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01/07/2022

É o fim do Teto de Gastos?

A aprovação da PEC dos Combustíveis se mostrou como um abandono antecipado da política de Teto de Gastos adotada em 2016 e aumenta a percepção de risco fiscal do país. Desde 2014 que o Brasil tem repetidos déficits fiscais e 2023 pode ser ainda pior. No dia em que o Brasil completa 28 anos do Plano Real, um dos seus tripés, o superávit primário, mais uma vez está ameaçado. A aprovação da PEC dos Combustíveis libera R$ 41,2 Bilhões em medidas de auxílio à população, além do Teto de Gastos, e mostra descontrole fiscal. A PEC considera que o país está passando por uma situação emergencial causada pela invasão russa à Ucrânia, que jogou ainda mais gasolina na inflação que já vinha subindo com a desorganização das cadeias produtivas com a pandemia. Ela é responsável por diversas medidas sociais. O problema é que os arranjos políticos para criar formas de aumentar os gastos trazem mais percepção ao mercado da falta de compromisso do governo com a política de equilíbrio fiscal no país. Isso leva, invariavelmente, a juros futuros mais altos e desvalorização da moeda. O desafio de manter a credibilidade internacional é posto em xeque, pois déficits recorrentes significam maior endividamento. Uma dívida maior e um crescimento baixo, como visto no país nos últimos anos, levam a uma perspectiva maior de descumprimento do pagamento da sua dívida. Mesmo as contas do país registrando uma arrecadação recorde até o momento, não há certezas de que o segundo semestre será de manutenção de crescimento econômico, que mantenha a arrecadação. A pressão fiscal para 2023 será ainda maior, bem como a inflação gerada pelos gastos. É importante desenvolver políticas sociais para diminuir a condição de pobreza que se agravou com a pandemia, principalmente na região Nordeste, mas contrapartidas fiscais precisam ser pensadas, como a Reforma Administrativa e outras diminuições de gastos, que não acontecem.


30/06/2022

Mercado de trabalho atinge recorde de população ocupada com 97,5 milhões e taxa de desemprego cai para 9,8%, a menor desde 2016

É a primeira vez em mais de 6 anos que o desemprego fica abaixo dos 2 dígitos. Em relação a 2021, são 4,6 milhões desocupadas a menos, queda de 30,2%. O desempenho do setor de serviços foi o grande destaque desse período, com forte recuperação por conta do avanço da vacinação e liberação das prestações de serviços presenciais. Com isso, a geração de empregos informais também avançou, apesar que a taxa de informalidade caiu. O rendimento real dos trabalhadores mostrou recuperação, mas ainda se encontra abaixo do nível pré-pandemia. É importante entender que o rendimento real subiu para o seu nível recorde em 2020, quando a pandemia causou deflação na economia e agora caiu por conta da alta inflação. Enquanto a economia seguir se recuperando com o setor de serviços em destaque, e com os efeitos da Reforma Trabalhista facilitando as contratações, é possível que a trajetória de recuperação dos empregos continue já que os empregos formais também têm se destacado.


29/06/2022

96 das 100 cidades com maior impacto do Auxílio Brasil ficam no Nordeste

O impacto do Auxílio Brasil nos municípios brasileiros chega a 34% do PIB. Esses são alguns resultados do estudo que desenvolvi usando os dados divulgados pelo Ministério da Cidadania e do IBGE. No município de Serrano do Maranhão, o impacto chega próximo dos 34%. Dos 10 municípios com maior impacto, 7 estão no Maranhão. o Auxílio Brasil equivale a 10% ou mais do PIB para 648 cidades brasileiras – 597 delas no Nordeste. O menor impacto fica naqueles da região Sul. Nos estados, os maiores impactos são no MA e PI, acima de 4%. Dos 10 estados com os maiores efeitos, oito são no Nordeste - apenas o RN ficou de fora. Entraram ainda AC e PA, no Norte do país. O impacto médio do Auxílio Brasil deve ser de 1,04% do PIB nacional em 2022. O percentual vai ser maior justamente onde você tem provavelmente o maior número de beneficiários em relação ao tamanho do município e da economia. Em geral, os municípios mais pobres têm uma necessidade maior de auxílio porque têm uma população mais pobre. O estudo usou dados do PIB de 2019 dos municípios (último disponível no IBGE) e depois inflacionou para 2020 e 2021. Com relação ao Auxílio Brasil, usou os dados disponíveis no Ministério da Cidadania de janeiro a maio e então projetou o valor para os meses de junho a dezembro. Esses valores não incluem uma possível elevação do valor do Auxílio Brasil para R$ 600. O efeito dessa elevação potencializaria o impacto sobre o PIB de todos os municípios, com uma elevação aproximada de 25%. Esses municípios terão uma realidade diferente esse ano. O Auxílio Brasil tem um impacto significativo por ser um programa de transferência de renda direta, sem nenhuma contrapartida que possa atrapalhar a chegada dos recursos na ponta. O efeito será pulverizado e multiplicador, principalmente em alimentos e materiais de construção.


28/06/2022

Queijo da Canastra é eleito melhor do mundo por site americano

O produto artesanal da região mineira da Serra da Canastra ficou em 1º lugar no ranking do site Taste Atlas, que baseado em informações de consumidores. É preciso valorizar os produtos regionais com selos de origem. O site americano Taste Atlas colocou o queijo minas artesanal da região produtora da Canastra como 1º num ranking dos 50 melhores queijos, divulgado neste mês. O produto ficou à frente dos conhecidos grana padano, gorgonzola piccante e pecorino sardo, entre outros queijos. O Taste Atlas funciona como um guia de viagens, semelhante ao Trip Advisor. Ele recebe informações dos usuários e vai ranqueando os produtos. Uma posição de destaque como essa agrega valor ao produto e confirma ainda mais a boa qualidade da marca de origem regional. Muitos produtos na União Europeia e nos EUA são protegidos por classificações de origem controlada, chamados também de DOC – Denominação de Origem Controlada e asseguram ao consumidor que o produto tem as características específicas e método de produção daquela região. Esses produtos recebem um nome específico e esse nome não pode ser usado por produtores de outras regiões, mesmo que produzam com os mesmos insumos e técnicas de produção similares. Isso representa agregação de valor ao produto e é reconhecida em concursos internacionais. O Governo Federal publicou o Decreto 11.099 que regulamenta o art. 10 da Lei 1.283 de 1950 que instituiu o Selo Arte para produtos alimentícios de origem animal produzidos de forma artesanal. Também criou o selo Queijo Artesanal, com receitas e processos regionais ou culturais. Os objetivos são de ampliar a fiscalização e emissão de selos para municípios e MAPA, facilitar a regulação da comercialização e garantir informações dos produtos, em especial sobre saúde e segurança dos produtos alimentícios de origem animal produzidos de forma artesanal. O Selo Arte assegura que o produto alimentício de origem animal foi elaborado de forma artesanal, com receita e processo que apresentam características próprias, tradicionais, regionais ou culturais. Ele contempla produtos lácteos, cárneos, pescados e derivados e de abelhas. O Selo Queijo Artesanal assegura que os queijos artesanais foram elaborados por métodos tradicionais com vinculação e valorização territorial, regional ou cultural. Importante avanço na agregação de valor dos produtos regionais, desenvolvendo as pequenas agroindústrias.


27/06/2022

Vivix investe R$ 1,3 Bilhão em Pernambuco e vai dobrar sua produção

A fábrica de vidros planos do Grupo Cornélio Brennand responde hoje por 13% do mercado nacional e vai dobrar a capacidade da sua fábrica em Goiana, chegando a uma produção de 1.900 toneladas por dia em 2025. O Grupo Cornélio Brennand existe a mais de 100 anos, tendo iniciado suas atividades no setor cerâmico, com olarias localizadas por Pernambuco. Ao longo do tempo, passou a produzir porcelanas e azulejos e diversifica negócios atuando também na cadeia produtiva sucroalcooleira. A obra da Vivix gerará 4.000 empregos e ficará pronta em 2025, sendo construída ao lado da planta atual. Após implantada, gerará 600 empregos diretos e mais de 2.400 indiretos, com novo forno com capacidade de 1.000 toneladas por dia, maior do país e um dos maiores do mundo. Com isso, a produção irá aumentar de 900 para 1.900 toneladas por dia, mais que o dobro. Mas, em 2022 somente, a Vivix espera uma ampliação de 12% na sua receita, crescendo para R$ 900 milhões, ganhando mais espaço nacional em relação aos seus concorrentes, com 13% das vendas. Os principais concorrentes da Vivix no Brasil são a japonesa AGC, a americana Guardian e a francesa Saint-Gobain. O potencial de crescimento de consumo de vidros planos é alto, pois o consumo per capita no Brasil é muito baixo quando comparado aos EUA e à União Europeia. Os produtos fabricados serão comercializados em todas as regiões, e uma parcela será destinada à exportação. A indústria atende aos mercados de construção civil, decoração e moveleiro, com vidros planos incolores e coloridos, laminados, espelhos, pintados e de proteção solar. Recentemente pude visitar a planta em funcionamento e é impressionante como todo o processo de fabricação do vidro plano se dá, com muita automação e desperdício quase nulo. O mais curioso é ver como o vidro fica plano a partir do banho em uma piscina de estanho.


26/06/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


24/06/2022

Resolveu investir em um negócio com até R$ 200 mil?

O caminho ideal para esse tipo de investimento pode ser uma franquia. Em São Paulo está ocorrendo a ABF Franchising Expo com mais de 400 franquias em exposição. Mais de 50% das oportunidades estão dentro desse patamar. O risco de empreender no Brasil é muito alto. São diversas burocracias para abrir e manter uma empresa e o empreendedor, muitas vezes, não tem experiência, pois acabou de se aposentar ou deixou seu emprego. As micro e pequenas empresas encontram ainda mais dificuldades. As franquias surgem como uma ótima oportunidade para que o empreendedor consiga investir melhor o seu dinheiro e, principalmente, o seu tempo, pois ao fechar negócio com uma franquia, um pacote de soluções já é entregue ao franqueado, permitindo focar na gestão da empresa. Depois de 2 anos de interrupção devido à pandemia, a ABF Franchising Expo voltou com mais de 400 oportunidades de investimentos, sendo 36% até R$ 100 mil e 22% até R$ 200 mil. Isso coincide com a expectativa de mais de 50% dos empreendedores que querem investir até R$ 200 mil. Esse ano, com o desemprego ainda alto, a expectativa é que a procura seja maior. A expansão em cidades do interior deve ser destaque. Existem mais de 177 mil unidades franqueadas em 56% dos municípios brasileiros (cerca de 3,1 mil cidades), indicando potencial de expansão. As franquias tiveram um crescimento de 10,7% em 2021, atraindo cada vez mais investidores, e o volume total de unidades cresceu 9,1%. O setor de franquias no Brasil fatura mais de R$ 188 bilhões em mais de 171 mil unidades no País, com quase 1,5 milhão de empregos diretos. A Pesquisa Trimestral de Desempenho do setor de franquias referente ao 1º trimestre deste ano realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostrou que o faturamento cresceu 8,8% em relação ao ano passado e a receita passou de R$ 39,8 bilhões para R$ 43,3 bilhões. Mas, claro, todo investimento precisa planejamento. Mesmo sendo uma franquia, onde a taxa de mortalidade é bem menor que nos negócios em geral, o risco ainda existe. É preciso estudar muito bem o plano de negócios apresentado pelo franqueador e o mercado onde será implantada.


23/06/2022

PIB brasileiro vai crescer 1,7% em 2022?

Segundo o Banco Central, os dados recentes da economia brasileira indicam que o crescimento esse ano vai ser maior do que o esperado. Assim, o BC revisou sua projeção de crescimento da economia de 1% para 1,7%. Entenda o que mudou. A previsão do Banco Central para o crescimento da economia brasileira supera até mesmo a divulgada pelo governo federal. Pelas projeções do Ministério da Economia, o PIB deve crescer 1,5% neste ano. O Banco Central indica que o resultado do 1º trimestre é responsável por isso. No 1º trimestre, a economia brasileira avançou em 1% e os indicadores recentes de vendas no varejo e do setor de serviços apontam para um novo crescimento da economia no 2º trimestre, levando um carrego estatístico importante para o 2º semestre, que será mais desafiador. No 2º semestre, a economia deve desacelerar porque a incerteza permanece maior do que a usual em razão da guerra na Ucrânia e dos riscos crescentes de desaceleração da economia global. Indústria e Serviços devem continuar em expansão pela ótica da oferta de produtos e serviços. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias deve apresentar alta no segundo semestre, puxado pelos estímulos fiscais, inclusive o possível aumento do valor do Auxílio Brasil, mas deve haver recuo nos investimentos causado pelas incertezas com as eleições e juros altos. Um sinal positivo de que a economia está com crescimento acima do esperado vem da arrecadação de tributos federais divulgada para o mês de maio, que foi a maior, em termos reais, desde 1995, com um aumento de 4,13% em relação a 2021. No acumulado do ano, também. O que pode frear fortemente esse crescimento, porém, é a inflação. Se continuar pressionada, vai tirar ainda mais poder de compra da população, fazendo com que o consumo caia. Sem demanda aquecida, o lado da oferta não reagirá, e poderá haver contração no 2º semestre.


22/06/2022

Você sabia que existem 3 tipos diferentes de inflação?

Quando você pensa em inflação, você pensa no aumento do preço dos produtos no supermercado ou no restaurante, mas a inflação é mais complexa e os seus efeitos podem vir de 3 áreas diferentes, porém relacionadas, na economia. A inflação é a maior dos últimos 40 anos em muitos países, como no Reino Unido, com 9,1% no acumulado dos últimos 12 meses, nos EUA, com 8,6%, na Zona do Euro, com 8,1% e no Brasil, com 11,73%. Todos esses países têm os mesmos problemas em comum, explicados aqui. O 1º tipo de inflação é a inflação monetária e ocorre quando o Banco Central aumenta a quantidade de moeda em circulação na economia, emitindo moeda ou comprando títulos, num ritmo maior que o nível de produção. Os EUA aumentaram a moeda em circulação em 24,8% somente em 2020. A inflação acontece porque o aumento da velocidade com que o dinheiro, seja em espécie ou disponível em contas de banco, troca de mãos é maior que a produção de bens e serviços. Ou seja, nessa situação há mais dinheiro em busca do mesmo número de bens, elevando os preços. O 2º tipo é a inflação de preços ao consumidor. É medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e mostra a evolução do preço médio de uma cesta de bens, como alimentos, roupas e habitação. Problemas de oferta; eventos geopolíticos; oferta de moeda; e, demanda afetam. A pandemia trouxe problemas nas cadeias produtivas, impactando a oferta de diversos produtos, como insumos eletrônicos. A invasão russa à Ucrânia empurrou os preços de commodities combustíveis e agrícolas para níveis muito altos. Os Bancos Centrais elevam juros para combater. Por último, o 3º tipo é a inflação do preço dos ativos. Os preços de ações, títulos, imóveis tendem a ser inflacionados quando as taxas de juros estão baixas demais. E foi o que aconteceu na última década nos EUA, empurrando as pessoas a se endividarem mais, gerando bolhas.


21/06/2022

Sabe quando a Petrobras irá reajustar os preços dos combustíveis novamente?

Pois é, essa é a grande pergunta no ar, já que houve reajuste na sexta-feira (17/06) após 3 meses sem fazer o repasse dos ajustes no preço do barril de petróleo e do câmbio. Entenda melhor quando será. A turbulência na relação Governo x Petrobras só se intensificou após o reajuste aplicado na sexta-feira (17/06) e levou ao pedido de demissão por parte do então presidente, José Mauro Coelho, logo na segunda-feira. O seu substituto, Caio Paes de Andrade, já está definido. Mas o processo de Background Check de Integridade e aprovações em comitê de elegibilidade, Assembleia Geral Extraordinária e Conselho de Administração leva mais de 30 dias, deixando um interino no seu lugar durante o período, mas que não deve tomar decisões polêmicas. Enquanto isso, o preço dos combustíveis nas bombas, segundo a ANP, ainda não refletiu a elevação da semana passada, mas deve sim trazer impacto na nova pesquisa de preços dessa semana, empurrando a inflação de junho, mais uma vez, e deixando os juros altos para combatê-la. Mas ainda não respondi à pergunta sobre quando os combustíveis serão reajustados novamente. Antes disso, vale lembrar que até a eleição são aproximadamente 100 dias, ou 3 meses. O mesmo tempo que passou desde o último reajuste de março até junho, um indicativo. Além disso, há uma forte pressão política para que a governança da Petrobras e das demais empresas públicas seja alterada, voltando ao modelo, antes praticado, onde a indicação política para o comando das estatais era praxe. Isso foi alterado na Lei das Estatais em 2016. Há outra iniciativa para que estabeleça um aumento específico da CSLL – Contribuição Sobre os Lucros Líquidos, especificamente sobre a Petrobras, de forma temporária e irá representar mais um retrocesso. Tributar as exportações de petróleo também não é a solução. Todas essas alternativas são prejudiciais à economia brasileira, não somente à Petrobras. Indicar políticos para empresas estatais gera mais corrupção. Aumentar a CSLL da Petrobras irá derrubar o valor da empresa e comprometer sua atuação. Tributar exportações gera escassez. O aumento de preços dos combustíveis é um fenômeno mundial e a Petrobras não pode ser uma empresa considerada privada ou pública quando interessar ao Governo. Como maior acionista, o Governo Federal deve sim destinar melhor os vultosos lucros e royalties que recebe.