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14/03/2023

Desenrola Brasil vai usar crédito tributário

A medida provisória que vai criar o Desenrola Brasil, o programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, vai permitir que os bancos usem créditos tributários para atender os inadimplentes com renda acima de 2 salários-mínimos. O Tesouro vai subsidiar com o fundo garantidor de R$ 10 Bilhões aqueles inadimplentes que têm uma faixa de renda até 2 salários-mínimos. As demais faixas vão ser atendidas com o uso dos créditos tributários que são acumulados como ativos para operação de inadimplentes. Os ativos são provisionados ao fazer uma operação financeira, recolhendo antecipadamente os tributos de que são decorrentes dela e o tomador fica inadimplente. Esse dinheiro fica reservado na instituição como um crédito tributário que vai sendo abatido ao longo do tempo. Com o Desenrola Brasil, o crédito tributário se transforma em presumido e passa pelo Balanço do banco. Nos números do Ministério da Fazenda, há R$ 430 Bilhões de inadimplência, ou seja, em dívidas bancárias e não bancárias cujo pagamento está atrasado em 72 milhões de CPFs. Para a faixa de até 2 salários-mínimos atendida pelo Desenrola, os R$ 50 Bilhões são devidos por 37 milhões de CPFs. Todo o restante vai ser elegível para ser renegociado com o abatimento do crédito tributário. Os bancos, porém, têm um estoque inferior a esse volume de dívidas. A estimativa é que as instituições financeiras tenham acumulado R$ 150 Bilhões que podem vir a entrar nessa negociação, não conseguindo atender a todos. Além disso, é mais vantajoso para os bancos usar o fundo garantidor com recursos do Tesouro, diminuindo a oportunidade. Então, o Ministério da Fazenda vem estudando um meio de atrelar as 2 operações para assim poder fazer os bancos também atender essa faixa que fica acima dos 2 salários-mínimos. De todo jeito, esse programa nesse formato, tende a acontecer com pouca frequência.


13/03/2023

Colapso do Silicon Valley Bank (SVB) pode antecipar queda dos juros aqui no Brasil


12/03/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


10/03/2023

Tebet diz que novo arcabouço fiscal vai agradar a todos, inclusive ao mercado


09/03/2023

O brasileiro não olha a taxa de juros, mas sim se a parcela cabe no seu bolso

Só que o problema é que a parcela do financiamento do automóvel, por exemplo, tem ficado cada vez mais alta no bolso do comprador. Isso está relacionado aos juros altos, mas também há outros fatores. Ainda assim as vendas de automóveis leves devem crescer 2,0% neste ano, segundo analistas do setor. Ao contrário dos últimos 2 anos, em que a oferta era a principal fonte de desafios da indústria automobilística, a demanda deve ser o fator-chave para o cenário de 2023-24. Embora a escassez de componentes não esteja completamente superada, os estoques já mostram sinais de alívio. Mas, diante da desaceleração da economia, da inflação ainda pressionada e do elevado grau de aperto da política monetária, as vendas devem ter um desempenho limitado. Em 2021, havia um represamento da demanda próximo a 500 mil veículos. Diante da maior disponibilidade de veículos, o ritmo de vendas deveria retornar ao patamar de 2019. No entanto, até os dados de janeiro desse ano, não havia sinais de uma recuperação sustentada das vendas. O fraco desempenho das vendas pode ser explicado pelos juros elevados que impedem uma recuperação mais forte da demanda. O Brasil foi um dos primeiros países a iniciar a normalização dos juros, dado o nível elevado da inflação, sobre os veículos inclusive, e não vai reverter tão rápido. Embora o mercado de trabalho siga relativamente forte, esse é um vetor limitante para uma recuperação expressiva das vendas neste ano. Um segundo fator é o menor grau de affordability das famílias de renda mais baixa por conta do aumento do endividamento das famílias. Houve um aumento do número de famílias endividadas e inadimplentes para um patamar recorde, combinado com certa estagnação ou mesmo queda da renda real e elevação recente dos preços dos automóveis em escala global, e um mercado mais voltado para SUVs, também mais caras. A parcela, enfim, ficou bem mais pesada no bolso do brasileiro, que agora tem que se adaptar para essa nova realidade e comprar mais veículos usados bem como usar os veículos de aplicativos. Ainda vai levar algum tempo para que o mercado se recupere pelo lado da demanda.


08/03/2023

Desenrola Brasil vai beneficiar 37 milhões de CPFs e renegociar R$ 50 Bilhões em dívidas, segundo Haddad

Com validação do Presidente Lula, Ministério da Fazenda agora desenvolverá sistema. Anúncio oficial ocorrerá somente após o sistema ficar pronto e adesão dos credores. O desenho do programa, de acordo com Haddad, deve girar em torno de R$ 10 Bilhões com recursos do Tesouro Nacional num fundo garantidor para uma dívida estimada em R$ 50 Bilhões, envolvendo 37 milhões de CPFs negativados. O programa virá através de medida provisória. Os credores vão entrar no programa pelo tamanho do desconto que oferecerem aos devedores que estão com o CPF negativado. O sistema será modelado para que quanto maior seja o desconto, mais chances o credor tenha de receber o débito que vai ser honrado pelo devedor. O Desenrola Brasil não terá linha de corte de renda para os devedores nem às empresas. Todas as pessoas com CPF negativado poderão participar. No entanto, o Tesouro Nacional vai dar garantia para as dívidas de cidadãos com até dois salários-mínimos com descontos maiores. Atualmente, segundo o Serasa, 70 milhões de brasileiros estão inadimplentes. O valor médio da dívida do brasileiro é R$ 4.612,28, o que corresponde a uma alta de 2,6% na comparação com dezembro do ano passado. O programa vai inserir as pessoas de volta no mercado de crédito. A medida funciona como uma política fiscal expansionista, pois usa recursos do Tesouro Nacional para quitar dívidas das famílias, de forma pulverizada, e as reinsere no mercado de crédito, pois irão consumir novamente, contratando novas dívidas, que têm risco de inadimplência. Essa é uma medida paliativa que tem efeito somente no curto prazo. Tão logo o efeito passa, o endividamento volta a subir e o Governo precisa fazer nova rodada de perdões aos endividados com recursos do Tesouro Nacional. A saída vem através da diminuição do desemprego. Para resolver, políticas de geração de empregos e renda são mais efetivas, como a Reforma Tributária que, inclusive, desonere a folha de pagamentos, permitindo que mais trabalhadores sejam contratados, com salários mais altos. Políticas estruturadoras é que fazem diferença.


07/03/2023

Número de trabalhadores que ganham mais de 2 salários-mínimos atingiu nível recorde em dezembro de 2022

Com a renda em alta, os brasileiros que ganham menos que um salário-mínimo vão deixar de representar a maior parte da parcela dos trabalhadores. Isso aconteceu por conta da taxa de desemprego que chegou aos 7,9% em dezembro, fechando o ano de 2022 com o menor nível desde o início de 2015. Assim, a parcela de quem não chega a um salário-mínimo diminuiu e aumentou para um nível recorde a população que ganha mais que 2. Ainda assim, 1/3 dos trabalhadores brasileiros vivem com rendimento menor do que o de um salário-mínimo, mais de 33,2 milhões de pessoas. Essa realidade vem acontecendo desde a grande queda que aconteceu no mercado de trabalho causada pela pandemia em 2020. A boa notícia é que agora essa tendência é de melhora dos números no que foi mostrado de junho até dezembro de 2022. A quantidade de trabalhadores que recebem entre meio e um salário-mínimo vem caindo bastante. São quase 2 milhões a menos nessa faixa de renda. No final de 2022, o número de trabalhadores que recebem mais que 2 salários-mínimos bateu o recorde da série histórica, chegando a 32,9 milhões de pessoas. A expectativa é que esse grupo se torne a maior parcela dos trabalhadores já talvez no próximo levantamento do IBGE. Ao observar a série histórica, antes da pandemia, a maior parte dos trabalhadores ganhava entre um salário-mínimo até 2 salários-mínimos. Em seguida, vinham aqueles com 2 salários-mínimos ou mais e, em último, os trabalhadores que ganhavam de zero a um salário-mínimo. Com a pandemia, esses números inverteram e os trabalhadores que ganhavam 2 salários-mínimos ou mais tiveram uma queda significativa com justamente uma elevação muito grande dos trabalhadores que ganham até um salário-mínimo. Em 2022 aconteceu a reversão. O melhor detalhe é que os trabalhadores que ganham 2 salários-mínimos ou mais agora são a grande maioria da força de trabalho aqui no Brasil. O caminho para essa ascensão pode continuar desde que a economia continue num ritmo de crescimento econômico como nos 2 últimos anos.


06/03/2023

O BNDES planeja lançar a Letra de Crédito de Desenvolvimento (LCD) e a volta dos subsídios para taxas de juros

A diretoria do BNDES vem negociando com o Ministério da Fazenda um conjunto de mudanças nas formas da instituição obter capital e conceder empréstimos. Esse conjunto de mudanças deve ser o mais significativo dos últimos 5 anos. O banco planeja lançar o novo instrumento para captar recursos do mercado e reduzir sua dependência do Tesouro Nacional, através da assim chamada Letra de Crédito de Desenvolvimento (LCD). A LCD receberá investimentos até mesmo de pessoas físicas e vai funcionar com um formato e remuneração semelhantes às opções financeiras hoje existentes das LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e Agrícola), eliminando a necessidade de recursos públicos para a instituição. Em outra frente está sendo desenvolvida a ideia de flexibilizar de diferentes formas o uso da Taxa de Longo Prazo (TLP), criada em 2017 no Governo Temer, para impedir que o banco emprestasse a clientes a taxas menores do que o custo de captação do Tesouro Nacional. O BNDES quer recriar o crédito subsidiado pelos cofres públicos, como nos governos anteriores do PT, mas dessa vez voltados a segmentos considerados estratégicos, como transição energética e inovação, sob autorização do Conselho Monetário Nacional e com limites de valores. Apesar de considerar que a criação da TLP removeu o amplo subsídio visto naquela época, o atual Governo critica o formato de taxa, que amarrou o banco à obrigação de remunerar o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) usando somente uma taxa para todos e quer taxas múltiplas. Hoje, as taxas do BNDES hoje são pouco competitivas em relação às do Banco do Nordeste (BNB), por exemplo, e as do BNB são moduladas de acordo com o porte da empresa, da região dentro do Nordeste e do setor, sendo sempre mais baixas para micro e pequenos no Semiárido. Esse tipo de modulação poderia ser adotada e o uso de recursos captados junto a investidores privados poderia ajudar a cobrar juros mais baixos que aqueles praticados no mercado, mas ainda assim teria que remunerar o BNDES acima da SELIC para ter rentabilidade e credibilidade.


06/03/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


03/03/2023

Pagamentos com cartão de crédito/débito direto pelo Whatsapp

Dois anos após liberar as transferências entre pessoas através do WhatsApp, o Banco Central autorizou os pagamentos de pessoas para lojistas, chamado de P2M, e devem alavancar o serviço após o seu lançamento. A expectativa do mercado é que essa função entre em funcionamento já em abril e venha a alavancar não só as transações comerciais através do aplicativo, mas também as próprias transferências entre pessoas físicas que nunca deslancharam diante da forte concorrência do PIX. Com a ferramenta, será possível pagar pela compra de um produto ou de um serviço diretamente no WhatsApp, da dona do Facebook. A decisão saiu na quinta-feira, concluindo a última etapa para que os clientes das bandeiras de cartão de crédito possam realizar compras pelo App. Não há mais impedimentos regulatórios para a realização das transações de compras e os cartões de crédito, de débito e pré-pago poderão ser usados no WhatsApp. É importante entender que a mudança que o Banco Central fez permitiu um maior número de participantes, além da Cielo. As credenciadoras da Cielo, fiserv, Getnet, Mercado Pago e Rede poderão utilizar o sistema de pagamentos com cartões de crédito e de débito Mastercard e Visa. A ampliação foi uma importante demanda do Banco Central para a liberação do serviço com mais concorrência já no início. No início, a parceria do WhatsApp era somente com a Cielo. O Banco Central não concordou e impôs que o serviço deveria já ter início com todos os concorrentes operando. O interessante é que todos os emissores de cartões vão poder oferecer a solução inovadora. Itaú, Santander, Nubank, Inter e BTG Pactual já estão habilitados, mas outros podem se juntar a qualquer momento nessa nova modalidade. Ou seja, dentro de mais alguns meses a gente vai ver uma nova revolução aí no sistema de pagamentos com o WhatsApp funcionando.