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10/04/2023

100 dias de Governo Lula

Já que todos estão comentando sobre isso, vamos lá também. O início do Governo Lula, na parte econômica, surpreendeu até mesmo o que eu vinha dizendo em minhas palestras. Quem assistiu alguma delas no final do ano passado, já via minhas preocupações. Como eu dizia nas palestras, o Governo Lula é desenvolvimentista. Isto posto, significa que há uma mudança de 180 graus em relação ao que o Governo anterior defendia. E isso vem se confirmando ao longo dos anúncios realizados desde que o ano começou. Entenda a diferença. Os anúncios têm sido feitos quase que diariamente, mostrando o retorno de diversas políticas que fortalecem o tamanho do Estado como principal ente promotor do desenvolvimento econômico do país. O setor privado, e o seu capital, ficam com um papel secundário. No arcabouço desenvolvimentista, o papel de bancos de fomento, como o BNDES, Caixa, Banco do Brasil e outros estatais é elevado, trazendo o modelo de escolha de setores e players considerados importantes para o país. Ao mesmo tempo, as estatais também se tornam relevantes. O modelo substitui o Teto de Gastos por um novo Arcabouço Fiscal que impõe menos limitações aos gastos e aumenta a receita, via maior tributação, como já anunciado pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A Reforma Tributária também deve trazer um sistema progressivo. No aspecto social, a renovação e ampliação do Bolsa Família trazem um alívio aos mais pobres, como já era esperado, mas também preocupações acentuadas com a questão fiscal, ao se aprovar uma PEC da Transição com um valor muito superior ao necessário para atender o programa. As surpresas vieram em pontos que eram considerados pacíficos, como por exemplo, o avanço importante do Novo Marco do Saneamento Básico, que tinha trazido investimentos significativos do setor privado em apenas um ano. A revisão apresentada prejudica o setor e os mais pobres. A surpresa agradável nos 100 primeiros dias veio, de certa forma, de onde não se esperava, do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tem defendido maior responsabilidade fiscal, dentro dos seus limites como ministro, e diálogo com o mercado e o Banco Central. De todo jeito, o ano começa ainda mais desafiador para a economia brasileira, com taxa de desemprego voltando a subir e indicadores de atividade econômica mais fracos. O ano será de crescimento baixo e um maior aceno a reformas poderia ajudar a reverter a situação.


10/04/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


06/04/2023

A retirada de recursos da poupança bateu recorde no 1º trimestre, passando de R$ 50 Bilhões

Segundo o Banco Central, essa é a maior retirada líquida no período desde o início da série histórica em 1995. Somente em março, as retiradas superaram os depósitos em R$ 6,08 Bilhões. A maior retirada líquida ocorreu em janeiro com R$ 33, 63 Bilhões. Em fevereiro, foram R$ 11,52 Bilhões. Durante esse período, os depósitos somaram R$ 908,37 Bilhões, enquanto as retiradas foram R$ 959,6 Bilhões com um saldo negativo de R$ 51,23 Bilhões. Esse é o maior patamar, como já mencionei, e o segundo maior aconteceu no mesmo período de 2022 quando o saldo ficou negativo em R$ 40,37 Bilhões. O estoque de valores depositados, ou seja, o volume total aplicado, vem caindo e agora está em R$ 967,4 Bilhões. Isso tem muito a ver com o momento da economia. A Selic está num patamar elevado, de 13,75% ao ano, que representa a maior taxa média nos últimos 5 anos, e a inflação teve queda no acumulado dos últimos 12 meses e agora está em 5,6%. Então, isso impacta os depósitos diretamente. Além disso, o endividamento da população segue bastante alto. Segundo o Banco Central, chegou a 48,8% da renda acumulada dos últimos 12 meses da população até fevereiro deste ano, o que termina fazendo com que você as retiradas da poupança aumentem. Os depositantes estão redirecionando para outras aplicações com rendimentos que ganham da poupança ou também para quitar as dívidas. O CDI, por exemplo, que segue a Selic, teve uma variação em 2022 acumulada de 12,39%, enquanto a poupança, somente 7,9%. Então, termina valendo mais a pena você retirar da tradicional poupança e investir em fundos de renda fixa, por exemplo. Mas, claro, há também a necessidade de entender melhor os tipos de investimentos e os custos envolvidos, como o Imposto de Renda, por exemplo.


05/04/2023

O Brasil caiu para a 26ª posição do ranking dos maiores países exportadores do mundo em 2022

Isso aconteceu mesmo após a forte alta do preço do petróleo e de outras commodities. A Arábia Saudita passou o Brasil, que perdeu uma posição no ranking de acordo com a OMC. As exportações brasileiras alcançaram US$ 334 Bilhões em 2022, US$ 53 Bilhões a mais que no ano anterior, um aumento de 19%. Mas, a Arábia Saudita exportou US$ 410 Bilhões, ou seja, US$ 134 Bilhões a mais no mesmo período, um salto de 49% com a subida do preço do petróleo. Por conta da guerra da Ucrânia, principalmente, o crescimento mundial do comércio Internacional de combustíveis foi de 61% na comparação com 2021. Já o aumento do comércio de produtos agrícolas, onde o Brasil se destaca, foi de 11%, comparado a 19% do ano anterior. Ferro e aço tiveram um aumento das exportações de 12% em valor comparado aos 58% de elevação de 2021. Então, os sauditas aumentaram de 1,2% para 1,6% sua fatia do comércio mundial de bens em apenas 1 ano e o Brasil manteve sua fatia de 1,3% mas caindo da 25ª posição para a 26ª. Essa mudança não foi tão significativa, pois os produtores de bens primários trocam muito de posição de acordo com a cotação dos preços internacionais e das flutuações de oferta e demanda. É interessante analisar o México, que perdeu uma posição mas é o 13º maior exportador. Isso se deve à forte ligação de livre comércio que tem com os EUA e o Canadá ajudando o México com US$ 578 Bilhões de exportações no ano passado e uma fatia de 2,3% do comércio mundial de bens. A China é o maior exportador mundial de mercadorias com 14,4% de participação. Essa participação resulta em um valor de US$ 3,594 Trilhões. Os EUA vêm em 2º lugar, com 13,2% do total e um total de US$ 2,065 Trilhões. Em 3º vem a Alemanha com 6,6% do total e US$ 1,655 Trilhões. Na América Latina, o México vem na 13ª posição e o Brasil em 26º no mundo.


04/04/2023

Venda de veículos apresenta recuperação no mês de março, mas ainda está abaixo do patamar pré-pandemia

O setor automotivo apresentou um certo respiro, pois as vendas de veículos novos aumentaram bastante no mês de março, segundo levantamento da Fenabrave. Os emplacamentos aumentaram em 53% na comparação com o mês de fevereiro, porém no mesmo mês de março, no fim do mês, as montadoras anunciaram paralisações em fábricas brasileiras por conta da redução de demanda, que deve impactar nos meses seguintes. O país registrou 198,9 mil emplacamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus no mês de março, resultando na alta de 53% com relação a fevereiro. O resultado divulgado pela Fenabrave também mostra um salto de 35,5% em relação ao mesmo mês de 2022. Com isso, fechou o primeiro trimestre com uma alta de 16,3% nas vendas, chegando a 471,6 mil unidades. Em 2022, o trimestre havia fechado com queda de 23% em relação a 2021. já o segmento de caminhões, teve uma performance negativa na comparação anual, recuando 7,3%. O mês de março tem 5 dias úteis a mais em relação a fevereiro e a base do ano passado foi muito baixa. Então, o resultado engana de certa forma. Quando comparado com 2019, o setor ainda está 22% abaixo daquele período pré-pandemia e com dificuldades para se recuperar. Como consequência da redução na demanda, as fábricas brasileiras da Volkswagen, GM, Stellantis, Mercedes-Benz e Hyundai pararam a produção e deram férias coletivas. O crédito mais caro e a redução do poder de compra reduziram o potencial de financiamento de carros novos. Esse momento de contração do setor deve melhorar a medida que a Selic comece a ceder, melhorando o custo de obtenção de financiamentos, que por sua vez vai depender também da redução da inflação. Esse é um exemplo do poder da política monetária restritiva.


03/04/2023

Balança Comercial Brasileira teve superávit recorde de US$ 11 Bilhões em março

Esse é o maior saldo mensal desde 1989, início da série histórica. O saldo positivo está muito relacionado a alta recente nas exportações de soja e petróleo e deve se intensificar ao longo ano. A balança comercial deve, inclusive, registrar um superávit recorde de US$ 84 Bilhões nesse ano, também batendo um novo recorde. O valor de março representa um aumento de 38,4% na relação ao mesmo mês do ano passado, quando o saldo positivo foi de US$ 7,61 Bilhões. A retomada das expectativas de crescimento da China está puxando o preço de das commodities, principalmente minerais. Por conta disso, o mês de março foi o maior desde o início da série histórica da balança comercial em 1989. O 2º maior foi junho de 2021, com US$ 10,41 Bilhões. As exportações somaram US$ 33,06 Bilhões, o maior valor já obtido para o mês de março da série histórica. O petróleo e a soja puxaram esse resultado. O petróleo teve uma concentração importante de desembaraços aduaneiros no mês, fazendo com que os volumes aumentassem. A soja teve uma concentração maior em março porque houve uma queda nas exportações de fevereiro, aumentando os embarques nesse mês. No acumulado do ano, a balança comercial registra aumento de 29,8% com um saldo positivo de US$ 16,06 Bilhões contra US$ 12,18 Bilhões de 2022. Os destaques foram: soja, com alta de 8,9% em relação a março do ano passado; óleos brutos de petróleo, com aumento de 53,8%; minério de ferro, que teve queda de 19,7%; farelo de soja, com elevação de 37,3%; e, carnes e aves, com aumento de 23,1%. Os principais destinos foram: China e Macau, com a alta de 12,3%; União Europeia, com aumento de 6,4%; Estados Unidos, com elevação de 4%; e, o Mercosul, com uma elevação de 16,2%, sendo destaque a Argentina com aumento de 25,8%, mostrando uma recuperação. O resultado tem ajudado o câmbio nas últimas semanas. Com a receita cambial das exportações, o Dólar pode vir a ficar abaixo de R$ 5,00. É claro que outros fatores também podem interferir nesse resultado, principalmente as políticas monetárias no Brasil e nos EUA. Já em termos do mercado de ações, as quedas recentes do Ibovespa só não foram maiores por conta das ações de empresas exportadoras, que têm apresentado um bom desempenho. E essa tendência deve se confirmar, com recentes elevações das previsões dos preços das commodities.


03/04/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


31/03/2023

Desemprego sobe a 8,6% no trimestre encerrado em fevereiro, diz IBGE


30/03/2023

O Arcabouço Fiscal foi finalmente apresentado e traz mudanças importantes na regra de gastos

Mas a regra é crível e factível? Ela impede a trajetória de alta do endividamento? A apresentação do material aponta para resultados que vão nessa direção, mas ainda há muitas dúvidas. O Arcabouço substituirá o Teto de Gastos que limitava o crescimento das despesas à inflação do período anterior. Não haverá um teto de gastos e sim um fixação dos gastos em 70% do valor da receita até junho do ano corrente para determinar as despesas do ano seguinte. O arcabouço leva em consideração uma meta de compromisso com a obtenção de superávit primário, a partir de 2025, mas com bandas de ajustes para medidas consideradas anticíclicas. O resultado primário acima da banda, quando ocorrer, poderá ser usado para investimentos. O objetivo do arcabouço é manter o nível de endividamento estabilizado e trazer o grau de investimento de volta para o país. Por outro lado, se o resultado primário vier abaixo da banda, por queda de receita, as despesas ficarão restritas a 50% da receita no exercício seguinte. Essa regra é crível e factível e trará um pouco mais de previsibilidade no andamento das despesas. Vale lembrar que FUNDEB e Piso da enfermagem ficarão de fora dessa conta, mas não prevê redução de gastos. Pelo contrário, prevê elevação de gastos, mais ou menos controlada. A regra conta com uma elevação da receita, que ficou muito certo na entrevista do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, virá, em boa parte, através da elevação da arrecadação, elevação de tributos e criação de novos impostos, como os impostos sobre riqueza e dividendos. O arcabouço é muito vinculado a uma expectativa crescente de receita via desempenho positivo da economia, permitindo a elevação constantes dos gastos. Mas, e quando um ano bom em receita for seguido por outro ruim e tiver que reduzir despesas proporcionalmente? Nas experiências passadas, Congresso e Executivo sempre elevaram despesas, muitas de forma permanente, nos anos de receita elevada, mas quando a receita caiu, não conseguem reduzir de volta, até mesmo sendo acusados de injustiça social. Esse é um ponto preocupante da regra.


29/03/2023

Brasil gera 241,8 mil empregos em fevereiro; número é 31,6% menor do que o do mesmo mês de 2022