PodCasts

11/09/2023

O Bolsa Família tira as pessoas da dependência dos programas sociais?

Levantamento feito pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) mostra que 64% dos beneficiários de 7 a 16 anos em 2005 não estavam mais no CadÚnico em 2019, mas empregabilidade não melhorou necessariamente por conta do programa e resultados divergem regionalmente. O IMDS desenvolveu um estudo sobre a realidade dos beneficiários de 2005 e suas características em 2019. Os resultados variam por regiões, no Sul do país, o número de pessoas que saíram do CadÚnico foi de 74%, enquanto no Nordeste, pior dos resultados, foi de 58%, para uma média nacional de 64%. Quanto ao acesso ao mercado de trabalho, as regiões brasileiras também apresentam diferentes resultados, indicando que na região Sul, 43% dos beneficiários de 2005 tiveram acesso ao mercado formal de trabalho (RAIS) por pelo menos 3 anos. Já na região Nordeste, somente 23%. Esses resultados não levam em consideração o aumento significativo em valor que as versões mais recentes do Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e Bolsa Família apresentam. O impacto desse aumento em valor e abrangência do programa pode ser ainda mais expressivo quando novas avaliações forem desenvolvidas. Uma preocupação importante deve ser levada em consideração: o programa foi alterado em 2020, com a mudança para o Auxílio Emergencial e, desde então, passou a ser um programa muito voltado à transferência de renda, mas pouco exigente em contrapartidas e na promoção de iniciativas para a saída, por conta própria, do CadÚnico, o que pode trazer resultados não tão bons e uma dependência continuada do programa.


11/09/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


08/09/2023

A Zona do Euro passa por dificuldades após a pandemia e invasão russa à Ucrânia

O desempenho do PIB da Zona do Euro no segundo trimestre foi revisado de um crescimento de 0,3% para 0,1% em relação ao primeiro trimestre. Na comparação anual, o PIB do bloco avançou 0,5% no período. Os dados foram divulgados após uma revisão feita pela Eurostat, a agência de estatísticas oficial da União Europeia. A leitura anterior tinha apresentado uma expansão de 0,3% mas, na comparação anual, o PIB avançou apenas 0,5% que é muito baixo e que ainda assim foi uma revisão para baixo em relação à estimativa anterior de crescimento de 0,6%. A Eurostat também ajustou o desempenho da atividade econômica da Zona do Euro para o primeiro trimestre, de uma estagnação em relação aos três meses anteriores para um aumento também de apenas 0,1%. Na avaliação anual passou de um avanço de 1% para 1,1%, mas a situação por lá anda bastante complicada. A economia está num processo de elevação de taxa de juros contínua já chegando aos 3,75% com uma inflação persistente que está em 5,3% e deve passar por novas elevações de taxas de juros. A inflação da Zona do Euro em agosto ficou estável em relação ao mês anterior, mas acumulou 5,3% na comparação anual e se manteve estável em relação a julho. O dado é preocupante porque a inflação não tem mostrado sinais claros de desaceleração. No mês de agosto alimentos, álcool e tabaco registraram pequena desaceleração (9,8% ante 10,8% de julho) seguidos pelos serviços (5,5% versus 5,6%), bens industriais não energéticos (4,8% contra 5,0%) e energia (-3,3% ante -6,1%), mas ainda se mantendo em patamares muito elevados. Na comparação mensal o índice de preços ao consumidor subiu 0,6% acelerando em relação à queda de 0,1% do mês de julho. Já o núcleo, que exclui as categorias mais voláteis de alimentos e energia, desacelerou para 5,3% na base anual em relação a 5,5% do mês de julho. A situação indica uma forte desaceleração da região, que pode ser corroborada ao analisar o Índice de Compras dos Gerentes (PMI) composto da Zona do Euro. O PMI ficou no menor nível em 33 meses em agosto, ou seja, desde agosto de 2020, chegando ao patamar de 46,7, segundo dados da S&P Global e do Hamburg Commercial Bank. Um PMI abaixo de 50 representa contração na atividade. O índice composto inclui dados do setor industrial e do setor de serviços. A Zona do Euro vem passando por dificuldades econômicas desde a pandemia e pode passar por mais dificuldades ainda agora quando o verão europeu passar e o inverno chegar, porque vai ter um custo bastante elevado para aquisição de combustíveis para aquecer as residências em a toda a região da Zona do Euro e os preços do petróleo já estão em elevação, o que deve também acontecer com o Gás Natural. A Zona do Euro não entrou em recessão na primeira parte do ano, mas o segundo semestre apresenta um desafio bem maior. O setor de serviços que estava estabilizado transformou-se num obstáculo para a economia, enquanto a indústria transformadora provavelmente ainda não atingiu o seu nível mais baixo. Esses números decepcionantes contribuem para uma redução do PIB, para, segundo estimativas, uma queda de 0,1% no terceiro trimestre, podendo, isso se repetindo no quarto trimestre, fazer com que a economia entre em recessão.


06/09/2023

A Câmara de Deputados aprovou projeto que cria um teto para os juros rotativos do cartão de crédito

Essa proposta limita o total cobrado a título de juros e encargos financeiros ao valor original da dívida. O projeto ainda passará pelo Senado, mas pode trazer algumas preocupações. A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira esse projeto que propõe a criação de um limite aos juros rotativos do cartão de crédito. Atualmente, a taxa média anual é de 439,24%. O crédito rotativo do cartão de crédito é acionado quando o cliente não paga integralmente a fatura do cartão. A sobra, então, entra na modalidade conhecida como rotativa. Segundo dados do Banco Central, a inadimplência atinge cerca de 50% das operações de crédito. A proposta que está em discussão na Câmara estabeleceu um prazo de 90 dias a partir da publicação da lei para que as emissoras de cartão de crédito apresentem uma proposta de regulamentação que vai ser aprovada pelo Conselho Monetário Nacional. Nessa proposta de regulamentação será definido um teto. Se isso não acontecer, o total cobrado a título de juros e encargos financeiros não poderá exceder o valor original da dívida. Um ponto importante é que o projeto propõe a possibilidade de portabilidade do saldo devedor do cartão de crédito e de operações parceladas de saldo devedor. O objetivo é estimular a competição e a redução da taxa de juros. Os consumidores vão ter direito à portabilidade desse saldo devedor da fatura do cartão de crédito e de outros instrumentos de pagamento pós-pagos e outras dívidas relacionadas, até mesmo aquelas já parceladas para qualquer instituição financeira. Com isso, poderá haver mais competição entre os emissores de cartão de crédito, incentivando a adoção de práticas de crédito responsável e reduzindo as taxas de juros cobradas em financiamento do saldo devedor da fatura de cartão de crédito e dos outros instrumentos. A proposta proíbe que as instituições financeiras cobrem pela portabilidade dessa dívida. Um instrumento parecido já existe com a portabilidade do financiamento imobiliário, por exemplo. Já com relação à imposição de um teto para as taxas de juros, isso é bastante problemático porque pode inviabilizar muitas transações parceladas que venham a ser feitas com o cartão de crédito. Hoje, o Brasil é um dos únicos países do mundo que faz operações de parcelamento em cartão de crédito. Nos demais países, há apenas um pagamento, com a opção de pagar o valor cheio ou um valor mínimo, aí sim contratando uma operação de crédito direto com a operadora de cartão. O teto de juros pode afetar diretamente o comércio varejista que hoje utiliza uma parcela muito alta do financiamento com o parcelamento no cartão de crédito.


04/09/2023

Balança comercial tem superavit de US$ 9,8 bilhões em agosto


04/09/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


31/08/2023

Déficit de R$ 97 Bilhões das contas do Governo é o maior para o mês de julho no acumulado em 12 meses em 26 anos

No mês de julho, sozinho, o déficit foi de R$ 35,9 Bilhões, o segundo maior desde 2020, quando chegou em R$ 109,6 Bilhões para combater a pandemia, segundo o Tesouro Nacional. Segundo o governo, o resultado não altera previsão de rombo de 1% do PIB no ano, mas no acumulado até julho, já está em 0,95% do PIB. Os dados levam em conta Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC). Os ministérios da Fazenda e do Planejamento projetam atualmente resultado negativo de R$ 145,4 Bilhões para 2023. Na prática, trabalham com uma espécie de projeção informal de déficit de aproximadamente R$ 100 bilhões ou 1% do PIB. Neste ano, não há receitas importantes que aconteceram no ano passado, como a capitalização da Eletrobras e o pagamento de royalties excessivos por parte da Petrobras. No acumulado do ano, a receita líquida, descontada a inflação, caiu 5,3%. Já as despesas totais, elas cresceram 8,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação a julho, a alta foi de 31,3%. O crescimento de despesas junto com a redução de receita, devido também à desaceleração da atividade e queda do preço das commodities, aumenta ainda mais as dúvidas sobre a meta do governo de zerar o déficit primário em 2024. Esses indicadores estão levando o Governo a preparar um pacote que visa aumentar a arrecadação em 2024 num montante de R$ 168 Bilhões em receitas adicionais para cumprir essa meta ambiciosa de zerar o déficit público. Uma série de medidas estão sendo lançadas para atingir esse objetivo, todas com cunho de aumento na arrecadação. O problema é que a economia (e a população) já estão num patamar muito elevado em termos de carga tributária. Na teoria econômica, a Curva de Laffer aponta que há um patamar ótimo de carga tributária e que passar desse ponto faz a arrecadação cair ao invés de subir. O certo seria reduzir despesas, com uma Reforma Administrativa, não pressionando a economia ainda mais.


30/08/2023

Os fundos exclusivos, que passarão a ser tributados, tiveram saída de R$ 71,4 bilhões

Esse movimento vem antecedendo à nova Medida Provisória que propõe a taxação de fundos familiares fechados. Eles são exclusivos ou reservados a poucos investidores e tiveram até julho desse ano saída líquida de R$ 71,4 bilhões, mais da metade dos quase R$ 125 bilhões que deixaram o mercado no período. Em 2022 como um todo, ano em que o setor não teve um bom desempenho, os esses fundos fechados tiveram uma redução de R$ 21,9 bilhões, bem menor do que o acumulado até esse ano, para resgates de R$ 113,2 bilhões no total de todos os fundos. O patrimônio dessas carteiras, que é destinada à gestão de famílias com muito dinheiro, alcançou R$ 966,2 bilhões em julho, um aumento de 10,6% na comparação com dezembro de 2022, com a valorização dos ativos. No total, o setor de fundos encerrou o mês de julho beirando os R$ 8 trilhões e claro, o governo com a sua ânsia para arrecadar mais, para poder tentar zerar o déficit no ano que vem, sem redução de gastos, está de olho no bolso dos super ricos, tentando aumentar a sua receita para fazer frente a esse aumento de despesas das contas públicas. Pelo desenho da Medida Provisória 1.184, que foi enviada ao Congresso, se o texto for aprovado pelo Legislativo como está, vai haver um come cotas, um imposto semestral que vai incidir nos fundos abertos de renda fixa, multimercados e cambiais, se estendendo para esses fundos fechados, que hoje só pagam imposto quando são liquidados ou em amortizações anuais. No radar, estão inclusive fundos de ações, de participação em empresas e de recebíveis. Até os imobiliários, que são hoje muito queridos pelos brasileiros, vão provavelmente ter que atender a determinados requisitos para escapar da ânsia do governo em arrecadar. Estima-se que os fundos exclusivos fechados e reservados, usados para gestão patrimonial, reúnam cerca de R$ 600 bilhões. No setor do private banking, eram R$ 203,7 bilhões até o fim de junho. Esse tipo de medida é muito questionável, porque boa parte desses muito ricos tem dupla cidadania, moram fora do país e tem a possibilidade de remeter os recursos para o exterior. Então, muitos estão fazendo essa revisão de carteiras, fazendo essa realocação dos recursos em outros países que não tem a mesma tributação e a partir de lá podem fazer investimentos em outros países, até de volta aqui no Brasil. Então, pode ser que essa medida sirva na realidade como um grande esvaziamento de investidores muito ricos aqui do país, migrando para outros países, da mesma forma que já aconteceu em outros países, como na Europa, principalmente com a Noruega, que teve uma perda grande de bilionários e investidores que foram para outros países quando a tributação sobre eles aumentou.


28/08/2023

O risco da China entrar em recessão existe?

Entenda o que está acontecendo na economia chinesa que está preocupando o mundo e quais são os impactos na economia brasileira, caso isso aconteça. O modelo de crescimento chinês está sendo questionado e pode trazer consequências na economia mundial. A China tem um débito acima de US$ 9 Trilhões contraídos por governos locais para incentivar investimentos no setor produtivo e em infraestrutura, através dos Local Government Financing Vehicles (LGFV). Esse valor representa mais de 50% do PIB chinês (de US$ 18,1 Trilhões). O risco de default desses títulos tem aumentado e o Governo Central vem tentando resolver esse problema sem fazer resgates de socorro aos governos locais. As províncias e cidades cujos empréstimos impulsionaram o maior boom de infraestrutura do mundo terão de reduzir os seus gastos e reestruturar a dívida – tudo isto sem prejudicar drasticamente o crescimento econômico. Se falharem, isso poderá levar a segunda maior economia do mundo a uma crise sem precedentes, impactando o mundo todo. O modelo de forte crescimento chinês foi montado com empréstimos feitos pelos governos locais para financiar desde montadoras de veículos, passando pelo setor imobiliário, e incluindo a infraestrutura de estradas, água e plantas de fábricas. Mas, muitos desses negócios são de baixo retorno e levam muito tempo para gerar caixa, precisando sempre de mais empréstimos para financiar mais infraestrutura, numa bola de neve. Várias empresas não conseguiram gerar receitas suficientes para pagar os juros dos empréstimos. Os bancos não estão dispostos a emprestar mais, os investidores estão evitando esses tipos de títulos e está se tornando mais difícil encontrar projetos de investimento viáveis. No início do processo, a economia cresceu rapidamente, levando o mundo a se surpreender com o crescimento chinês. A infraestrutura construída foi fornecida gratuitamente ou a um preço muito baixo ao público e às empresas como parte da sua responsabilidade de promover o “bem-estar público” e o crescimento econômico. Mas esse modelo de financiamento está agora sob uma pressão nunca antes vista. Um montante recorde de dívida LGFV está para vencer. Os governos locais, especialmente nas zonas mais pobres, estão vendo uma queda nas receitas devido a uma queda de dois anos nas vendas de casas. Além disso, os bancos e os investidores estão menos convencidos de que Pequim irá resgatar alguns LGFV se estes falirem, aumentando as taxas de juro das obrigações e dos empréstimos e dificultando o acesso ao financiamento por parte das empresas mais fracas. Caso a situação se agrave, o impacto será significativo na economia mundial. Hoje a China é o maior parceiro comercial da maioria dos países, inclusive do Brasil. Essa situação poderá derrubar os preços mundiais das principais commodities, minerais, do agronegócio e combustíveis, desacelerando o setor exportador dos países, com fortes consequências internas em cada economia. O impacto poderá ser até maior que o do Covid-19, caso não seja contornado com um apoio financeiro internacional.


28/08/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.