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30/01/2024

PIB americano cresce mais que o esperado e pode mudar cenários de juros lá nos EUA e aqui no Brasil

O PIB dos EUA teve alta anualizada de 3,3% no quarto trimestre de 2023, superando expectativas do mercado de que cresceria 2,0%. Com isso, o PIB real americano cresceu 2,5% em 2023 em relação ao resultado do PIB de 2022. A alta foi puxada pelo consumo das famílias e os gastos do governo, segundo o Departamento de Comércio americano. O resultado positivo contradiz a expectativa de um ano atrás de que a economia americana talvez entrasse em recessão em 2023, mas 2024 pode ser diferente. A alta deverá continuar em 2024, embora em ritmo mais lento. O Federal Reserve (Fed) deve começar a baixar as taxas de juros, o que deverá ajudar a economia este ano. Em 2023, a queda da inflação e um mercado de trabalho aquecido impulsionaram os níveis de confiança dos consumidores. Esse dinamismo pode ser desafiado por um ritmo mais fraco de contratações e maior pressão sobre os americanos que gastaram as poupanças da pandemia. Apesar do salário ter tido um crescimento acima da inflação do período e das vendas do varejo e uso de cartões de crédito terem aumentado, os níveis de endividamento e inadimplência bateram recorde em 2023. Mesmo com resultados positivos surpreendentes em 2023, a produção em alguns setores tem diminuído e os trabalhadores demitidos têm demorado mais tempo para retornar a serem contratados. Essas variáveis influenciam a decisão do Fed com relação aos juros por lá e podem impactar o Brasil também. Uma economia mais forte que o esperado pode significar uma maior demora no início da redução dos juros por parte do Fed, mesmo com a inflação dentro de patamares esperados, como foi divulgado, e, inclusive, uma redução menos intensa que a esperada pelo mercado. Essa mudança em ritmo e intensidade na redução de juros nos EUA impacta a decisão por cortes mais agressivos aqui no Brasil. Apesar de haver independência entre os bancos centrais de ambos os países, o spread entre os juros daqui e os de lá influenciam o patamar de redução por aqui. Essa influência tem impacto direto no câmbio. Juros muito baixos no Brasil, em comparação com os EUA, afugentam investidores, pressionando o Dólar, que pode gerar mais inflação no Brasil. Então, crescimento forte da economia americana pode resultar em juros mais altos por mais tempo por lá e por aqui.


30/01/2024

Governo Federal vai tentar emplacar Reforma Tributária sobre a renda em 2024

Até março desse ano o Ministério da Fazenda irá enviar ao Congresso proposta que inclui tributação sobre dividendos, mudanças no IRPJ, mudanças na tabela do IRPF, fim do JCP e tributação sobre multinacionais em 15%. A reforma tributária sobre a renda deve incluir um imposto mínimo efetivo de 15% sobre o lucro de multinacionais que operam no Brasil e deve propor a revogação ou mudanças no uso dos juros sobre capital próprio (JCP) distribuídos pelas empresas, algo que foi tentado no ano passado, sem sucesso. O imposto mínimo global foi negociado por 140 países sob a coordenação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o objetivo de permitir a realocação dos lucros das grandes multinacionais para países do mundo todo. Pelo menos 55 países já adotam a medida, incluindo os da União Europeia. O tributo será aplicado a qualquer multinacional com receita anual superior a € 750 milhões que tenha sede ou filial instalada no Brasil. A empresa terá de recolher o imposto mínimo global no Brasil caso sua alíquota efetiva de tributos pagos no país fique abaixo de 15%. Em geral, a alíquota dos impostos sobre o lucro no Brasil é de 34%, mas parte das empresas tem benefícios fiscais ou deduções da base de cálculo, por isso a alíquota efetiva paga é bem menor. Mudanças no JCP voltarão a ser propostas pelo governo, agora dentro da reforma da renda. Há duas alternativas na mesa: propor a revogação do JCP ou a restrição do modelo para algo semelhante ao adotado na Europa, chamado de ACE (Allowance for Corporate Equity). A decisão dependerá de qual será a alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). O governo trabalha com uma alíquota de referência de 15% sobre os dividendos, igual à aprovada pela Câmara em 2021, que acabou não prosperando no Senado. Também deve ser proposta uma redução da alíquota corporativa, composta pelo IRPJ e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Desta vez, querem que a contribuição seja horizontal, não mais excluindo quem fatura até R$ 4,8 milhões/ano. Sobre o Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF), o reajuste da faixa de isenção da tabela do IR, deve acontecer, mas o valor ainda não está decidido. Lula prometeu isentar quem ganha até R$ 5 mil, mas nesse ano quem ganha 2 salários-mínimos irá pagar IR. Pode ser que o governo resolva criar novas faixas na tabela do IR ou majorar a alíquota máxima, hoje de 27,5%, para compensar.


22/01/2024

Governo anuncia R$ 300 bilhões em financiamento para lançar política industrial chamada: Nova Indústria Brasil

Os recursos serão geridos pelo BNDES, Finep e Embrapii, sendo disponibilizados por meio de linhas específicas, não reembolsáveis ou reembolsáveis, e por meio do mercado de capitais. Serão R$ 300 bilhões para financiamentos destinados à nova política industrial até 2026. Além dos R$ 106 bilhões anunciados na primeira reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), em julho de 2023, outros R$ 194 bilhões foram incorporados, provenientes de diferentes fontes de recursos redirecionados para dar suporte ao financiamento das prioridades do programa. Os recursos serão geridos pelo BNDES, Finep e Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). O montante será disponibilizado por meio de linhas específicas, não reembolsáveis ou reembolsáveis, e recursos por meio do mercado de capitais, em alinhamento aos objetivos e prioridades das missões para promover o que o governo vem chamando de "neoindustrialização nacional". Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, R$ 271 bilhões serão na modalidade reembolsável e R$ 21 bilhões de forma não reembolsável – além de R$ 8 bilhões em recursos por meio do mercado de capitais. Algumas dessas iniciativas já foram iniciadas, como o Programa Mais Inovação (R$ 66 bilhões), operado pelo BNDES e pela Finep, sendo R$ 40 bilhões em crédito a condições de Taxa Referencial (TR) +2%, modalidade que representa os menores juros aplicados para financiamento à inovação hoje no país. A Finep lançará, na reunião do CNDI, 11 chamadas públicas, no valor total de R$ 2,1 bilhões. São dez chamadas de fluxo contínuo para empresas e um edital voltado especificamente à Saúde em Institutos de Ciência e Tecnologia, com o objetivo de compartilhar com as empresas os custos e os riscos inerentes às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, que geram benefícios à sociedade. O plano tem metas e ações específicas a setores considerados prioritários, que são os seguintes: cadeias agroindustriais; saúde; bem-estar das pessoas nas cidades; transformação digital; bioeconomia, descarbonização e transição e segurança energéticas; e, defesa. A política também será voltada para compras governamentais para estimular o desenvolvimento de setores considerados estratégicos para a indústria brasileira, com regras de conteúdo nacional. Outra frente de atuação é a desburocratização para a melhoria do ambiente de negócios. São 41 projetos, sendo 17 a serem executados pelos próximos dois anos pelo CNDI. A política industrial repete fórmulas já usadas no passado e que não trouxeram efeitos positivos relevantes para a economia. O maior impacto hoje sobre a indústria viria, na realidade, de reformas estruturais como a Reforma Tributária aprovada no ano passado, que irá aumentar a competitividade da indústria brasileira. Como a reforma ainda levará 10 anos para ser implantada, essas políticas tendem a manter a indústria sobrevivendo com fortes subsídios.


18/01/2024

Em 2023, 840 mil inscritos no Bolsa Família foram retirados do programa

Em janeiro, cerca de 21,9 milhões de domicílios eram atendidos. Em dezembro, o número caiu para pouco mais de 21 milhões, queda de cerca de 840 mil. Renda e famílias de caráter unipessoal foram os principais motivos para o cancelamento. Para cada 1 milhão de pessoas que receberam indevidamente o Bolsa Família, isso significa uma despesa de R$ 8,4 bilhões anuais aos cofres públicos, segundo o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). 85% do cadastro foi regularizado em 2023, devendo ser finalizado agora em 2024. Além da revisão, houve redução do número de famílias à espera de seleção para o programa. A fila do Bolsa Família chegou a mais de 960 mil em meados de 2023 e caiu no fim do ano para 175 mil. A lei orçamentária prevê para 2024 cerca de R$ 168 bilhões para o programa, mesmo valor de 2023. No Bolsa Família de 2023, o governo fixou benefício mínimo de R$ 600 e adicionais para crianças, gestantes e nutrizes. Também foi adotado um valor mínimo de R$ 142 per capita. Existe o valor de R$ 600, mas também um mínimo de R$ 142 per capita. Uma família de 6 pessoas recebe 6 vezes R$ 142, que dá R$ 852. O patamar de saída do programa é meio salário-mínimo, de forma automática. Em 2023 era R$ 660 e em 2024 passou a ser R$ 704. Cruzando os dados do MDS com os do Caged, observa-se que o saldo de empregos de pessoas cadastradas no Bolsa Família entre janeiro e novembro ficou em 1,3 milhão, equivalente a 71% do total de postos abertos. No mesmo período em 2022, quando o saldo total foi maior, essa proporção era de 50%. Quando considerados outros benefícios do Cadastro Único, o percentual em 2023 chega a 90%. Na nova regra, quando o beneficiário consegue emprego e a renda da família per capita mensal chega a meio salário-mínimo, a família passa a receber 50% do valor do benefício por até dois anos. O governo não irá dar 13º no Bolsa Família e irá tentar implementar medidas que possam incentivar a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho. Até o momento, não tem tido sucesso, mas tem influenciado muito a Taxa de Desemprego medida pelo IBGE, com níveis artificialmente mais baixos, por falta de procura.


17/01/2024

Massa de renda deve subir mais nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste nos próximos anos

Estudo da Tendências Consultoria indica que uma base menor do tamanho da massa da renda, o agronegócio, investimentos e ações do setor público explicam o crescimento maior nessas regiões. No período de 2023 a 2027, as projeções da consultoria são de expansão de 3,4% ao ano da massa de renda brasileira. As taxas devem ser 4,6% no Norte e 4,1% no Nordeste e no Centro-Oeste. Nas regiões Sul e Sudeste, o crescimento será de 3,0% e 3,1%, respectivamente. Para o período de 2028 a 2033, Norte (4,1%), Nordeste (4%) e Centro-Oeste (3,9%) também devem registrar avanço anual maior da massa de renda que no Sul (3%) e no Sudeste (3,3%) do país. O país como um todo terá uma média de crescimento de 3,4% no mesmo período. As regiões com expansão mais acelerada da massa de renda são beneficiadas pela base menor, que torna o crescimento mais fácil que em áreas já consolidados. Mas, cada uma delas também apresenta razões específicas para o movimento, principalmente das regiões Norte e Nordeste. No Nordeste, a perspectiva é de aumento de investimentos públicos e privados. O retorno do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tende a beneficiar a região, assim como a expansão da capacidade produtiva de diferentes setores, especialmente em petróleo e gás. Os programas sociais tiveram efeito forte até o momento, mas não devem subir muito nos próximos anos. Na região Norte, o impulso no crescimento vem da administração pública, com presença relevante no Produto Interno Bruto local, da concessão de rodovias e portos, e da maturação de investimentos na indústria extrativa de minério de ferro. O agronegócio também tem influência nessa região, com a expansão da fronteira agrícola. No Centro-Oeste, por sua vez, o agronegócio será a mola propulsora da economia, onde a fronteira agrícola se expande rapidamente e os ganhos com produtividade são os maiores no país. A redução de gargalos de escoamento vai estimular ainda mais a produção na região e os serviços voltados ao setor irão se expandir. A expansão dessas regiões tende a diminuir a desigualdade de renda em relação às regiões Sul e Sudeste, mas ainda num ritmo muito fraco porque a massa de renda também irá crescer nessas regiões, apesar de ser em menor velocidade e com uma base de comparação muito elevada.


16/01/2024

Em Davos, Pesquisa Global com CEOs aponta que o Brasil saiu do Top 10 dos mercados estratégicos para investimentos

Em um único ano, o Brasil recuou quatro posições no ranking de fontes estratégicas de crescimento para os CEOs globais, para a 14ª colocação. Em 2014, estava na quarta posição. A melhor posição do Brasil foi o terceiro lugar nas pesquisas de 2011, 2012 e 2013. Foram entrevistados mais de 4.700 líderes empresariais em 105 territórios e países, incluindo o Brasil, entre outubro e novembro de 2023 na 27ª Pesquisa Global com CEOs, organizada pela PwC. Na pesquisa, os líderes empresariais indicam três países ou territórios, excluindo aqueles onde residem, que consideram os mais importantes para as perspectivas de crescimento geral das suas organizações nos próximos 12 meses. A queda de posição do Brasil ocorre mesmo sendo considerado personagem importante na transição para uma economia verde e em áreas como produção de alimentos e transição energética, além de oportunidades nos realinhamentos de cadeias produtivas e investimentos em infraestrutura. Os cinco principais mercados para o crescimento de empresas continuam sendo EUA, China, Alemanha, Reino Unido e Índia, mas com redução em menções na passagem da pesquisa de 2023 para 2024. Segundo a PwC, os CEOs estão procurando uma menor concentração nesses players. Entre as pesquisas para 2023 e 2024, o Brasil como mercado relevante ganhou mais menções dos CEOs no Uruguai, Argentina, Chile e Venezuela, mas perdeu entre líderes empresariais de Portugal e Espanha. Isso mostra uma maior aproximação dos CEOs latinos com interesse no mercado brasileiro.


15/01/2024

O Programa Morar Bem do Governo de Pernambuco vai trazer impactos no PIB, Geração de Empregos e Arrecadação

O estudo que desenvolvi para a ADEMI-PE apontou um impacto relevante de 1,79% sobre o PIB anual, 59.393 empregos gerados de forma direta e indireta e uma arrecadação acima de R$ 300 milhões. O estudo leva em consideração os recursos que são disponibilizados do FGTS para o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Em 2022, por exemplo, o estado de Pernambuco utilizou somente 77% dos recursos que foram disponibilizados pelo FGTS. Essa subutilização tem mostrado como o programa MCMV não tem conseguido atingir seu público-alvo. Então, olhando a experiência desse tipo de programa do Morar Bem em outros estados e como pode repercutir na economia e no setor, foi estimada uma ampliação do número de imóveis financiados que, por si só, já tem um efeito multiplicador, onde os R$ 200 milhões financiariam a entrada de imóveis que teriam um valor de R$ 190 mil, dando um total de 9.316 unidades a mais por ano. Ao multiplicar esse quantitativo no Valor Geral de Vendas (VGV) desses imóveis na economia pernambucana, gera um efeito considerável sobre o PIB e sobre o emprego. O efeito é multiplicado, fazendo com que a economia cresça mais, com um incremento estimado de 1,79% no PIB em um ano e gerando 59.393 empregos diretos e indiretos na economia. O que significa dizer que o Programa Morar Bem vai impulsionar o setor de construção civil diretamente, mas como ele é muito interligado com todos os outros setores da economia, termina puxando esses outros setores que fornecem insumos e serviços para o setor de construção civil, não só na região metropolitana, mas em todo o estado. Adotando o impacto multiplicado do Programa Minha Casa Minha Vida no estudo, é possível apontar, com o auxílio da análise de insumo-produto, os setores mais puxados, como o comércio, as atividades imobiliárias, os serviços prestados às famílias; e, a própria construção civil dentro os setores mais impactados. O estudo aponta que o incremento no PIB será de R$ 1,67 bilhão, o que pode gerar um ICMS aproximado de mais de R$ 300 milhões, sendo um valor de retorno acima do valor inicial de investimento do Programa Morar Bem, de R$ 200 milhões. Isso acontece por conta do efeito multiplicador na economia e do impulso dado pelo VGV com o FGTS no MCMV. Além da estimativa de retorno do ICMS em cima do montante adicional de PIB da economia, há impostos federais que são recolhidos, também. Estes são repassados para o governo federal e retornam para o Estado e municípios através dos programas federais, o que pode incrementar ainda mais a disponibilização de recursos para o Estado.


15/01/2024

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


13/01/2024

A exportação de bens industrializados para os EUA bateu recorde em 2023, pelo segundo ano consecutivo

O déficit brasileiro com os EUA recuou 92% em 2023, com queda forte nas importações de combustíveis. Esse comércio entre Brasil e EUA fechou o ano 2023 com queda na receita de exportações e da corrente de comércio em relação a 2022. Mas os embarques de bens industriais somaram US$ 29,9 bilhões, o patamar mais alto em toda a série histórica das trocas bilaterais entre os dois países. A fatia de bens da indústria da transformação na pauta brasileira aos americanos subiu de 78,8% para 81% de 2022 para 2023. As exportações de bens industriais aos Estados Unidos cresceram 1,2% em 2023, enquanto os embarques totais brasileiros desse tipo de produto caíram 2,3%. Os EUA se mantêm como o maior destino das exportações brasileiras de bens da indústria de transformação, com uma fatia de 16,9%. O recorde de US$ 29,9bilhões nas exportações industriais brasileiras para os EUA reflete a forte presença desses produtos na pauta bilateral, com destaque para setores como o siderúrgico, aeronáutico, máquinas e equipamentos, madeira e celulose, entre outros. Esses dados foram elaborados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AMCHAM), com base na divulgação dos dados do MDIC. Nessa esteira, 8 dos10 principais produtos exportados pelo Brasil são da indústria de transformação, incluindo semiacabados de ferro e aço, aeronaves, equipamentos de engenharia civil e ferro-gusa. Os EUA são o principal mercado para as vendas industriais brasileiras, colocando-se à frente de parceiros como a União Europeia (US$23,6bilhões) e o Mercosul (US$19,4 bilhões). É importante entender o contexto macroeconômico e geopolítico dessa mudança. Primeiro, houve uma queda forte no preço dos combustíveis, o que ajudou o saldo comercial, mas também a política americana do near-shoring e do friendly-shoring, mudando a dinâmica existente no comércio com a China. Isso pode ser uma notícia positiva para o comércio exterior e indústrias brasileiras. Porém, é preciso ainda avançar muito em competitividade. A reforma tributária vem no sentido de ampliar essa competitividade, de ajudar as indústrias brasileiras, mas ainda vai levar tempo para que ela seja implantada. Além disso, uma maior abertura comercial e uma aproximação na política comercial brasileira com a política comercial americana ajudariam bastante. Talvez uma área livre de comércio viesse a ajudar tanto o Brasil como vem beneficiando o México nas últimas décadas.


11/01/2024

BNDES dobrou o crédito para a indústria em 2023, atingindo um pico desde 2014

As operações diretas aprovadas pelo banco somaram R$ 26,1 bilhões em 2023, acima dos R$ 12,9 bilhões de reais de 2022, mas ainda bem abaixo do pico de 2014, quando foi de R$ 48,1 bilhões. As operações que tiveram maior aporte de recursos em inovação industrial em 2023 foram das áreas de mobilidade e transporte com R$ 1,5 bilhão, seguido por tecnologia da informação e telecomunicações com R$ 957 milhões, e em terceiro, saúde, com R$ 623 milhões. O BNDES liberou esse volume em 2023 retomando a política que o governo atual defende de utilizar bancos oficiais como financiadores de setores considerados estratégicos com recursos, em geral, subsidiados. O banco é um ator-chave na política da chamada neoindustrialização, que é prioridade do governo. Essas operações incluem projetos de expansão produtiva, de economia verde, de exportação e inovação. A retomada é importante para o setor, mas traz algumas preocupações, porque todo aumento do crédito direcionado tem um custo, porque o setor beneficiado não sente os efeitos mais gerais da variação dos juros, e a política monetária termina perdendo a eficácia porque você tem esse crédito direcionado. A qualidade da distribuição dos recursos também é um ponto importante. Priorizar o desembolso a qualquer custo com uma retomada preocupante da política de campeões que não funcionou lá atrás e subsídios altos às taxas de juros também preocupam. Isso precisa ser bem trabalhado para que não se repitam erros que aconteceram no passado. Além do papel do banco de prover linhas de longo prazo, atenuar falhas de mercado e ter uma atuação anticíclica em crises é importante para o papel de um banco de desenvolvimento econômico social. O setor de inovação no BNDES é o único com taxas mais baixas que utiliza a TR, a Taxa Referencial, com um custo mais acessível.