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26/01/2023

Investimento Estrangeiro Direto no país chega a US$ 90,6 Bilhões em 2022, maior valor em 10 anos

O valor registrado pelo Banco Central representa um aumento de 95,2% em relação a 2021, quando US$ 46,4 Bilhões foram investidos no Brasil. Essa entrada de recursos é importante. Do valor total investido no ano, US$ 69,4 Bilhões foram em participação no capital, quando os investidores fundam ou adquirem empresas brasileiras, e US$ 21,07 Bilhões foram referentes a transações intercompanhia, quando matrizes internacionais investem em filiais nacionais. Apenas em dezembro de 2022, os investimentos diretos no país somaram US$ 5,5 Bilhões. Isso representa um aumento expressivo em relação a dezembro de 2021, já que no período o IED registrado foi um desinvestimento de US$ 5,17 Bilhões. O ano apresentou um movimento crescente. O resultado positivo do IED no país reflete a leva de investimentos contratados nos novos marcos regulatórios, privatizações e concessões que ocorreram recentemente, trazendo o interesse de investidores internacionais para o mercado brasileiro, principalmente em infraestrutura. A entrada de IED ajuda, junto com o saldo positivo da Balança Comercial, no fechamento do Balanço de Pagamentos brasileiro. As Transações Correntes do país com o resto do mundo são negativas por conta do envio de lucros de multinacionais e do pagamento de juros de empréstimos. As exportações e as importações registraram os maiores valores da série histórica e a corrente de comércio atingiu US$ 636,9 Bilhões em 2022. As exportações somaram US$ 340,7 Bilhões, aumento de 19,9%, enquanto as importações totalizaram US$ 296,3 Bilhões, acréscimo de 19,6%. O Brasil sempre dependerá de um bom resultado da Balança Comercial e do IED para poder financiar seu déficit externo com o pagamento de juros e envio de lucros. Enquanto houver confiança na economia brasileira e oportunidades para investimentos, a conta fechará.


25/01/2023

A defasagem da tabela do Imposto de Renda é de 148%

Um reajuste iria ajudar mais de 30 milhões de pagadores de impostos que ficariam isentos a partir daí. A tabela não passa por uma atualização há 7 anos e a última correção integral, incluindo todas as faixas, ocorreu em 1996. O resultado é que os brasileiros vão pagar mais imposto de renda esse ano porque não há previsão de reajuste na tabela do tributo. o último ajuste integral foi realizado em 1996 e de lá para cá a defasagem acumulada é de 147,87%, segundo estimativa da Unafisco. A tabela passou por algumas atualizações parciais ao longo desse período, a mais recente em 2016, no governo Dilma, quando a faixa de isenção foi para os atuais R$ 1.903,98. Um reajuste integral isentaria mais de 30 milhões de contribuintes com salários até R$ 4.719,34. O reajuste representaria uma redução de R$ 239,3 Bilhões na arrecadação da união, segundo a Unafisco, estimando os cálculos com base no IPCA acumulado entre 1996 e 2022. O resultado é que os trabalhadores que recebem um salário e meio terão que pagar imposto de renda esse ano. Se houvesse a correção da tabela de acordo com a inflação pagando com base os valores de 1996, a isenção da tributação teria um custo anual de R$ 184 Bilhões, beneficiando 18 milhões de brasileiros. O custo é bastante elevado para uma situação fiscal que o país tem hoje. O primeiro passo talvez fosse colocar em vigor o reajuste condizente com a inflação acumulada de 2022, de 5,9%, além de um dispositivo de lei que definisse que a tabela deve ser reajustada anualmente. Assim, o reajuste passaria a valer para a declaração desse ano em diante. Sem o reajuste, o contribuinte é submetido a mais tributação a cada ano que passa e isso é uma forma silenciosa do governo tributar mais a população via imposto de renda. Em 2022, cerca de 36,3 milhões de contribuintes prestaram contas à Receita Federal, um resultado recorde. Tanto Bolsonaro quanto Lula prometeram isentar os contribuintes que ganham até 5 salários-mínimos, Bolsonaro em 2018 e Lula agora em 2022. Bolsonaro não cumpriu e muito provavelmente o Lula também não vai conseguir cumprir com essa promessa porque o custo é muito elevado. Há uma expectativa de mudança através da tributação de lucros e dividendos numa Reforma Tributária, gerando outras fontes de receitas para cobrir essa perda. Mas até agora não houve nenhuma movimentação concreta e o Fernando Haddad fala em fazer isso no 2º semestre.


24/01/2023

O BNDES voltará a financiar obras no exterior

O presidente Lula declarou essa mudança em pronunciamento em Buenos Aires, ao lado do presidente argentino, Alberto Fernández. Os dois participaram de um encontro bilateral. O BNDES não financia projetos no exterior desde 2016. Entre 1998 e 2015, o BNDES desembolsou US$ 10,4 Bilhões para 15 países. Foi retornado US$ 12,8 Bilhões até setembro de 2022. Desse total, 89% foram em favor de 6 países (US$ Bilhões): Angola (3,2), Argentina (2), Venezuela (1,5), República Dominicana (1,2), e Equador (0,68). Cuba (0,66) e demais países (1,1) também receberam recursos e 3 países estão inadimplentes, sendo eles (US$ Milhões): Venezuela (681), Cuba (226) e Moçambique (122), em um valor total de US$ 1,03 Bilhão acumulado até setembro de 2022. Outros US$ 573 Milhões estão por vencer. O ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, frisou que o BNDES financiará dutos produzidos no Brasil por uma empresa brasileira e estimou que o crédito seria de aproximadamente US$ 820 milhões. O prazo, segundo ele, ainda está em discussão, mas será realizado esse ano. Segundo Lula, O BNDES voltará a financiar projetos de engenharia ajudando empresas brasileiras no exterior e os países vizinhos a crescer e até vender o resultado desse enriquecimento para um país como o Brasil, que será "protagonista" no financiamento de grandes projetos. O Brasil tem um déficit grande de investimentos em infraestrutura. O agronegócio brasileiro, por exemplo, é o mais competitivo no mundo até a porta da fazenda, devido aos recursos naturais, clima ideal e terras férteis, mas daí em diante, perde em competitividade na logística. E perde para países como EUA e a própria Argentina. Eles possuem uma estrutura de escoamento de produtos com ferrovias e portos que nos deixam para trás. Além disso, o Brasil tem uma série de obras inacabadas, que ajudariam muito a economia brasileira e sua população. Vale lembrar que o orçamento do Governo Federal é muito apertado, não deixando espaço para investimentos em infraestrutura. Então, os recursos do BNDES, boa parte oriundos do Tesouro Nacional, se tornam ainda mais relevantes para financiar a infraestrutura em nosso país. Nos últimos anos, o Brasil adotou um posicionamento de atração de investidores privados para obras de infraestrutura, através da modernização de diversos marcos regulatórios, como o do Saneamento Básico e o das Ferrovias. Nesse formato, o setor privado faz o investimento.


23/01/2023

Brasil e Argentina criam grupo para discutir moeda comum de comércio exterior entre os membros do Mercosul

O novo sistema funcionará como uma Câmara de compensação e não o que vem se falando nos últimos dias de uma unificação das divisas entre os países, como o Euro na UE. O objetivo é facilitar as operações de comércio exterior entre os membros do Mercosul, principalmente Brasil e Argentina, os maiores parceiros. A unidade de conta comum seria utilizada apenas para transações comerciais entre os países para diminuir a dependência ao Dólar. Uma política monetária mais restritiva nos EUA poderia limitar o comércio exterior na América Latina, reduzindo a oferta de Dólar, moeda que é a utilizada hoje nesses contratos entre o Brasil e a Argentina e na maior parte dos contratos no comércio internacional mundial. O novo sistema funcionaria como uma Câmara de compensação conjunta. Com isso, você poderia, por exemplo, exportar em Reais para a Argentina e ajudaria bastante, na realidade, a Argentina, que passa por sérias dificuldades de disponibilidade de reservas cambiais em dólares. As reservas internacionais da Argentina somam US$ 42,9 Bilhões e há uma grande fuga de dólares da economia desde que a Argentina vem apresentando problemas sérios de crise, com inflação que fechou 2022 próximo dos 100%. O Brasil tem reservas internacionais de US$ 324,7 Bilhões. Para o Brasil seria uma situação muito negativa fazer um acordo de moeda comum por conta dessas dificuldades econômicas da Argentina, piores do que as nossas. De todo jeito, a Argentina é o 3º maior destino das exportações brasileiras e principalmente produtos industrializados. A participação, porém, já foi maior, só que a crise econômica argentina de vários anos diminuiu as exportações brasileiras de 2011 a 2022 para de algo acima dos US$ 22,7 Bilhões para US$ 15,3 Bilhões. Enquanto a China hoje é o nosso principal destino com 26,8% das exportações. Em seguida, os EUA vêm em 2º com 11,2% das nossas exportações. Os blocos econômicos da União Europeia e Oriente Médio representam 15,19% e 5,14% das nossas exportações, respectivamente. Uma participação mais relevante que a da Argentina, de 4,59%.


22/01/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


21/01/2023

OCDE aponta que os brasileiros ficam 9,3 horas por dia em média na internet


19/01/2023

A Taxa de Desemprego caiu para 8,1% no trimestre encerrado em novembro, segundo a PNAD Contínua do IBGE

Esse é o menor patamar desde abril de 2015 e nau comparação com o trimestre encerrado em agosto, houve uma redução de 8,9% para 8,1%, 8,7 milhões de desempregados. Na comparação com o mesmo trimestre de 2021, a taxa caiu de 11,6% para os 8,1%. A população desocupada de 8,7 milhões de pessoas recuou em 9,8%, ou seja, menos 973.000 pessoas em relação ao trimestre anterior e caiu 29,5%, menos 3,7 milhões de pessoas, na comparação anual. A população ocupada chegou ao patamar de 99,7 milhões de pessoas, representando um recorde em relação à série histórica iniciada em 2012, com alta de 0,7% em relação ao trimestre anterior e de 5% em relação ao ano anterior, onde 4,8 milhões de trabalhadores conseguiram emprego. O rendimento real habitual, ou seja, o rendimento depois de descontar a inflação, cresceu 3% no trimestre e 7,1% em 1 ano. Ao observar a série histórica, observa-se que o patamar de R$ 2.787,00 do rendimento real médio agora está no mesmo nível de junho de 2021. A renda real caiu drasticamente por conta da inflação, que teve seu pico em março de 2022. Depois que a inflação foi cedendo, a massa de rendimento foi se recuperando. Olhando um pouco para trás, em abril e maio de 2020, no auge da pandemia, houve deflação na economia. Isso empurrou a massa salarial lá para as alturas, chegando a ficar assim acima de R$ 3.000,00. Depois, a inflação, principalmente de alimentos e combustíveis, fez com que ela caísse e agora vem se recuperando para um patamar muito parecido com o da média de antes da pandemia. Controlar a inflação é tão importante quanto ter uma taxa de desemprego baixa porque a massa salarial real com uma inflação descontrolada prejudica os trabalhadores, principalmente aqueles de renda mais baixa, que tendem a ter um poder de compra muito baixo. É importante também estar pensando no futuro em como aumentar a produtividade da mão-de-obra para que esse rendimento real cresça ainda mais. Isso acontece através da formação do capital humano e do investimento em tecnologia, algo que o Brasil precisa fazer pensando no futuro.


18/01/2023

Simone Tebet disse que a Reforma Tributária será fatiada e que não há espaço para alta de impostos

O Governo Lula poderá fazer sua maior entrega através da Reforma Tributária, corrigindo distorções sérias de falta de competitividade das empresas brasileiras e do consumo. No Governo Bolsonaro, a Reforma Tributária não foi adiante por falta de consenso entre os setores envolvidos e seus representantes no Congresso. Hoje a tributação é muito alta sobre consumo e baixa sobre a renda, o contrário do que acontece nos EUA e na União Europeia. Nesses países, a tributação sobre o consumo é baixa, pois adotam o Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) e a tributação da renda é mais elevada. Enquanto aqui se tributa 27,5% no teto, nos EUA, por exemplo, chega a 35%. Aqui os mais pobres pagam mais via tributos sobre o consumo. Segundo Tebet, a reforma vai ser fatiada, onde primeiro vai tratar dos impostos sobre o consumo com a adoção do IVA, nos moldes das propostas que estão no Congresso. Há uma proposta do Senado e outra na Câmara, e pode haver até mesmo uma combinação delas. Ela falou, também, que este governo tem uma política econômica baseada num tripé do ajuste fiscal apresentado por Haddad na semana passada, da nova âncora fiscal ainda a ser apresentada até abril e dessa reforma tributária a ser discutida e votada no Congresso.


17/01/2023

Teto de Gastos será substituído por nova regra fiscal

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que vai apresentar até abril a nova regra fiscal ao Congresso que vai substituir o Teto de Gastos que está em vigor desde 2017. O legislativo irá discutir e aprovar a nova regra. A nova regra servirá para disciplinar os gastos públicos, substituindo o Teto de Gastos, que foi aprovado em 2016 e entrou em vigor em 2017. Marco muito importante na disciplina fiscal, prevendo que a maior parte das despesas do governo não cresça em ritmo maior que a inflação. No fim de 2022, o Congresso aprovou junto com a PEC da Transição uma obrigação para que o Governo Lula envie uma nova proposta de âncora fiscal até o mês de outubro. Haddad vem dizendo que pretende agilizar esse envio, prometendo agora fazer essa entrega até o mês de abril. É importante entender que a âncora fiscal é um termo utilizado por nós economistas como referência para uma regra de austeridade. Ou seja, regra que impede um crescimento desenfreado das despesas públicas que gera aumento da dívida pública e leva a problemas sérios de inflação. Como consequência, há um aumento dos juros por parte do Banco Central para combater a inflação e uma queda no crescimento econômico. Situação que o país vem vivenciando agora. Os gastos em excesso levam a esse problema inflacionário, que prejudica os mais pobres. Esse prazo mais curto para entrega da proposta é importante porque deve haver uma ampla discussão no Congresso até a sua aprovação. Alguns economistas falam que é importante levar em consideração não só a inflação, mas também o crescimento econômico do ano anterior. Isso seria uma mudança importante no cálculo do espaço fiscal para gastar mais. A preocupação com o endividamento do país é bastante importante porque o Brasil já tem um endividamento num nível muito alto e não pode ter uma trajetória muito rápida de seu crescimento. Outro ponto importante é que o superávit primário é fundamental para que a economia consiga honrar com seus compromissos e representa um tripé macroeconômico do Plano Real. Os cuidados com o superávit primário e o endividamento devem ser prioritários no Ministério da fazenda.


17/01/2023

Dólar sobe e encosta em R$ 5,15, em dia de feriado nos EUA e repercussão do Boletim Focus