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22/09/2022

Resultado do COPOM mudou a trajetória dos juros brasileiros

Ainda assim, os juros reais são os maiores no mundo, quando descontados a inflação, seja ela dos últimos 12 meses ou a prevista para os próximos 12 meses. Por quanto tempo isso irá durar? Vai depender do IPCA, entenda. Ao levar em consideração a inflação projetada para os próximos 12 meses, no caso brasileiro em 4,99%, os juros reais atingem o patamar de 8,22%, deixando o Brasil no topo da lista, acima de México, Colômbia e Chile aqui na América Latina, que apresentam juros positivos. Ao comparar com os EUA (-1,32%) e países da Zona do Euro, que até pouco tempo atrás praticavam juros nominais (antes de descontar a inflação) negativos, percebe-se que nesses países os juros reais estão negativos, por conta da inflação futura que eles já começam a sentir agora. Uma outra metodologia de comparação é usando a taxa nominal descontada da inflação dos últimos 12 meses. Nesse caso, a taxa de juros reais cai para 5%, mas também no topo de uma lista de países importantes na economia mundial, seguido por China, Hong Kong e Arábia Saudita. O que isso tudo quer dizer e por quanto tempo vai durar? Isso significa que os investidores internacionais continuam tendo ganhos reais ao investir, com segurança, em títulos brasileiros, pois remuneram acima da inflação. Além disso, o Real não sofre pressão de desvalorização. Por outro lado, mostra que a ferramenta usada pelo Banco Central para combater a inflação é correta, mas trará uma forte desaceleração na economia em 2023, se a taxa se mantiver elevada, com uma inflação em queda. Como o COPOM manteve os juros, pode ser que caiam em breve.


21/09/2022

Dia de super quarta nos juros traz elevação de 75 pontos percentuais nos EUA e manutenção dos juros no Brasil

As decisões dos 2 comitês de política monetária mostram situações diferentes nos 2 países: o Brasil atingiu seu objetivo e os EUA ainda correm atrás do prejuízo. Como a inflação no Brasil cedeu nos últimos meses, o COPOM decidiu, depois de 12 elevações seguidas nos juros de 2% para 13,75%, encerrar o ciclo contracionista da economia para conter a inflação. De fato, nos próximos meses, tanto IGPM quanto IPCA tendem a diminuir o seu ritmo. Lá nos EUA, também não houve novidades. Na realidade, havia uma expectativa, com menor probabilidade, que o FED fosse mais agressivo e elevação a taxa de juros em 1 ponto percentual. Mas o CPI (equivalente ao IPCA) cedeu nas últimas observações, tirando essa elevação de cena. O FED elevou juros em 0,75 pontos percentuais para uma faixa entre 3% e 3,25%, maior taxa desde o início de 2008. A sinalização do Fomc é de continuar com elevações fortes até o fim do ano, devendo fechar em 4,25%, para combater a maior inflação dos últimos 40 anos. Hoje o Brasil tem a maior taxa de juros real do mundo, 5%, calculada após descontar a inflação dos juros nominais da SELIC. Esse patamar tem segurado o câmbio, que em ano eleitoral sobe devido às incertezas e freia a economia severamente, pois financiamentos ficam mais caros. É importante acompanhar o posicionamento dos comitês de política monetária do Brasil (COPOM) e dos EUA (FOMC) nas divulgações de relatórios e discursos nos próximos meses, pois o Brasil deve começar a trajetória de redução de juros e os EUA intensificar o aperto monetário.


20/09/2022

PIX Global está em desenvolvimento pelo Banco Central dos Bancos Centrais

O Nexus promete ser usado para transações instantâneas de transferência de recursos entre diferentes países com diferentes moedas, fazendo o câmbio de forma imediata. Entenda melhor como vai funcionar. O projeto em desenvolvimento pelo centro de inovação do Banco de Compensações Internacionais (BIS) tem pela frente uma série de desafios e inovações tecnológicas e jurídicas para resolver com o objetivo de tornar as transações mais rápidas entre pessoas no mundo todo. Hoje, cerca de 60 países desenvolveram sistemas de pagamentos instantâneos que estão em operação, entre eles o Brasil com o PIX. A ideia em torno do Nexus é de conectar em uma única plataforma todos eles, facilitando e agilizando as transferências internacionais. Estão envolvidos nesse estudo, o Banco Central Europeu e os bancos centrais da Itália, Malásia e Cingapura. A ideia inicial em desenvolvimento é usar os telefones celulares como destinatário nas pontes de conexão entre usuário e internet para as transações instantâneas. Mas a dificuldade hoje é que a maioria dos sistemas domésticos foi construída com uma moeda única e sistemas de comunicação por mensagens diferentes, travando a comunicação no caso de transações envolvendo países diferentes. O desafio é desenvolver um sistema comum a todos. Mas, além disso, há questões econômicas, políticas e legais que precisam ser tratadas para que a jurisdição sobre segurança de dados e conversões de câmbio, por exemplo, sejam resolvidas. Além disso, os sistemas terão que estar sempre disponíveis, como funciona hoje o PIX. Outras questões importantes são o limite do valor das transações a serem especificadas e o custo das transações, pois o PIX é gratuito para pessoa física, mas o câmbio tem custo para os bancos. Um teste piloto está rodando. Se der certo, talvez já comece a funcionar em 2023.


19/09/2022

IPCA pode ficar abaixo de 6% em 2022?

O Boletim FOCUS dessa semana apresentou nova redução na previsão de inflação desse ano, com IPCA caindo de 6,40% para 6,00%. A expectativa de inflação indica que 2023 também terá um impacto menor, tendo redução para 5,01% e 3,50% em 2024. Essa nova previsão de inflação é fortemente influenciada pela contínua redução no preço dos combustíveis. Nesses últimos meses, várias reduções foram anunciadas, na gasolina e no diesel. Este último teve nova redução essa semana, que irá impactar diversos componentes do IPCA. No acumulado do ano, o Brasil agora tem a 6ª inflação mais baixa dentre os países do G20, principalmente aqueles que estão sofrendo os severos impactos econômicos oriundos da invasão russa à Ucrânia, na União Europeia, mas também os EUA. Na América Latina é a taxa mais baixa. Mas os preços dos alimentos, que são uma grande preocupação, principalmente para os mais pobres, agora têm começado a ceder. No mês de agosto o leite apresentou deflação, junto com as carnes. Mas o caminho é ainda muito longo, pois o aumento recente foi bem maior que o IPCA. A invasão russa à Ucrânia, logo após um turbulento período causado pela pandemia, colaborou intensamente para que os preços das commodities agrícolas fossem pressionadas para cima ao longo desse ano. Esse é um problema mundial, que será corrigido, mas levará tempo.


19/09/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


16/09/2022

O Brasil pode atrair até US$ 2 trilhões em investimentos até 2050 para se tornar carbono-neutro

A maior parte dos investimentos serão em transportes, indústrias, agricultura, florestas e energia. Esse valor representa o dobro do investimento privado atual nos próximos 30 anos. O levantamento feito pelo Boston Consulting Group (BCG) indica que o pico do investimento anual será entre 2030 e 2035. Entre 2016 e 2020, o Brasil investiu US$ 260 bilhões por ano no total. O total com esse tipo de investimentos subiria para US$ 480 bilhões, quase o dobro. De acordo com o BCG, o mundo deve investir de US$ 100 trilhões a US$ 150 trilhões para se descarbonizar em 3 décadas, o que significaria de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões por ano até 2050. O Brasil tem um caminho diferente, pois já atingiu uma parte dessa meta. O país já tem 85% de sua matriz energética de fontes renováveis, ainda uma meta para muitas nações do G20 até 2030-2040, enquanto o mundo todo não tem nem um terço (26%). O Brasil tem potencial no mercado de crédito de carbono, na agricultura sustentável e na indústria verde. Um cenário prospectivo para o Brasil em 2030 envolve o protagonismo do país, que já é realidade, em energia eólica e solar, com potencial de US$ 10 bilhões de investimentos por ano, posição competitiva na produção de hidrogênio verde e eliminação total do desmatamento ilegal. A região Nordeste tem se destacado nos últimos anos como atrativa para os investimentos em geração de energia alternativa, batendo recordes recorrentes na produção de energia elétrica a partir de eólicas e painéis solares nos últimos anos, ultrapassando Itaipu, por exemplo. Nos próximos anos, o hidrogênio verde vai ser outro grande destaque, com suas inúmeras aplicações dentro do país e atendendo demandas da União Europeia em substituição aos combustíveis fósseis e o fornecimento russo. Com isso, mais investimentos bilionários estão por vir.


15/09/2022

Prévia do PIB dispara 1,17% em julho e supera expectativas

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), subiu 1,17% na passagem de junho para julho, acima da expectativa de crescimento de 0,6%, mostrando que a economia está aquecida no 3º trimestre. O IBC-Br representa uma prévia do PIB, que é divulgado a cada trimestre pelo IBGE, mas funciona como um importante termômetro para indicar para onde a economia está indo, pois usa as mesmas fontes de dados do IBGE, só que com uma periodicidade mensal. No acumulado do ano até julho, o IBC-Br teve um crescimento de 2,52%. O PIB divulgado pelo IBGE, por sua vez, apresenta um crescimento de 2,5% no primeiro semestre. Ou seja, outras revisões do IBC-Br podem acontecer, pois o de junho foi revisado de 0,69% para 0,93%. A expansão de julho ficou igual à registrada em março e foi a maior desde fevereiro de 2021, de 1,89%. Ao analisar a média móvel trimestral, o IBC-Br teve alta de 0,89% no trimestre encerrado em julho, mostrando que não houve desaceleração em relação ao encerrado em junho. Por conta disso, o Ministério da Economia revisou hoje o crescimento da economia para 2,7%, do patamar anterior de 2,0%. Essa revisão também foi influenciada pelo resultado do setor de serviços do mês de julho, que registrou crescimento de 1,1% e que representa 70% do PIB. Certamente novas revisões deverão acontecer, pois o PIB cresceu 2,5% somente no 1º semestre. Ou seja, para crescer 2,7%, teria que apresentar um desempenho muito fraco no 2º semestre quando, historicamente, é um semestre mais forte por conta do consumo de final de ano.


14/09/2022

Brasil fica em 4º lugar no ranking global de investimento da OCDE

A posição de 2021 apresentou uma recuperação em relação a 2020, quando o Brasil caiu para a 7ª posição, influenciado fortemente pela crise econômica gerada na pandemia. O valor parcial de 2022 mantém a posição. O Brasil ficou atrás apenas de China, EUA e Austrália. Em 5º lugar vem o México. O levantamento da OCDE não leva em consideração Hong Kong ou Cingapura, diferente do FMI, pois os recursos que entram lá são direcionados para outros lugares, principalmente a China. O Brasil ficou no 4º lugar em 2021 com saldo de US$ 50 bilhões. O valor é inferior aos US$ 65 bilhões de 2019, mas superior aos US$ 28 bilhões de 2020. A pandemia derrubou os investimentos no mundo. O país ficou em 7º em 2020. A melhor posição foi em 2011, quando ficou em 3º. O saldo de investimentos externos recebidos pelo Brasil em 2021 foi o maior como proporção do PIB consideradas as 15 maiores economias do ranking do Banco Mundial. A proporção do Brasil foi 3,15%. O Canadá ficou em 2º lugar, com 3,03%. EUA e China ficaram com 1,76% e 1,89%. Os investimentos estrangeiros estão voltando para as máximas históricas no Brasil mesmo com a proximidade das eleições. O Brasil como exportador de petróleo e outras commodities será beneficiado nos próximos anos, ajudando no crescimento econômico e atração de investimentos. A posição do Brasil nesse ranking global é mais um sinal de recuperação estrutural da economia brasileira. As preocupações com a inflação, que está cedendo, e com os impasses fiscais são relevantes, mas a leitura do quadro mais amplo indica perspectivas positivas no futuro.


13/09/2022

Ranking de competitividade dos Estados e Municípios de 2022 revela que Pernambuco manteve a mesma posição de 2021 e que Recife se manteve como o melhor no Nordeste, mas caiu 27 posições para a 87ª posição no ranking nacional

Entenda melhor os parâmetros e resultados. Pernambuco teve melhora em 5 pilares no índice: Eficiência da Máquina Pública; Potencial de Mercado; Capital Humano; Solidez Fiscal; e, Segurança Pública. Apesar disso, piorou em 4 indicadores: Sustentabilidade Social; Infraestrutura; Educação; e, Sustentabilidade Ambiental. Recife permanece com o melhor desempenho do NE, ocupando, porém, agora a 82ª colocação no ranking geral (queda de 27 posições). É o único do NE entre os 100 municípios mais competitivos no Brasil. Em seguida, Fortaleza vem na 125ª colocação e João Pessoa é o 142º. Outros destaques positivos foram os municípios de Caruaru (189ª posição geral e 7ª no NE), que se encontra à frente de Salvador e Natal. Petrolina aparece em 12º no NE e 227º no ranking nacional, acima de Maceió. Ambos os municípios apresentaram queda no ranking geral, porém. O ranking apresenta uma grande disparidade entre os municípios. Dentre os 100 mais bem posicionados no Brasil, 95 deles se encontram nas regiões Sul e Sudeste. E essa disparidade só se agravou com a pandemia, segundo o Centro de Liderança Pública (CLP) que organiza o ranking. Através de uma iniciativa do Comitê de Competitividade e Desburocratização, desenvolvi uma parceria entre o LIDE Pernambuco e o CLP para poder trazer o conhecimento e a experiência do CLP para ajudar os municípios e estado a melhorar seu posicionamento no futuro.


12/09/2022

Produção de grãos atinge recorde na safra 2021/22 e chega a 271,2 milhões de toneladas

Houve acréscimo de quase 14,5 milhões de toneladas (5,6%), quando comparada ao ciclo anterior. O mais impressionante: a área plantada avançou somente 0,7% para 74,3 milhões de hectares. A Conab divulgou que embora tenha passado por adversidades climáticas em algumas regiões produtoras, como na região Sul, esta é a maior colheita já registrada dentro da série histórica. Este é um resultado importante em momento de pressão mundial sobre os preços dos alimentos. A soja teve o desenvolvimento marcado pelas altas temperaturas em importantes regiões produtoras, como as lavouras do Paraná, Santa Catarina e em parte do Mato Grosso do Sul. Essa condição climática trouxe impacto severo nas produtividades, influenciando na queda da produção. O milho teve uma recuperação na produção total com uma colheita estimada em 113,2 milhões de toneladas, incremento de 30%. O algodão teve a produtividade afetada por estresse hídrico, enquanto a qualidade da pluma, com produção de 2,55 milhões de toneladas, melhorou. O sorgo, impulsionado pelos preços do milho, registrou produção recorde de 2,85 milhões de toneladas, crescimento de 36,9%. Os produtores de feijão enfrentaram problemas climáticos nas 3 safras no ano. Ainda assim, a produção de 3 milhões de toneladas abastecerá o país. O arroz, terá volume de colheita de 10,8 milhões de toneladas, apresentando diminuição em relação a 2020/21, em razão de menor destinação de área para o plantio, bem como pela redução na produtividade média nacional, mas a produção atenderá à demanda do mercado interno. Em relação às exportações, foi elevada a projeção de exportação da soja, com expectativa de atingir um volume de 77,19 milhões de toneladas. No acumulado do ano já foram exportadas 66,6 milhões de toneladas. Algodão e milho diminuirão as exportações por questões climáticas. O mais impressionante é que o Brasil se colocou como o principal player mundial agrícola, aumentando a produtividade, que leva a uma maior produção sem ampliar a área cultivada, pois expandiu somente 0,7% nessa safra. É como ouvi: o Brasil é a Arábia Saudita do agronegócio!