das importações são da indústria de transformação, incluindo insumos industriais. Por conta de Israel ser um país muito inovador em diversas áreas, o Brasil pode sofrer dificuldades em importar tecnologia de lá, em setores prioritários, como medicina, segurança e proteção de inteligência. Um possível rompimento levaria o Brasil a ter que procurar novos fornecedores, provavelmente com custos mais elevados. O impacto nas relações comerciais bilaterais deve ser baixo no curto prazo, pois muitas negociações já estão em curso. O maior impacto pode vir a médio e longo prazo, quando licenças e certificados emitidos por Israel para produtos brasileiros podem não ser renovados. Um alento é o acordo do Mercosul, que garante acesso aos produtos dos membros de forma igualitária ao mercado israelense.


19/02/2024

IBC-Br avança 0,82% em dezembro e economia brasileira deve fechar o ano com crescimento de 2,45%

O Banco Central divulgou os dados para o seu indicador de atividade econômica, que serve como uma prévia mensal do PIB, apontando que dezembro apresentou recuperação. Desde maio de 2023 que o IBC-Br vinha apresentando dados alternados entre quedas relevantes, como nos meses de maio e agosto (-1,85% e -0,57%, respectivamente) ou de pequeno crescimento ou quase nulo, como observado nos últimos meses de setembro a novembro. Os resultados contrastam com um primeiro trimestre que puxou a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2023 para um patamar próximo de 3%. Somente no mês de fevereiro, o IBC-Br cresceu 3,07%, após um crescimento de 0,64% em fevereiro. Isso fez com que o crescimento acumulado em 12 meses chegasse ao patamar de 3,38% em abril, valor mais alto no acumulado de 12 meses observado em 2023. De lá para cá, o fraco desempenho mensal fez com que o resultado acumulado entrasse em trajetória de queda. Essa trajetória somente mudou em novembro e foi reforçada agora em dezembro. Mesmo assim, o acumulado de 12 meses fechou o ano em 2,45%, patamar mais baixo que o esperado ao longo do ano, mas acima das previsões iniciais do mercado em janeiro de 2023. O IBC-Br funciona como uma prévia do PIB que será divulgado somente em março, mas pelos resultados apontados pelos indicadores mensais de atividades setoriais (indústria, serviços, comércio e outros), o PIB brasileiro deverá perder tração também no 4º trimestre, encerrando o ano próximo dos 2,50%. A preocupação vem com 2024. Ao observar o acumulado em 12 meses do IBC-Br e os dados do PIB dos 3 primeiros trimestres divulgados pelo IBGE, há um claro movimento de desaceleração da economia brasileira. A previsão do Boletim Focus é que a economia cresça 1,60% em 2024, mas talvez seja revisada para baixo ao longo do ano.


18/02/2024

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.