PodCasts

13/07/2022

Qual inflação vai terminar o ano mais alta, Brasil ou EUA?

Com a divulgação do CPI de junho em 1,3%, a inflação acumulada em 12 meses chegou ao patamar de 9,1%, a maior desde novembro de 1981, e pode encerrar o ano acima do IPCA no Brasil, que subiu 0,6% em junho. O Consumer Price Index (CPI) é equivalente ao IPCA aqui no Brasil. No mês de junho subiu 1,3% após uma elevação de 1% em maio. Os índices de gasolina, habitação e alimentação são os principais responsáveis pela forte elevação e o resultado ficou acima das expectativas. No acumulado de 12 meses, passou de 8,6% para 9,1%, representando a maior inflação em mais de 40 anos. O índice de energia é o principal responsável, com elevação de 41,6%. O índice de alimentos subiu 10,4%. Ambos têm as maiores altas desde 1980. Enquanto isso, aqui no Brasil, o IPCA subiu somente 0,6% em junho e tudo indica que deve ter deflação no mês de julho, pois os combustíveis caíram de preço com a limitação do ICMS e a energia elétrica também teve redução aprovada pela ANEEL, desacelerando a inflação. A previsão dessa semana do Boletim FOCUS, que voltou depois de longo período em greve dos funcionários do Banco Central, é que o IPCA encerre 2022 em 7,67%, diminuindo do atual nível de 11,89%. Os próximos meses serão decisivos para que isso ocorra, impactada pelos combustíveis. Os dois contextos são tão diferentes, que devem impactar nas próximas decisões sobre juros nos EUA e no Brasil. Nos EUA, o FED deve adotar um tom ainda mais agressivo de elevação e aqui no Brasil, talvez tenhamos chegado ao fim do ciclo de elevações da SELIC, em 13,25%.


12/07/2022

Vai ter (Euro)Disney?

Pela primeira vez, desde 2002, o Euro alcança paridade com o Dólar. Por muitos anos, o Euro sempre teve uma valorização, em média, de 20% sobre o Dólar, mas acontecimentos recentes econômicos e geopolíticos fizeram o Euro se desvalorizar. Entenda melhor. A inflação vem fazendo com que os Bancos Centrais elevem suas taxas de juros para combater esse mal temporário causado pelos excessos de estímulos financeiros usados para combater os impactos econômicos da pandemia. O Brasil foi um que se antecipou, de forma inteligente. Os EUA resolveram também elevar as taxas de juros de maneira mais contundente e assim o fizeram, mas somente recentemente. Essa elevação atraiu recursos dos investidores internacionais para o país, valorizando o Dólar em relação a diversas moedas, inclusive o Real e o Euro. A situação na Zona do Euro é mais complexa. Com a invasão russa à Ucrânia, as sanções econômicas ajudaram a potencializar o efeito econômico negativo da inflação e uma perspectiva de recessão econômica tem se espalhado por lá. Como o Banco Central Europeu (BCE) irá se comportar? Para combater a inflação, em um dos mais altos níveis históricos, o BCE precisa elevar os juros da economia, mas se fizer isso, vai alimentar ainda mais a recessão, pois os projetos de investimentos e o consumo vão ficar mais caros. O efeito imediato é a desvalorização do Euro. A situação deve piorar. O FED aumentará as taxas de juros na próxima reunião nos dias 26 e 27 de julho e os países desenvolvidos não têm condições de acompanhar. Isso deve desvalorizar ainda mais o Euro e retroalimentar a inflação de lá, via aumentos de preços de importados.


11/07/2022

Setor de serviços é o principal responsável pela retomada nas contratações de mão de obra formal no país nos últimos 12 meses

O setor foi o mais atingido pela pandemia e é o que mais gera empregos formais e informais. Entenda o que está por trás e as profissões mais demandadas. O processo de reabertura da economia e retomada das atividades de caráter mais presencial ajudou na rápida redução da taxa de desemprego no país. No último levantamento da PNAD Contínua do IBGE, a taxa de desemprego ficou em 9,8% em maio, puxada pelo setor de serviços. O setor de serviços foi o último a reagir e é o que está impulsionando o mercado de trabalho. As empresas, reabrindo, passam a demandar mais serviços como os de faxineiros, assistentes administrativos, serventes, atendentes de lanchonete, de fácil contratação e disponibilidade. Ocupações associadas a segmentos que ainda não recuperaram o patamar de atividade pré-pandemia ou cuja demanda aumentou em razão da reconfiguração da economia, com o avanço do trabalho híbrido e do comércio eletrônico, foram as que mais cresceram em demanda, percentualmente. A criação de vagas tem sido puxada por cargos de baixa remuneração e que demandam pouca qualificação. Por um lado, é bom, pois a maioria dos desempregados apresenta baixa qualificação e pode ser realocada de uma área de atuação para outra, diminuindo o desemprego mais rápido. Por outro lado, a demanda por empregos mais específicos, que gera aumento de produtividade, crescimento da empresa, com caráter de investimento em capital humano, ainda está baixa. Isso preocupa, pois os mercados irão atingir um teto de contratações e com remuneração baixa. Para o segundo semestre, a velocidade de contratações vai continuar sendo determinada pelo ritmo de recuperação do setor de serviços e pela indústria, devido à sazonalidade do setor no fim de ano, quando a produção aumenta para atender a demanda do final de ano.


10/07/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


08/07/2022

IPCA indica que inflação ainda está pressionada, mas o Boletim FOCUS aponta para inflação fechando o ano em 7,96%. Quem está certo?

O IPCA de junho mostrou que a inflação ainda não cedeu e veio no seu maior patamar desde 2018, deixando o acumulado em 12 meses em 11,89%. No mesmo dia em que o IBGE divulgou o IPCA de junho, apontando que a pressão inflacionária ainda resiste, efeito da difusão causada pelos combustíveis e outros itens, o Banco Central divulgou o Boletim Focus com previsão de inflação em 7,96% no final do ano, um contrassenso. Alimentação fora de casa, serviços prestados, vestuário, saúde e cuidados pessoais foram os principais responsáveis pela elevação e estão repassando o aumento de custos que vivenciaram recentemente e que não tinha espaço para acontecer por conta do fraco desempenho. Considerando apenas o setor de serviços, acompanhado pelo IBGE e ainda em recuperação, o IPCA acelerou de 0,85% em maio para 0,90% em junho. Com isso, o indicador acumulado em 12 meses chegou a 8,73%, índice mais alto registrado desde janeiro de 2015, quando ficou em 8,75%. Mas a expectativa é que a inflação realmente ceda nos próximos meses e fique abaixo dos 8% no final do ano. Nos próximos meses a base de comparação será muito forte. Com a redução do preço dos combustíveis, telefonia e energia elétrica, o impacto será significativo no indicador.


07/07/2022

Você sabe o que é a reduflação?

Como meio de evitar um reajuste grande no preço dos produtos, grandes indústrias reduzem a quantidade nas embalagens e/ou mudam a qualidade dos produtos. Nesse período recente de forte inflação, as mudanças têm aumentado. Importante ficar ligado! A prática não é nova e nem é considerada abusiva, mas com a alta inflação que o país vem passando, tem se tornado cada vez mais frequente nas diversas indústrias brasileiras. Dessa forma, a quantidade de itens, o peso, a qualidade dos produtos são reduzidos, sem alterar o preço. O IPCA de junho vai ser divulgado na sexta-feira e deve ficar próximo de 12% no acumulado de 12 meses, o que mostra a deterioração do poder de compra da população. Segundo a ONU, mais de 71 milhões de pessoas foram empurradas à pobreza no mundo com a inflação. O fenômeno é conhecido internacionalmente pelo nome de shrinkflation e vem da junção entre redução e inflação. É uma prática das indústrias para manter o preço inalterado, pois com a inflação em alta, muitos consumidores deixam de escolher marcas com qualidade e visam o preço. Para que o consumidor não seja lesionado, o fabricante deve manter uma informação em negrito e em local destacado que houve alteração no produto e a quantidade antes e depois da alteração por 6 meses a partir da mudança, segundo orientações do Código de Defesa do Consumidor. Segundo as indústrias, os novos modelos de famílias, com menos pessoas convivendo no mesmo ambiente, são uma razão para isso, bem como a manutenção do poder de compra dos consumidores. Assim, o consumidor ainda consegue comprar o produto preferido, mesmo em quantidades menores. Antes, essa prática era conhecida como maquiagem de produtos e os consumidores desapercebidos e fiéis daquela marca realizavam a compra daquele produto sem perceber a diminuição. É ainda mais importante pesquisar bem antes de fazer as compras. Você passou por isso recentemente?


06/07/2022

O mercado de câmbio virou. Até onde vai o Dólar no 2º semestre?

Risco de recessão, eleições, arrefecimento do preço das commodities, juros nos EUA subindo e gastos no Brasil em alta. Essas são forças atuais que se contrapõem ao aumento da SELIC, derrubando o valor do Real. Para os economistas é difícil comentar sobre o câmbio e para que direção ele tenderá a seguir. Em geral, quando as pessoas descobrem eu sou um economista, perguntam logo qual será a cotação do Dólar no final do ano. E é muito difícil prever, pois são muitas variáveis envolvidas. O início de ano foi bastante positivo para o Real, que chegou a ter uma cotação próxima de R$ 4,60 em relação ao Dólar, por conta dos preços das commodities estarem aquecidos, do mercado ter virado os olhos para o Brasil com a invasão russa à Ucrânia e do aumento da SELIC. O cenário mudou. O FED finalmente decidiu que a inflação não é transitória e resolveu aumentar os juros para combatê-la. Com isso, os títulos americanos ficaram mais convidativos, atraindo investidores internacionais. O risco de recessão aumentou com essa medida contracionista. O risco de recessão empurrou investidores para mercados mais seguros e antecipou a queda nos preços das commodities, principalmente minerais, como minério de ferro, e o próprio petróleo, impactando nos preços das ações de empresas exportadoras brasileiras e na balança comercial. Aliado a essas forças, é importante lembrar que estamos a menos de 90 dias das eleições presidenciais e o ambiente de incertezas subiu consideravelmente, pressionando o câmbio, como ocorre em todas as eleições presidenciais, pois não se sabe o rumo da economia em 2023. Na última semana, as moedas dos países em desenvolvimento tiveram desvalorização em relação ao Dólar, mas aqui no Brasil o impacto tem sido maior devido ao aumento de gastos projetados até dezembro, que pode contribuir para manter a inflação em um patamar alto, fator negativo. É esperado que o fator político exerça a maior das forças nos próximos meses, pois a incerteza é a pior inimiga do Real. Talvez, um posicionamento mais alinhado com o mercado por parte do candidato da oposição, que está na frente das pesquisas, pudesse ajudar a amenizar.


05/07/2022

Produção industrial tem 4ª alta seguida e previsão do PIB para 2022 foi revisado

O setor registrou um crescimento de 0,3% em maio e vem se recuperando de maneira desigual. Alguns setores estão bem acima do nível pré-pandemia, enquanto outros ainda sofrem. A retomada da indústria tem sido difícil, pois a inflação tem diminuído o poder de compra da população e as dificuldades logísticas têm deixado alguns setores, principalmente aqueles que dependem de insumos com alto teor de tecnologia, sem condições de atender a demanda. Além disso, a indústria foi um dos setores que mais rapidamente se recuperou após os estímulos fiscais que foram usados na economia, como o Auxílio Emergencial, mas depois perdeu fôlego, já que a inflação tirou poder de compra e os produtos industrializados subiram muito. Móveis, artigos do vestuário, veículos automotores e perfumaria estão ainda muito abaixo do patamar pré-pandemia. Na outra ponta, máquinas e equipamentos, coque e outros derivados do petróleo e produtos de madeira se encontram bem acima, repercutindo diferentes momentos. O resultado traz, de todo jeito, mais um resultado positivo para a expectativa de crescimento do PIB brasileiro para o 2º trimestre. Outros indicadores têm ajudado nesse sentido e a XP Investimentos mudou sua previsão de crescimento da economia de 1,6% para 2,2%.


04/07/2022

O Brasil desperdiça 40% do talento de suas crianças e serão necessários 60 anos para atingir o nível de capital humano dos países desenvolvidos

O Banco Mundial divulgou o Índice de Capital Humano e a situação é pior ao comparar regiões, raças e gênero das crianças brasileiras. Uma criança nascida no Brasil em 2019 deve alcançar, na média, apenas 60% do seu capital humano potencial quando atingir 18 anos. Ou seja, 40% do seu potencial é deixado de lado, retardando e muito a diminuição do atraso no desenvolvimento em relação aos países desenvolvidos. O PIB brasileiro poderia ser 2,5 vezes maior se as crianças brasileiras desenvolvessem suas habilidades ao máximo. Quanto mais cedo o investimento em educação, maior o retorno, chegando a 7 vezes o valor investido, segundo o ganhador do prêmio Nobel, James Heckman. O capital humano é o acumulado de conhecimentos e habilidades que o indivíduo adquire ao longo da sua vida. Essas habilidades determinam quais oportunidades de trabalho e renda se mostrarão disponíveis à pessoa e impactam a produtividade e a capacidade de gerar riqueza do país. O Banco Mundial desenvolveu o ICH – Índice de Capital Humano baseado em 3 indicadores: taxas de mortalidade e déficit de crescimento infantil; anos esperados de escolaridade e resultados de aprendizagem; e taxa de sobrevivência dos adultos. O índice vai de 0 a 1. O Brasil tem um ICH de 0,60. O país está abaixo de países desenvolvidos como Japão (0,81) e Estados Unidos (0,70) e de pares como Chile (0,65) e México (0,61), mas acima de outros países em desenvolvimento mais pobres como Índia (0,49), África do Sul (0,43) e Angola (0,36). Mas a disparidade dentro do país é ainda pior. Por regiões, o ICH do N e do NE é de 56,2% e 57,3%, enquanto para S, CO e SE variava de 61,6% a 62,2%. A desigualdade também acontece dentro dos estados e entre raças e gênero, mesmo tendo melhorado ao longo do tempo.


03/07/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.