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18/02/2024

Entrevista - CBN Caruaru


14/02/2024

Alta concentração em um único país faz com que risco seja maior para as exportações brasileiras

Fora a China, em 7º lugar, Brasil não aparece entre os maiores vendedores dos outros 9 maiores importadores globais. Nas demais economias, o Brasil aparece em 14º ou pior. Em 2023, o Brasil só subiu no ranking dos maiores exportadores em três dos dez maiores importadores globais: China, Japão e Reino Unido. Na China, subiu do 9º para o 7º lugar. Em 4 dos 10 destinos - EUA, o maior importador do mundo, Coreia do Sul, Índia e Itália - os produtos brasileiros perderam posição. A China é o segundo maior importador do mundo. Há dez anos a fatia brasileira nos desembarques chineses era de 2,8%. Em 2023, subiu para 4,8%. As importações chinesas tiveram queda de 5,9% em 2023, mas as exportações brasileiras para lá aumentaram 11,8% em relação a 2022. Na venda aos americanos, o Brasil perdeu uma posição e caiu para o 18º na lista de maiores fornecedores. A fatia de participação dos produtos brasileiros na importação dos EUA ficou estável, em 1,2%. A China concentra 30,7% das exportações brasileiras e os EUA, 10,9%. Ou seja, 41,6% das exportações brasileiras vão para somente 2 países, deixando os demais 8 maiores importadores mundiais com 13,4% de participação nas exportações brasileiras. Outro grande importador brasileiro é a Argentina, com pouco mais de 10% das exportações brasileiras, outro fator de risco. O comércio com os chineses rendeu em 2023 superávit de US$ 51,2 bilhões, o que ajudou bastante para o superávit recorde de US$ 98,9 bilhões, também impulsionado pela forte queda nas importações brasileiras. Com os EUA, o Brasil teve déficit de US$ 1 bilhão. No ano passado, a China deixou de ser o primeiro fornecedor mundial aos EUA, sendo substituído pelo México, num processo claro de nearshoring. O espaço será cada vez mais preenchido pelo México e Canadá, países com quem os EUA têm acordos de livre comércio, diferente do Brasil, que não deverá ter grandes benefícios. E o saldo bastante positivo com a China vem da forte concentração em commodities. Os chineses compraram 73% de toda soja que o Brasil exportou em 2023, além de 64% do minério de ferro e de 47% do petróleo bruto. Os três itens somam 75% do valor que o Brasil vende ao país asiático e representam 37,2% do que o Brasil exportou em 2023, demonstrando a forte concentração e o alto risco.


09/02/2024

Inflação veio acima do esperado no mês de janeiro, com maior alta de alimentos desde 2016

O IPCA subiu 0,42% em janeiro, ficando abaixo do 0,56% de dezembro. No acumulado dos últimos 12 meses, ficou em 4,51%, um pouco abaixo do teto da meta. Em janeiro, o grupo alimentação e bebidas, que tem maior peso na cesta de consumo das famílias (21,12%), subiu 1,38%. Isso significa um peso de 0,29 p.p. no IPCA do mês. É a maior alta de alimentação e bebidas para o mês desde 2016, quando o grupo alcançou elevação de 2,28%. Por outro lado, o grupo de transportes, o segundo de maior peso no IPCA (20,93%), registrou deflação de 0,65%. Passagens aéreas caíram 15,22% em janeiro. Também houve queda nos preços dos combustíveis (-0,39%), com os recuos do etanol (-1,55%), do óleo diesel (-1,00%) e da gasolina (-0,31%). A preocupação do Banco Central com a inflação vem do núcleo, principalmente dos serviços. Esse segmento ainda continua pressionado e tem levado o Banco Central a ser mais cauteloso na redução da Selic. O mesmo problema tem sido visto na economia americana. Os alimentos sofreram efeitos do El Niño e fortes chuvas em determinadas regiões do país, impactando o IPCA. A previsão de safra para esse ano é menor que em 2023 por conta desses fatores. Por outro lado, a China tem desacelerado sua economia, refletindo em preços internacionais de alimentos mais em conta. O desafio da meta de inflação desse ano é mais ousado, já que o Conselho Monetário Nacional decidiu por reduzir a meta para 3,0% com intervalo superior de 4,5%. A consequência direta é que o afrouxamento monetário será mais lento ao longo desse ano.


08/02/2024

Balança comercial brasileira tem superávit recorde de US$ 6,5 bi em janeiro

O resultado representa uma alta de 185,6% em relação a janeiro de 2023, quando registrou saldo positivo de US$ 2,3 bilhões e foi o valor mais alto desde 1997, início da série histórica. As exportações somaram US$ 27 bilhões em janeiro, uma alta de 18,5% em relação a 2023, quando atingiu US$ 22,8 bilhões. As importações se mantiveram praticamente inalteradas, com queda de apenas 0,1%. A corrente de comércio, por sua vez, teve elevação de 9,7%. Todos os setores de atividades econômicas apresentaram crescimento. A agropecuária cresceu 21,0%, a indústria extrativa, 53,3% e a indústria de transformação, 4,6%. Os resultados mais expressivos vieram da soja, com aumento de 191,1%, seguido de Açúcares e melaço (88,5%) e minério de ferro (56,9%). China, Hong Kong e Macau tiveram um crescimento impressionante de 53,1%, seguido pelos EUA, com elevação de 26,8%, os principais importadores de produtos brasileiros. União Europeia e Argentina apresentaram quedas de 17,7% e 25,4%, respectivamente. O resultado contraria as expectativas de pior desempenho das exportações do agronegócio para o ano de 2024, influenciadas pelas condições climáticas adversas deste ano, e também pelo excelente resultado que o agronegócio já tinha obtido em 2023.


07/02/2024

Setor público teve déficit em 2023 de R$ 249,1 bilhões (2,29% do PIB), segundo maior da história

O valor, em termos nominais, só ficou abaixo do déficit de 2020, ano da pandemia, quando foi de R$ 703,0 bilhões (9,24% do PIB). Governo Central e Estatais foram os responsáveis, ambos voltando a ter resultados negativos. O principal responsável foi o Governo Central, que teve um déficit de R$ 264,5 bilhões contra um superávit de R$ 54,9 bilhões em 2022, uma diferença de R$ 319,5 bilhões no período. Os Governos Regionais continuaram com superávit, mas com queda de R$ 27,3 bilhões no resultado. As Estatais voltaram a ter prejuízo, passando de um superávit de R$ 6,1 bilhões para um déficit de R$ 2,3 bilhões. O déficit das contas do setor público representou 2,29% do PIB, segundo maior desde 2016, quando foi de 2,48%, excluindo o ano da pandemia, quando atingiu 9,24%. O resultado negativo ocorreu após 2 anos seguidos de superávit primário, sendo 0,72% do PIB em 2021 e 1,25% em 2022. O resultado representa uma inversão de um superávit de R$ 126 bilhões em 2022 para um déficit de R$ 249,1 bilhões em 2023. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) – que compreende governo federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 74,3% do PIB (R$ 8,1 trilhões) em 2023. No ano, a relação DBGG/PIB elevou-se 2,7 p.p. Em 2022, havia encerrado em 71,7% do PIB e vem crescendo nos últimos 6 meses. Por fim, houve uma nítida piora na trajetória de pagamento dos juros da dívida, com 2023 representando o recorde da série histórica, iniciada em 2002, com pagamento de R$ 718,3 bilhões, o que corresponde a 6,61% do PIB. Esse valor é 22,5% superior ao registrado no ano anterior.


06/02/2024

Investimento Estrangeiro Direto cai 17% em 2023, chegando a US$ 62 bilhões (2,85% do PIB)

Em 2022, o IED foi de US$ 74,6 bilhões (3,82% do PIB). Por outro lado, o saldo negativo do Balanço de Transações Correntes caiu para US$ 28,6 bilhões (1,32% do PIB), ante US$ 48,3 bilhões (2,47% do PIB) em 2022, uma queda de 41%. A queda do IED no Brasil foi maior que na média dos países emergentes (-9%) e na contramão do resultado das economias avançadas, que cresceu 29%. Nos EUA, o crescimento foi de 0%. Os dados ainda preliminares das comparações internacionais foram divulgados pela UNCTAD (ONU). Maiores incertezas fizeram com que em 2023 international finance projects despencassem, com 40% menos do que no ano anterior, embora os números de projetos greenfield tenham se mantido estáveis no Brasil. Houve, claramente, um redirecionamento para economias mais estáveis, as avançadas. O IED é muito importante para o Brasil e, nas últimas décadas, o país tem se situado como um importante destino para esse tipo de investimento, feito por multinacionais, através da implantação de novos negócios e/ou aquisição de empresas promissoras num mercado consumidor relevante e com vantagens competitivas relevantes, principalmente no agronegócio. A queda é preocupante, também, porque o IED ajuda a fechar o Balanço de Pagamentos, com recursos que entram de forma voluntária na economia brasileira, ajudando o saldo positivo da balança comercial na tão deficitária conta de serviços, que sempre aumenta com envios de juros, lucros e dividendos. Por outro lado, o ano de 2023 teve um resultado muito positivo no saldo total do Balanço de Transações Correntes, já que as exportações de bens registraram o maior valor da série histórica, US$ 344,4 bilhões, aumento de 1,2% em relação a 2022 e as importações somaram US$ 263,9 bilhões, recuo de 10,9% em relação ao ano anterior. Os menores saldos negativos nas Transações Correntes trazem cada vez mais estabilidade para a economia brasileira e serão menores desde que os saldos positivos da balança comercial continuem batendo recordes, como aconteceu em 2023, contribuindo para o aumento das reservas internacionais brasileiras.


01/02/2024

Ibovespa caiu 4,79% e teve o pior mês de janeiro desde 2016

O ano começou em direção oposta ao final de 2023, quando o Ibovespa registrou uma sequência de recordes e encerrou o mês com valorização de 5,38%. Uma série de fatores contribuíram para isso, entenda quais. A queda tem repercussão de fatores macroeconômicos e setoriais. Nos aspectos macroeconômicos, as incertezas em relação à redução dos juros nos EUA; preocupação com o cenário fiscal brasileiro; e, as dificuldades da China em continuar crescendo são destaques importantes. Do lado setorial, mas de impacto relevante, a desvalorização acentuada das ações de commodities, como a Vale, e o pedido de recuperação judicial da Gol são algumas das variáveis que influenciaram o fraco desempenho do índice no início desse ano, devolvendo praticamente todo o ganho do rally do final de 2023. A divulgação de ótimos indicadores econômicos nos EUA contribuiu para reduzir as expectativas de que o Federal Reserve possa iniciar seu ciclo de cortes de juros em março. A reunião do FOMC e posterior divulgação dos juros nessa semana confirmaram esse adiamento. A agenda fiscal brasileira continuou sendo uma grande preocupação. o mercado já começou o ano com preocupações de aumento de gasto público por meio do programa Nova Indústria Brasil, anunciado pelo Governo Federal, que prevê R$ 300 bilhões em investimentos para o setor industrial até 2026. Há, também, uma preocupação global com o crescimento da China. O país asiático cresceu 5,2% no ano passado, mas o número veio abaixo do padrão pré-pandemia. As dificuldades de manter o crescimento refletem diretamente nos países que têm a China como parceiro comercial importante, que é o caso do Brasil. A Vale representa mais de 13% de toda a carteira do Ibovespa. Qualquer grande oscilação no preço de suas ações traz impacto para todo o índice. Em janeiro, a mineradora caiu mais de 10%. A queda refletiu o fraco desempenho da China e do minério de ferro, mas também, as especulações sobre a troca de comando do conselho e a multa bilionária por conta do desastre de Mariana (MG). Por fim, a recuperação judicial da Gol nos EUA derrubou as ações da empresa no Ibovespa, fazendo com que ela fosse excluída do índice. Os papéis da empresa despencaram quase 70% em janeiro, sendo uma baixa de 27% somente na terça-feira (30/01). A redução dos juros pode ajudar a levantar o Ibovespa nos próximos meses. A expectativa é que a SELIC termine o ano em 9%, ou talvez menos, se a inflação permanecer dentro da meta no Brasil e, nos EUA, com a taxa de juros caindo por lá. Há muitas ações baratas no Ibovespa e podem se valorizar esse ano, se os cenários ajudarem.


31/01/2024

Juros mantidos nos EUA e com nova queda no Brasil

Enquanto o Fomc manteve a taxa de juros nos EUA no patamar entre 5,25% e 5,50% ao ano, no Brasil, o COPOM optou por nova redução de 0,5 p.p., caindo de 11,75% para 11,25% ao ano. As decisões eram esperadas pelo mercado. Mas, e como será nas próximas reuniões? Nos EUA, o comunicado feito por Jerome Powell indicou que os juros não devem cair na próxima reunião, a ser realizada em março, pois a inflação vem caindo, mas somente para os bens. Os serviços ainda precisam apresentar uma redução no seu ritmo de preços, para garantir uma inflação de 2%. Segundo o FOMC, a economia americana tem apresentado números muito bons em seu desempenho, com crescimento forte e mercado de trabalho aquecido, com queda relevante dos preços dos bens, mas os serviços estão apresentando resistência. Com isso, os juros permaneceram pela 4ª reunião consecutiva no maior patamar dos últimos 22 anos por decisão unânime do Fomc. O mercado vem apostando na redução dos juros ainda no primeiro semestre, mas talvez essa decisão, que também afeta o Brasil, só ocorra no segundo. Já no Brasil, o COPOM decidiu por reduzir a SELIC para 11,25% ao ano, na sua quinta redução consecutiva iniciada em junho do ano passado. A decisão já havia sido anunciada previamente pelo próprio comitê em sua última reunião. Nova redução foi também anunciada para as próximas reuniões, no mesmo patamar. O comunicado divulgado junto com a decisão mostrou preocupação com uma maior persistência das pressões inflacionárias globais e uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado. As expectativas de inflação do comitê estão dentro das metas de 2024 e 2025. Os fatores que podem ajudar o cenário de inflação são uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada e os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.


30/01/2024

O Brasil criou 1.483.598 empregos formais em 2023, queda de 26,3% em comparação com 2022, quando foram geradas 2.013.261 novas vagas com carteira de trabalho assinada

A criação de empregos em 2023 foi a menor desde 2020 e frustrou a meta do Ministério do Trabalho e Emprego de geração de 2 milhões de vagas. O setor de serviços foi o que mais contratou em 2023 com 886.223 vagas líquidas. Seguido de Comércio – 276.528 contratações líquidas; Construção – 158.940 contratações líquidas; Indústria – 127.145 contratações líquidas; e, Agropecuária – 34.762 contratações líquidas. O estado de São Paulo teve o maior número de vagas líquidas, com 390,7 mil, seguido por Rio de Janeiro (160,6 mil) e Minas Gerais (140,8 mil) dentre os 3 primeiros. Pernambuco ficou em 8º na geração de vagas líquidas, com 51,6 mil, atrás de Bahia (71,9 mil em 5º) e Ceará (54,0 mil em 7º). No mês de dezembro, o resultado foi bastante negativo, como tradicionalmente já ocorre, por conta das demissões de final de ano do comércio, principalmente, passado o período de vendas de dezembro. Ainda assim o resultado foi melhor que o de 2022, com saldo negativo de 430 mil vagas, menor que as 455,5 mil de 2022. O desafio para o ano de 2024 é continuar com o crescimento de vagas formais já que o PIB terá crescimento de metade do previsto em 2023 e a informalidade continua forte no setor de serviços, principalmente. Além disso, a retomada da política de aumentos reais do Salário-Mínimo também pode ter um efeito negativo.


30/01/2024

Governo Central fecha 2023 com déficit de R$ 230,535 bilhões (2,1% do PIB), o 2º maior de toda a série histórica iniciada em 1997

O valor só ficou atrás do déficit causado em 2020 por conta da pandemia. Mesmo excluindo os precatórios (R$ 93 bilhões), o resultado fica como o 3º pior de toda a série histórica, atrás apenas de 2020 e 2016 em termos nominais (138,147 bilhões ou 1,3% do PIB). Os dados levam em conta Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC). As despesas com a dívida pública não fazem parte e ainda falta incluir o resultado dos governos regionais e das estatais, mas incluem o gasto extraordinário de R$ 93 bilhões com a regularização do estoque de precatórios, autorizado pelo STF até 2026 fora da meta fiscal e do limite de gastos. Em 2022, as contas registraram um superávit de R$ 46,408 bilhões (0,5% do PIB), em valores revisados. A meta de resultado primário para de 2023 estava fixada em um déficit de R$ 213,6 bilhões. O valor, incluindo os precatórios, passa da meta, mesmo não sendo contabilizado e trás impactos importantes na relação Dívida/PIB do país. O resultado de 2023 foi formado por um superávit de R$ 76,137 bilhões do Tesouro, déficit de R$ 306,206 bilhões da Previdência Social e déficit de R$ 465 milhões do BC. O resultado muito negativo da Previdência Social tenderá a se agravar nos próximos anos com a política de reajustes do salário-mínimo acima da inflação. A receita líquida do governo central registrou queda real de 2,2% em 2023 (contra 2022), somando R$ 1,931 trilhão. Enquanto isso, as despesas totais subiram 12,5% na comparação anual, alcançando R$ 2,162 trilhões em 2023. Apenas em dezembro, houve aumento de 72,3%, alcançando R$ 303,133 bilhões no mês, com o pagamento dos precatórios, principalmente. Segundo o Tesouro, as despesas do ano incluem um aumento do programa Bolsa Família (de R$ 75,4 bilhões), de benefícios previdenciários (R$ 66,5 bilhões), além da elevação do apoio financeiro a Estados e Municípios, que subiu R$ 12,5 bilhões. As despesas discricionárias tiveram um aumento de R$ 24,6 bilhões e os investimentos, R$ 34,564 bilhões. Após encerrar 2022 em 72,9%, a relação Dívida/PIB subiu para 74,7% até outubro de 2023, quando o déficit acumulado em 12 meses estava em R$ 114,2 bilhões. Com os resultados acumulados até dezembro mais do que dobrando o déficit (R$ 230,5 bilhões) e um PIB mais fraco no segundo semestre, é possível que essa relação chegue muito próximo dos 80%.