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24/04/2024

Percentual de famílias que recebem o Bolsa Família bateu recorde em 2023

No Brasil, 19% dos domicílios receberam recursos do programa, segundo o IBGE. Na região Nordeste, o percentual foi o maior de todas as regiões, com 35,5% dos domicílios recebendo recursos do programa. A região Sul foi quem recebeu menos, com 7,9%. Ao analisar o percentual de domicílios particulares com beneficiários do Bolsa Família em 2023 por estados, percebe-se uma disparidade ainda maior. No Maranhão, 42% dos domicílios recebem o programa, enquanto em Santa Catarina somente 4,5%. Todos os estados do Nordeste e Norte estão bem acima da média nacional. A disparidade de renda também é nítida entre os estados considerando todas as fontes de renda, incluindo do trabalho, aposentadorias, pensões e programas sociais. O Distrito Federal tem o maior rendimento médio mensal real domiciliar per capita, de R$ 3.215,00, enquanto o Maranhão aparece em último, com R$ 969,00. Ao analisar o rendimento médio mensal real domiciliar per capita dos 40% da população com menores rendimentos, Santa Catarina se destaca, com o maior valor (R$ 889,00), enquanto o Acre vem em último, com R$ 295,00. Esse dado mostra que a desigualdade entre ricos e pobres ainda é muito alta, principalmente de forma regional e mesmo entre os mais pobres. Em 2023, o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita manteve-se no menor valor da série. A Região Sul apresentou o menor índice. A Região Nordeste permaneceu com o maior índice, seguida de perto, nesse último ano, pela Região Sudeste. Entre 2022 e 2023, a desigualdade apresentou maiores variações nas Regiões Norte e Nordeste, ambas apresentando queda desse indicador. No Nordeste, o índice chegou, em 2023, ao seu menor valor da série. O Bolsa Família continua sendo um importante programa para diminuir a pobreza e a desigualdade regional, mas precisa ser tratado como um programa com saída. Investimentos devem ser prioridade para desenvolver regiões mais atrasada, mas pensando sempre em educação e na atração de investimentos com vistas nas oportunidades de cada região.


23/04/2024

O déficit da previdência continua a aumentar e trazer peso significativo nas contas públicas

Se, por um lado, o governo atual tem promovido gastos cada vez maiores, por outro, o resultado das contas da previdência só tem piorado. O déficit gira em torno de R$ 400 bilhões/ano, onde o Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que engloba os trabalhadores do setor privado, responde por R$ 300 bilhões em déficit, e os servidores públicos (RPPS) e militares por R$ 100 bilhões, aproximadamente. Mas, com relação à reforma da Previdência, tem um fato muito importante que o Censo de 2022 mostrou: o envelhecimento mais rápido da população brasileira e a redução da taxa de natalidade. Ou seja, os mais jovens estão fazendo bem menos filhos do que faziam antes, o que traz um impacto na base da pirâmide que sustenta a Previdência e os idosos estão em maior número e vivendo mais, o que onera significativamente o pagamento dos benefícios previdenciários. Então, a Previdência está fadada a quebrar em algum tempo no futuro, a não ser que o governo faça aportes cada vez mais altos, já bastante altos hoje, representando 8% do PIB, mas podendo chegar ou passar dos 10%. Numa situação de déficit fiscal recorrente que o país vive hoje, a Previdência pode contribuir ainda mais para o aumento da relação Dívida/PIB, o que aumenta os juros da economia, diminui o crescimento econômico e gera mais desemprego, num efeito bola de neve. Esse é um problema que precisa ser equacionado aumentando, por exemplo, a idade mínima de aposentadoria porque as famílias estão vivendo mais, como já mencionado. Além disso, deve-se fazer a inclusão de militares e outros grupos que receberam tratamentos diferenciados na reforma de 2019, para que possa aumentar a abrangência de contribuintes. Com relação à informalidade, em um caminho para incluir esse tipo de trabalhador, a solução poderia vir da criação de um formato parecido com o da Previdência privada, com a capitalização. A capitalização foi muito combatida na primeira reforma, mas é um sistema adotado em outros países onde a Previdência é mais sustentável. Nesse formato, os autônomos e informais poderiam ser atraídos para o sistema, com algum benefício junto à Seguridade Social, contribuindo de maneira voluntária, e se beneficiando com o valor capitalizado.


22/04/2024

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


18/04/2024

Prévia do PIB sobe pelo 4º mês consecutivo e marca 0,40%


16/04/2024

Meta fiscal de 2025 foi alterada para o mesmo patamar de 2024

A mudança, após 7 meses de aprovação da sua primeira versão do Arcabouço Fiscal, levou a meta de superavit de 0,5% do PIB de 2025, com intervalo de tolerância de um saldo positivo de até 0,25%; para uma meta de resultado de 0% do PIB, com intervalo de tolerância de um déficit de até 0,25%. Com isso, o Governo poderá ter um déficit de até R$ 31 bilhões em 2025, ao invés de um superavit de R$ 66,2 bilhões, como antes previsto. A meta de 2025 será a mesma de 2024, que corre sérios riscos de não ser cumprida. Na prática, o afrouxamento das metas fiscais retarda o ajuste fiscal e piora a trajetória da dívida pública, que está em alta. O esforço de obtenção da meta fiscal tem vindo somente pelo lado da arrecadação, sem redução de despesas, e com medidas adotadas para aumentar a receita em 2024 que não se repetirão em 2025. Pelo lado das despesas, a antecipação de gastos aprovada na Câmara dos Deputados prejudica ainda mais o resultado desse ano e dos próximos. O resultado dessas mudanças, o afrouxamento fiscal, é o aumento das taxas de juros de longo prazo, como pode ser visto com as taxas das NTN-Bs, os títulos do Tesouro corrigidos pelo IPCA, com vencimento em 2045 e 2050 que superaram novamente os 6%. Na virada do ano, estavam em 5,55%. Taxas de juros mais altas freiam o investimento, que está em 16,5% do PIB (2023), muito baixo para um país que quer crescer entre 2,5% e 3,0% ao ano. O mercado estima uma piora fiscal para 2025 e 2026 em relação a 2024. As receitas atípicas de 2024 não se repetirão, como a tributação dos fundos exclusivos e fundos offshore, a outorga de apostas eletrônicas e o adicional de Imposto de Renda com recolhimento do pagamento de R$ 92,4 bilhões de precatórios. Além disso, as despesas com precatórios no próximo ano serão maiores do que em 2024, porque parte dessas dívidas referentes a este ano foi paga em 2023. O resultado é que o governo chegará a 2026 com uma dívida bruta entre 80% e 82% do PIB, ante 71,7% do PIB de 2022. Essa mudança fez o Dólar disparar para o seu maior patamar em um ano e o Ibovespa teve queda para o seu menor nível de 2024.


15/04/2024

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


12/04/2024

Dólar acelera alta e chega em R$ 5,14

Apesar do Boletim Focus ter uma previsão que o dólar encerre o ano abaixo dos R$ 5,00, essa semana foi de forte alta da moeda. O que está acontecendo? O dólar vai continuar subindo? O que está por trás disso? É preciso observar o que está acontecendo na economia americana. A economia americana vem muito aquecida, com uma inflação que está cedendo, mas ainda está cedendo num ritmo muito lento com um mercado de trabalho que continua bastante aquecido. Isso tem mexido com as decisões de juros por lá, retardando um processo de queda que se esperava que fosse ter início agora no primeiro semestre, mas que agora ficou para o segundo semestre. As taxas de juros estão no patamar mais alto dos últimos 20 anos, o que termina trazendo implicações na economia de lá, mas também em todo o mundo. O Brasil não fica de fora disso. Os juros altos lá na economia americana tornam os títulos de dívida do governo americano bastante atrativos. Eles têm uma ótima classificação de risco e remunerando 5% ou mais com uma inflação de 3,5%, se tornam algo bastante interessante para investidores internacionais. Isso termina levando os investidores para esses títulos americanos, valorizando o Dólar em relação às demais moedas. Esse é um componente bastante importante. Mas além disso, o Brasil, tem seus próprios fatores que impactam para que o câmbio tenha essa essa elevação de agora. As taxas de juros aqui estão no movimento contrário, de redução, apesar de estarem num patamar bastante alto, mas com uma inflação mais ou menos controlada. O movimento leva à diminuição da remuneração dos títulos de dívida brasileiros, tornando-os menos atrativos. Além disso, há uma preocupação fiscal muito grande aqui da economia, após déficits fortes nesses primeiros meses do ano e do déficit forte que aconteceu em 2023, levando a uma perspectiva de não cumprimento do déficit zero, a meta fiscal adotada para esse ano. Então, o cenário traz bastante risco para a economia brasileira e afugenta investidores para outros mercados. Esses dois fatores terminam impactando muito para que o dólar siga pressionado. Além disso, o desempenho do setor exportador esse ano está abaixo do nível recorde obtido em 2023. Os dados apresentados do saldo da balança comercial até o momento mostram uma desaceleração e, além disso, há uma previsão do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio de que o superávit esse ano não vai ser tão forte quanto foi do ano passado. Então, vai ter dólar entrando na economia, mas num montante menor, o que pode fazer também com que o dólar seja pressionado.


10/04/2024

O IPCA de Março veio abaixo do esperado

A expectativa era de um crescimento de 0,25% e o resultado divulgado pelo IBGE indicou um avanço da inflação, medida através do IPCA, de 0,16%. Esse resultado ficou 0,67 ponto percentual abaixo da taxa de fevereiro que foi de 0,83%. No ano, o índice agora acumula uma alta de 1,42%. Nos últimos 12 meses acumulados, ela agora está em 3,93% abaixo dos 4,5% observados no acumulado até o mês de fevereiro. Em março de 2023, a variação do IPCA tinha sido de 0,71%, o que ajudou a fazer com que o acumulado de 12 meses caísse para esse patamar de 3,93%. Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados pelo BGE, 6 tiveram alta no mês de março. A maior variação foi de 0,53% e teve o maior impacto de 0,11 p.p. vindo de alimentos e bebidas. Em seguida, saúde e cuidados pessoais com 0,43% e um impacto de 0,06 p.p. foi o segundo maior. No campo negativo, transportes teve a maior queda de 0,33% (-0,07 p.p.). Esse resultado é importante porque o Comitê de Política Monetária (COPOM) do BC está observando muito de perto o desempenho da inflação no curto prazo e a expectativa da inflação para o encerramento desse ano. É o que ajuda a nortear a taxa de juros da economia. Com esse resultado, interrompendo uma série de surpresas de alta que vieram nos meses anteriores, ficou mais fácil para que o COPOM venha a reduzir a taxa de juros na sua próxima reunião, conforme já está sendo esperado pelo mercado, uma queda de 0,50 p.p. Isso pode abrir também caminho para que nas próximas reuniões a queda venha a ser maior. Mas claro, há sempre preocupações. Primeiro que um item que pesa muito no cálculo da inflação: a gasolina. Os preços da gasolina e do diesel estão represados pela Petrobras com uma defasagem muito alta, chegando aos 18%. Se (e quando) esses preços forem reajustados, deve trazer um impacto grande na inflação naquele mês que isso acontecer, podendo já vir no mês de abril, pressionando a inflação para um patamar mais alto do que o que se esperava, refletindo no acumulado da inflação até o resto do ano.


09/04/2024

Com queda de 0,3% na indústria nacional em fevereiro, 5 dos 15 estados pesquisados apresentaram taxas negativas

Os maiores recuos foram registrados no Mato Grosso (-3,3%), Goiás (-2,4%) e Pará (-2,2%). Santa Catarina (-0,6%) e São Paulo (-0,5%) completaram o conjunto de locais com resultados negativos. Já o Rio Grande do Sul (9,4%), Amazonas (7,3%) e Espírito Santo (5,9%) apontaram as expansões mais elevadas do mês. Ceará (5,2%), Pernambuco (5,2%), Rio de Janeiro (2,0%), Bahia (1,8%), Minas Gerais (0,9%) e Paraná (0,6%) mostraram os demais resultados positivos nesse indicador. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor industrial avançou 1,0%, com taxas positivas em 12 dos 18 locais pesquisados. O setor industrial se encontra, todavia, 17,7% abaixo do seu pico, registrado em maio de 2011. Os principais destaques positivos no mês de fevereiro vieram dos setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,5%), celulose, papel e produtos de papel (5,8%) e Produtos de minerais não metálicos (4,5%). Por outro lado, as maiores quedas são de produtos farmacoquímicos e farmacêuticos (-6,0%), produtos químicos (-3,5%) e indústrias extrativas (-0,9%). Com um crescimento acumulado de apenas 1,0% nos últimos 12 meses, o setor industrial é o que mais apresenta dificuldades em entregar um crescimento sustentável na economia brasileira. Com raras exceções em alguns estados e setores, na média, a política industrial não tem funcionado no Brasil.


04/04/2024

A balança comercial brasileira, apesar de superavit de US$ 7,5 bilhões em março, teve um uma queda de 30,4% em relação à 2023

É o menor saldo desde 2021, quando foi de US$ 6,1 bilhões. O resultado de 2023 foi de US$ 10,8 bilhões, maior valor da série histórica até então para o mês de março. As exportações somaram US$ 28 bilhões em março, uma queda de 14,8% em relação a março de 2023 (US$ 32,8 bilhões). Houve queda nos 3 setores: agropecuária – somou US$ 7,14 bilhões (caiu 20,8%); indústria extrativa – atingiu US$ 6,42 bilhões (recuou 23,9%); e, indústria de transformação – totalizou US$ 14,24 bilhões (queda de 6,2%). Dois dos principais itens da pauta de exportações brasileiras apresentaram queda em valor: Soja teve queda de 26,7%; e, Óleos brutos de petróleo (-35,5%). Por outro lado, Minério de ferro teve crescimento de 3,4% e Açúcares e melaços aumentaram 77,2% em valor. 3 dos 4 principais parceiros comerciais brasileiros apresentaram queda: China, Hong Kong e Macau – totalizou US$ 8,50 bilhões (recuou 23,4%); União Europeia – alcançou US$ 3,38 bilhões (caiu 31,6%); e, Argentina – somou US$ 1,11 bilhão (caiu 27,9%). Os EUA foram uma exceção, atingindo US$ 3,76 bilhões (crescimento de 21,3%). As importações atingiram US$ 20,5 bilhões, um recuo de 7,1% em relação a março do ano passado (US$ 22,1 bilhões). No acumulado do ano, o saldo positivo é de US$ 19,1 bilhões, uma alta de 22,2% ante os 3 primeiros meses de 2023 (US$ 15,6 bilhões) e um recorde para o trimestre. Apesar disso, a estimativa agora para 2024 foi revisada de saldo positivo de US$ 94,4 bilhões para US$ 78,3 bilhões. A desaceleração no mês de março pode ser relacionada aos preços das commodities que diminuíram em relação ao mesmo mês do ano anterior, mas também mostra um menor dinamismo das economias que importam bens brasileiros, principalmente Argentina e China.