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23/06/2023

O número de inadimplentes no Brasil atingiu nível recorde em abril, chegando a 71,4 milhões de pessoas

A combinação de uma inflação ainda persistente, com preços em patamares elevados para diversos itens, e taxas de juros também bastante elevadas, tem empurrado a inadimplência para cima. Essa combinação tem feito com que as famílias fiquem cada vez mais endividadas e com menos condições para tomar crédito. Com isso, o número recorde de pessoas inadimplentes tem feito com que a demanda pelo crédito tenha mudado de aquisição de automóveis e imóveis para fazer operações de crédito que busquem sanar os problemas da inadimplência. Essas operações são de créditos de curto prazo, geralmente utilizando cheque especial ou o rotativo do cartão de crédito, com uma taxa de juros ainda mais alta. Um programa como o Desenrola, que foi lançado recentemente pelo governo federal para aliviar as dívidas de pessoas físicas, pode até trazer uma ajuda nesse sentido, mas ele precisa ser implantado e acompanhado. O dado do mês de abril mostra uma elevação em relação ao mês de março quando estava em 70,7 milhões de inadimplentes e comparado com um ano antes, quando estava em 66,1 milhões de inadimplentes. No total são R$ 340,6 bilhões em dívidas negativadas, ou seja, que ainda não foram pagas. Os bancos e cartões respondem por 31,6% do total das dívidas. Serviços públicos, com exceção da telefonia, representam 21,6%, varejo 11,3% e telefonia 5,3%. Somadas as dívidas que não foram pagas com cartões de crédito e instituições financeiras que compõem o setor financeiro como um todo, chegam a 46,7% do total. O total de inadimplentes representa 43,8% da população adulta e isso só tem se elevado ao longo do tempo. O aumento da inadimplência veio por conta do surto inflacionário o principal causador da inadimplência que começou a subir em outubro de 2021 com o custo de vida mais intenso também com as taxas de juros mais altas para justamente desinflacionar a economia o consumidor tem cada vez mais dificuldade de pagar as contas. É importante entender que a taxa de crescimento anual da inadimplência vem até desacelerando. Ela saiu de 10% há seis meses, para 8% hoje, mas a inadimplência continua subindo. Com isso, o consumidor tem mudado na obtenção de crédito para bens de imóveis e veículos para o empréstimo pessoal, que continua crescendo no rotativo do cartão e no cheque especial. São linhas de curto prazo com juros estratosféricos, com crédito pré-aprovado, e que terminam gerando inadimplência muito alta, explicando o crescimento esse ano. As outras linhas estão num ritmo muito baixo, até apresentando queda, e só vão voltar a crescer quando os juros começarem a cair.


21/06/2023

O Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a Selic pela sétima vez seguida em 13, 75% ao ano

Mas, agora deixou de fazer referência a uma possível retomada do aperto. Essa decisão foi unânime e veio em linha com o consenso do mercado. A reunião se iniciou na terça-feira se encerrando hoje e veio dentro do que se esperava pelo mercado. Importante agora é fazer a leitura do comunicado que veio junto com a divulgação da manutenção da taxa. Segundo o Banco Central: “a conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário, que tende a ser mais lento e por expectativas de inflação desancoradas, segue demandando cautela e parcimônia.” A expectativa era de que, embora houvesse um início de flexibilização na reunião de agosto do comitê, com um corte de pelo menos 25 pontos base em relação aos últimos dados de inflação que foram bastante positivos nesse sentido, o Comitê de Política Monetária viesse a inserir isso numa comunicação de forma implícita, sem se comprometer formalmente com os cortes. Mas o comunicado também diz que: “o Copom conduzirá a política monetária necessária para o cumprimento das metas e avalia que a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período prolongado tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação.” Ou seja, mais uma vez o comitê disse que a conjuntura demanda paciência e serenidade para a condução dessa política monetária. Por fim, o comunicado ainda fala que: “os passos futuros da política monetária dependerão da evolução da dinâmica inflacionária, em especial dos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, das expectativas de inflação em particulares de maior prazo, de suas projeções de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.” Com relação aos resultados recentes de queda do IPCA e expectativas em relação ao segundo semestre, o Banco Central informou que: “não obstante o arrefecimento recente dos índices de inflação cheia ao consumidor, antecipa-se uma elevação da inflação acumulada em doze meses ao longo do segundo semestre” Então, É importante entender que o Banco Central ainda não sinalizou que vai reduzir a taxa de juros na reunião de agosto, mas também diminuiu um pouco a sua preocupação e não expressou que poderia elevar as taxas de juros se assim fosse necessário, pelo menos não diretamente.


20/06/2023

Haddad indica um valor de R$ 50 bilhões para o Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) com a Reforma Tributária

Para compensar perdas das empresas incentivadas e fazer novos investimentos em infraestrutura, mas os estados querem o dobro desse valor de acordo com levantamentos feitos pelos governadores e pelo Comsefaz. A reforma tributária está tramitando no Congresso e os estados acham que é insuficiente o valor de R$ 50 bilhões para o FDR, o Fundo de Desenvolvimento Regional. Os estados acreditam que esse valor deve ser o dobro para pagar os benefícios fiscais que já estão sendo utilizados na economia brasileira. A PEC 45 (2019) acaba com a possibilidade dos estados concederem incentivos com os tributos estaduais. Com isso, termina pondo fim à guerra fiscal para atrair empresas para os estados e regiões. Como substituição, os governadores vão ter à disposição o FDR para poder fazer investimentos em infraestrutura ou concederem subsídios tributários às empresas. Só que o tamanho desse fundo se tornou um dos principais entraves à reforma tributária nesse momento. Inicialmente, nem esse valor existia, mas como o Ministério da Fazenda viu que a reforma dificilmente iria avançar sem esse valor para o FDR, o valor de R$ 50 bilhões foi indicado por Haddad. Mas, segundo as contas dos governadores, levando em consideração as empresas e seu ressarcimento pelas perdas dos seus incentivos concedidos até 2032 com o ICMS e para fazer investimentos em infraestrutura, é necessário em torno de R$ 100 bilhões por ano. Então há uma sugestão de que seja criado um segundo fundo para compensar as empresas pelos contratos feitos, elevando o valor. Uma alternativa é que a parte estadual/municipal do IVA só entre em vigor em 2033, o que acabaria com a necessidade de compensar as empresas pelo fim dos incentivos. Essa fórmula para divisão dos recursos também ainda não está fechada e o Comitê Nacional dos Secretários Estaduais da Fazenda (Comsefaz) vem trabalhando num acordo para que possa avançar. A promessa é que ainda nessa semana ou na próxima o texto da reforma tributária seja apresentado, unificando os impostos sobre consumo (ICMS, ISS, PI, PIS e COFINS) em dois IVAs, um federal e outro que vai ser estadual/municipal. Já a votação está prevista para a primeira semana de julho.


19/06/2023

O mercado reduziu mais uma vez a previsão de inflação para esse ano e para os próximos três anos

Com isso, a Selic foi rebaixada na sua previsão até o final desse ano, e isso foi uma alteração importante porque vinha sendo mantida no patamar de 12,5% há bastante tempo. Agora, a expectativa é que ela feche o ano em 12,25%, 1,5 ponto percentual a menos que no atual patamar de 13,75%. Essa mudança é importante em semana decisiva para a decisão sobre os juros. O COPOM, Comitê de Política Monetária do Banco Central, se reúne a partir de amanhã e vai decidir sobre a taxa de juros, comunicando a decisão na quarta-feira a partir das 18h30. É importante acompanhar essa decisão que, segundo o mercado, não deve ter alterações profundas no atual patamar. Estamos em 13,75% ao ano, e o próprio mercado já diz que vai se manter nesse atual nível. Mas a forte expectativa é com relação ao mês de agosto, onde já se fala no início da redução da taxa Selic, encerrando o ano em 12,25%. Para 2024, já há também uma nova previsão: a expectativa antes era que a Selic encerrasse 2024 em 10% ao ano, e agora já se fala em 9,5%, queda de 0,5 ponto percentual. Com relação ao IPCA, a expectativa essa semana é que encerre 2023 em 5,12%, representando mais uma queda em relação à semana passada, quando estava em 5,42%. Mas o mais importante é ver que para 2024 houve uma nova redução na expectativa de inflação, fechando agora o ano em 4%. Isso é mais uma redução onde o COPOM pode vislumbrar o atingimento da meta para o ano que vem. Estando em 4%, ficaria dentro do intervalo para a meta de 3%, mas ainda longe do centro. E se nesse mês se confirmar a manutenção pelo CMN, o Conselho Monetário Nacional, de que a meta de inflação vai permanecer nos 3%, isso deve ajudar a trazer mais estabilidade fiscal e ajudar para que o COPOM consiga reduzir a Selic para patamares talvez mais baixos, já que o mercado vai continuar esperando a inflação convergindo para os 3% ao ano. A aprovação do arcabouço fiscal também vai ser decisiva, desde que não sofra alterações significativas com relação às metas que serão estabelecidas para os gastos. Então isso traz um componente importante para a decisão do Copom essa semana, principalmente no seu comunicado. E só para finalizar, a previsão de PIB subiu e agora está em 2,14% para esse ano, mas caiu novamente para 2024, para 1,2%. O câmbio sofreu uma redução, e deve fechar o ano em R$5,00.


19/06/2023

Por que o Dólar está tão barato e como pode afetar a economia e nosso dia a dia?


19/06/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


15/06/2023

Volume de serviços recua 1,6% em abril


14/06/2023

Desaceleração nas exportações e queda no clima econômico na América Latina

Dados divulgados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) revelam uma desaceleração significativa nas exportações da região, devido aos impactos contínuos da pandemia da Covid-19. As exportações aumentaram 2,9% em relação ao mesmo período do ano passado, porém, esse crescimento é consideravelmente menor em comparação com os 16,4% registrados no primeiro trimestre de 2022. Vários países apresentaram queda nas exportações, como Argentina (-17,9%), Bolívia (-23,5%), Colômbia (-4,7%), Equador (-7,7%), Peru (-4,8%) e Venezuela (-20,2%). No entanto, o Brasil conseguiu um aumento de 4,8% em suas exportações, embora inferior ao impressionante crescimento de 19% registrado em 2022. O México também apresentou um crescimento de 6,8%, mas abaixo dos 16,9% registrados no ano anterior. Além disso, o Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina, divulgado pela FGV, caiu no segundo trimestre de 2023 de 73,4 pontos para 65,8 pontos entre o 1º trimestre e o 2º trimestre de 2023, influenciado pela piora das avaliações sobre a situação econômica atual. No sentido oposto, o Indicador que mede as expectativas (IE) ganhou 10,2 pontos, subindo a 80,3 pontos, recuperando parte das perdas sofridas no trimestre anterior. Embora as expectativas tenham melhorado, ainda permanecem na zona desfavorável. A falta de confiança na política econômica local é apontada como um dos principais problemas para o crescimento econômico da região. A piora do clima econômico da América Latina se reflete na revisão para baixo do crescimento do PIB em 2023, que passou de 1,4% para 1,1% entre a Sondagem do 1º e do 2º trimestre de 2023. A necessidade de impulsionar a recuperação econômica e superar os desafios impostos pela pandemia é evidente. O BID destaca a importância de promover políticas que estimulem o comércio exterior, diversifiquem as economias locais e reduzam a dependência de setores vulneráveis a crises globais. Os problemas mais relevantes apontados para o crescimento econômico na América Latina incluem infraestrutura inadequada, corrupção, falta de inovação, aumento na desigualdade de renda, falta de confiança na política econômica, falta de competitividade internacional, barreiras legais e administrativas para investidores, demanda insuficiente, falta de mão de obra qualificada, clima desfavorável para investidores estrangeiros, instabilidade política e falta de capital. No caso do Brasil, a infraestrutura inadequada, aumento da desigualdade de renda, falta de competitividade internacional, demanda insuficiente, corrupção, falta de inovação, falta de confiança na política econômica e falta de mão de obra qualificada são os principais problemas identificados. É essencial que os países da região adotem estratégias para enfrentar esses desafios, promovendo políticas econômicas sólidas, investimentos em infraestrutura, estímulo à inovação, diversificação da economia e fomento ao comércio exterior. Assim, poderemos impulsionar a recuperação econômica e fortalecer a resiliência da América Latina frente às adversidades.


13/06/2023

O consumo das famílias deve ter o seu pior ano desde o início da pandemia

Os principais motivos para essa desaceleração são os juros altos, a inflação persistente e a poupança em queda. Uma pesquisa da IPC Maps revela que as famílias brasileiras devem gastar cerca de R$ 6,7 trilhões em 2023, representando um aumento real de 1,5% em relação ao ano anterior. Caso essa projeção se confirme, será a pior variação do consumo das famílias desde o começo da pandemia em 2020, quando houve uma queda de 4,6%. Além disso, esse aumento previsto para 2023 é quase 1,3% menor do que o crescimento observado em 2022. É importante lembrar que no ano passado, o consumo das famílias teve um crescimento de 4,3% dentro do PIB estimado pelo IBGE. No entanto, as condições para o consumo neste ano têm se deteriorado. O contexto macroeconômico não tem favorecido, com uma inflação persistente, crédito mais caro e restrito. Esses fatores têm contribuído fortemente para a desaceleração. O ritmo do consumo tem se mostrado diferente dos anos anteriores, mesmo após a retomada do mercado interno pós-crise da pandemia. A proporção do consumo das famílias em relação ao PIB teve uma queda de 62,89% em 2020 para 60,97% em 2021, o menor patamar desde 2011, quando atingiu 60,27%. Essa parcela subiu para 63,07% no ano passado, evidenciando a recuperação. Em 2022, com melhores condições sanitárias, a economia, especialmente no setor de serviços, acelerou e as famílias voltaram a consumir mais em bares, restaurantes e hotéis, trazendo um impacto positivo na demanda interna e no PIB brasileiro. O consumo das famílias é um indicador importante para medir o ritmo de crescimento da atividade econômica pela demanda. A economia depende muito do consumo das famílias. Portanto, essa projeção preocupante pode afetar o desempenho do PIB neste ano. O impacto mais forte é sentido na inflação, que consome uma parte relevante da renda, apesar do reajuste salarial. Além disso, o crédito mais restrito e a queda na poupança também freiam o consumo. A poupança das famílias vem diminuindo, pois elas não estão mais conseguindo manter um patamar de reserva financeira, devido aos saques realizados durante o período da pandemia até agora. Por fim, mesmo que a taxa Selic comece a cair, ainda está em um nível elevado, e os impactos dessa redução serão mais percebidos em 2024 do que em 2023. O governo federal vem adotando medidas que estimulam o consumo, tentando manter o crescimento econômico, mas a busca por soluções que amenizem os impactos da inflação, melhorem as condições de crédito e incentivem a poupança é essencial para impulsionar a economia.


12/06/2023

O Boletim Focus dessa semana apresentou uma queda generalizada nas expectativas de inflação para este ano e para os próximos três anos

Isso pode ajudar a SELIC a finalmente cair. De acordo com os dados, a inflação medida pelo IPCA deve encerrar este ano em 5,42%, uma queda em relação aos 5,69% da semana passada. Para 2024, a expectativa é de uma queda para 4,04% em relação aos 4,12% da semana passada. As reduções na expectativa de inflação também se estendem para 2025 e 2026. A previsão para 2025 é de 3,9% e para 2026 é de 3,88%. Isso já está refletindo na previsão da SELIC para 2026, que caiu para 8,75% ao ano. Para este ano, a expectativa para a SELIC ainda se mantém em 12,5%. No entanto, recentemente vimos sinais importantes que podem levar a uma alteração nessa previsão. Por exemplo, a surpresa positiva do IPCA de maio. É interessante notar que a inflação corrente muitas vezes influencia as expectativas de longo prazo. Os analistas formam sua visão de longo prazo com base em dados do curto prazo. Além disso, uma notícia positiva é que o governo não deve mexer na meta de inflação de longo prazo estabelecida em 3%. Isso será discutido na reunião do Conselho Monetário Nacional ainda este mês, mas as sinalizações são de que não haverá interferência para aumentar a meta atual. Também é importante mencionar que o arcabouço fiscal está sendo discutido no Congresso e espera-se que seja aprovado, sem mudanças que aumentem consideravelmente os gastos. Isso traz uma notícia positiva, apesar de não impedir o aumento da dívida pública. Na próxima semana, haverá uma nova reunião do Comitê de Política Monetária. Embora não se espere uma alteração na taxa de juros, é importante acompanhar o comunicado, pois pode indicar uma maior flexibilidade na condução da política monetária no segundo semestre e possivelmente o início da redução da taxa SELIC.