PodCasts

29/05/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


27/05/2022

Brasil tem estoque de Diesel para menos de 20 dias

Esse cenário é derivado da conjuntura internacional de redução de produção, política de preços com defasagem e dificuldades nas importações. Essa informação se soma à carta enviada pelo Presidente da Petrobras ao Governo. O estoque do Diesel S10, vendido nos postos brasileiros, só duraria 20 dias, caso as refinarias parassem sua produção e as importações fossem suspensas. Essa informação foi reportada por uma associação de produtores à ANP e mostra o risco de desabastecimento real no país. O estoque de Diesel no último dia 18 desse mês estava em 1,729 milhão de m3 e o volume seria capaz de atender apenas 19,6 dias de consumo interno, considerando a média de venda das distribuidoras em 2021. Os importadores diminuíram o seu ritmo de compra por conta do preço baixo. O abastecimento interno tem as refinarias nacionais como principal fornecedor, mas as paradas de manutenção delas podem aumentar o risco de desabastecimento e racionamento, com um nível de estoque tão baixo e falta de interesse dos importadores no mercado brasileiro. Além do mercado internacional estar com produção e estoques muito baixos, há outros mercados que oferecem preços mais altos que o mercado brasileiro e poderemos ficar sem produto, caso a Petrobras prolongue por mais tempo o não repasse de quaisquer reajustes internacionais. A concorrência mundial tem colocado fornecedores, como Singapura, em queda no fornecimento de Diesel para o Brasil. As refinarias brasileiras estão próximas da sua capacidade máxima de produção. Esse cenário fez com que o atual presidente da Petrobras enviasse carta ao MME. Em sua conclusão, ele informa que o cenário de escassez global de diesel e o cronograma de paradas programadas das refinarias públicas no segundo semestre, quando a sazonalidade aumenta a demanda por Diesel, podem elevar o risco de desabastecimento no mercado brasileiro.


26/05/2022

Nova rodada do PRONAMPE vem por aí e as regras mudaram

Bolsonaro sancionou as mudanças que irão trazer mais facilidades para a obtenção dos recursos do PRONAMPE na nova versão do programa de crédito que vigorou durante a pandemia e que nem todos conseguiram acesso. O governo estima que R$ 50 Bilhões possam ser emprestados nessa nova rodada, após a sanção presidencial do projeto de lei que trouxe modificações ao programa de crédito. O programa foi criado durante a pandemia exclusivamente para Micro e Pequenas Empresas e ajudou inúmeras. As principais mudanças irão incluir MEIs e empresas com faturamento até R$ 300 Milhões/ano que haviam ficado de fora da rodada anterior. As empresas agora poderão demitir funcionários e a maioria das certidões negativas estão dispensadas. Essas medidas irão aumentar o acesso. O projeto agora prevê concessão de crédito garantida pelo FGO – Fundo Garantidor de Operações até 2024 em substituição ao anterior, que havia finalizado em 2021. Em caso de inadimplência das empresas, o governo federal garante os pagamentos aos bancos por meio do FGO. O financiamento depende do aporte de recursos da União e é operado pelos principais bancos. Para manter a priorização no uso dos recursos para MPEs e agora MEIs, 70% dos recursos deverão ser usados para o capital de giro desse público-alvo, deixando 30% para Médias e Grandes. Mas é preciso tomar cuidado com as taxas de juros. Na versão anterior, o custo do financiamento era SELIC + 1,25%. Quanto a SELIC estava em 2%, valia muito a pena, mas agora o custo elevou muito. Para empresas no Nordeste, vai valer mais a pena continuar com o Banco do Nordeste. Também é preciso entender que uso será dado para os recursos e se eles se enquadrarão dentro da sua capacidade de pagamento futura, pois o prazo de capital de giro é curto e pode trazer parcelas muito elevadas para o fluxo de caixa da empresa. Planejamento é importante.


25/05/2022

Gás Natural passa a ser considerado item essencial e terá ICMS reduzido

Gás Natural passa a ser considerado item essencial e terá ICMS reduzido. O relator do projeto de lei que corta o ICMS dos combustíveis, energia elétrica, transporte coletivo e comunicações incluiu gás natural como item essencial entre os itens no parecer. E tem mais, acompanhe! O projeto proíbe os estados de cobrarem alíquota superior àquela padrão dos itens considerados essenciais, que hoje fica entre 17% e 18%. Hoje, esses itens são considerados supérfluos e, em alguns estados, chega a 34%. A perda pode chegar aos R$ 65 Bilhões/ano para os Estados. Para compensar essa perda, o relator propõs uma compensação por perda de arrecadação para os estados até dezembro. Como os estados estão com arrecadação superior a 15% na comparação anual por conta da inflação e retomada do PIB, essa medida provavelmente não terá efeito. Para os estados em regime de recuperação fiscal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás, a compensação será abatida da dívida que eles têm com a União. Para os demais estados, a compensação será equivalente à queda de arrecadação acima de 5% em relação ao ano anterior. Apesar da alegação dos Estados e Municípios que a compensação somente em 2022 não será suficiente e que a perda de R$ 65 Bilhões poderá paralisar a prestação de serviços essenciais para a população, a partir de 2023, eles terão que arcar sozinhos com a queda na receita. A cobrança de ICMS não poderá incidir sobre os serviços de transmissão e distribuição de energia e nem sobre os encargos setoriais, como as bandeiras tarifárias que aumentam a conta consideravelmente em épocas de dificuldades climáticas. A mudança reduzirá a conta de energia. As mudanças, como já comentei antes, são importantes, pois os itens realmente são essenciais e a cobrança penaliza os mais pobres, principalmente. Outros itens terão sobrecarga tributária para compensar essa perda e os Estados precisam enxugar suas máquinas administrativas.


24/05/2022

IPCA-15 finalmente apresenta sinal de desaceleração

Esse vai ser o caminho daqui para frente? Com alta de 0,59% em maio, o acumulado em 12 meses subiu para 12,2% e a taxa de maio ainda assim é a maior para o mês desde 2016. Entenda o que ajudou na queda do ritmo da inflação. Na comparação, em maio de 2021 a elevação havia sido de 0,44%, mas quando se compara com todos os meses subsequentes, esse foi o menor patamar, igualando com o de janeiro de 2022, 0,58%. No acumulado em 12 meses, é o maior nível desde novembro de 2003 (12,69%). Saúde e cuidados pessoais foi quem teve a maior elevação, puxada pelos produtos farmacêuticos, que subiram 5,24% e contribuíram com 0,17 p.p. da inflação no período. Os demais itens também ajudaram, com exceção de habitação, com queda de 3,85% ajudada pela energia elétrica. O Governo publicou um corte de 10% no imposto de importação com o intuito de ajudar a conter a inflação. A medida inclui 87% dos itens hoje submetidos a esse tipo de tributação e vai permanecer assim até dezembro de 2023, incluindo carne, arroz, feijão e outros itens importantes. Ficaram de fora do corte produtos de setores como têxteis, calçados, brinquedos, laticínios e setor automotivo que já tinham tarifa superior a 14%. Esses itens não entraram porque têm um forte lobby em sua defesa, mesmo com a redução do IPI para compensar a maior concorrência. O Brasil ainda é um dos países mais protecionistas no mundo e isso representa um custo extraordinariamente alto para a população. O corte trará uma redução na inflação de 0,5 a 1 p.p. e trará negócios para o país. Uma maior abertura traria mais R$ 500 Bilhões de aumento no PIB.


23/05/2022

Geração de energia solar atinge a marca de 1 TW no mundo.

A energia solar é hoje a segunda maior fonte de energia renovável no mundo, atrás somente da energia hídrica e continua apresentando forte crescimento no período recente. Há 20 anos, apenas 2 GW eram produzidos. Segundo o relatório Global Market Outlook for Solar Power 2022-2026, de 2002 a 2018, a geração chegou a 500 GW. Em apenas 3 anos, dobrou de volume. Somente em 2021, pela primeira vez, mesmo com as restrições da pandemia, foram instalados 200 GW em todo o mundo. A América Latina teve um crescimento de 44% em 2021, com destaque para Brasil e Chile. Hoje, a geração solar responde por um terço da energia renovável no mundo em capacidade instalada. E até 2025, a capacidade solar deve dobrar novamente, atingindo os 2 TW, mantida a tendência. No final de 2021, o mundo detinha 3,036 TW de energia renovável, com 1,360 TW oriundos de hidrelétricas. A energia solar respondia por 0,849 TW e a eólica por 0,824 TW. Bioenergia respondia por 0,143 TW segundo a Agência Internacional para Energias Renováveis (Irena). A China domina o mercado, com 306,4 GW de capacidade instalada em 2021. Em segundo, vem os EUA com 93,7 GW. Depois, Japão, Alemanha e Índia aparecem. O Brasil aparece em 13º com 13,7 GW. Para se ter uma ideia, comparando com a China, o Brasil tem 190 GW somando todas as fontes. As perspectivas são positivas para o Brasil. A expectativa é que consiga atingir a marca de 54 GW em capacidade solar até 2026. Somente em 2021, o Brasil adicionou 5,7 GW em novos sistemas solares, somando grandes usinas e sistemas de geração próprios de empresas e residências. A energia solar no Brasil representa hoje a 5ª maior fonte de geração, com 15,3 GW de capacidade instalada em operação e cresce exponencialmente. O segmento trouxe mais de R$ 82 Bilhões de investimentos privados ao Brasil desde 2012 e o custo caiu em mais de 70% em uma década.


22/05/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


20/05/2022

Câmara votará redução do ICMS para energia, combustíveis, transportes e telecomunicações

O Presidente da Câmara prometeu votar na próxima semana o projeto de lei que muda o ICMS desses itens para 17%, considerando como bens e serviços essenciais, impacto de R$ 100 Bilhões/ano. A reclassificação desses bens e serviços como essenciais faz com que haja uma obrigatoriedade de manutenção do ICMS em 17%. Todos os estados praticam, livremente, alíquotas superiores a esse patamar e o valor representa uma questão de vida ou morte para a maioria. Os combustíveis, a energia elétrica e o setor de telecomunicações são as principais fontes de receitas dos estados, via ICMS, com alíquotas que variam entre 25% e 30%. Esse movimento de elevação do ICMS vem acontecendo há muitos anos e os estados se segurando nessa receita. A mudança brusca causada pela adequação para uma alíquota de 17% pode desencadear um impacto fortemente negativo nos estados, apesar de estarem passando por uma situação positiva no momento, com aumento de arrecadação causado pela inflação alta de combustíveis e energia. Segundo o Presidente do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal) e Secretário da Fazenda de Pernambuco, Décio Padilha, a perda de arrecadação para os estados será de R$ 100 Bilhões ao ano. A medida é importante porque a tributação realmente é excessiva e os bens e serviços não são supérfluos, mas uma mudança de tamanho impacto tributário precisa ser melhor tratada. Um período mínimo de transição é necessário para que os estados se adequem a essa mudança. Insisto em comentar por aqui, mas o ideal seria colocar a Reforma Tributária em votação, mudando o sistema de tributação para o valor agregado, uniformizando as alíquotas para todos os setores. Assim, o peso seria melhor distribuído e energia e combustíveis não seriam tão caros.


19/05/2022

Eletrobras recebeu aval do TCU para ser privatizada, quais são os próximos passos?

O processo se dará com o aumento de capital pela emissão de novas ações em oferta primária e a União, que detém hoje 72,33% de participação do capital votante, reduzirá sua participação para 45%. Com a autorização do TCU, por 6 votos favoráveis e 1 contrário, o processo iniciado em 2018 no Governo Temer se encerrou. O Governo irá protocolar na CVM e SEC a operação de aumento de capital. Paralelo a isso, os bancos envolvidos irão iniciar o road show com investidores. O Governo irá lançar, através da Caixa, uma plataforma no aplicativo do FGTS, permitindo que os trabalhadores possam investir até 50% do seu saldo do FGTS, como ocorreu no passado com Vale e Petrobras, um movimento altamente recomendado, pois o FGTS rende apenas 3% ao ano. Depois da coleta de manifestações de interesse dos investidores na aquisição dos papéis, o tamanho do interesse irá determinar a precificação final das ações, quando deve efetivamente ocorrer a liquidação, até o final de junho. Assim o Governo diminuirá sua participação. Ao final do processo, R$ 67 Bilhões serão levantados, sendo R$ 25,4 Bi que irão em outorgas para o caixa do Tesouro, R$ 32 Bi para a Conta de Desenvolvimento Energético em 25 anos e R$ 9,7 Bi de compromissos em revitalizações de bacias hidrográficas em 10 anos. Essa oferta primária será a mais movimentada e de maior valor no ano, com R$ 6 Bilhões de investidores via FGTS e mais de R$ 30 Bilhões em transações na B3 a depender do preço final das ações. A operação será realizada simultaneamente também na Bolsa de Nova York (NYSE). A privatização irá diminuir o preço da energia? Não, pelo menos no curto prazo, pois a conta inclui diversas operações de empréstimos que foram realizados no passado, compromissos com compra de energia de termelétricas e outros fatores que oneram o setor nos próximos anos. Mas a participação do setor privado irá trazer mais dinâmica e perspectivas de investimentos ao setor, que não consegue avançar com as atuais limitações de investimentos do setor público. A mudança para o mercado livre nessa nova configuração também ajudará.


18/05/2022

A Petrobras cumpre com a sua função social?

Nos últimos 10 anos, a Petrobras rendeu em impostos e dividendos R$ 1,4 Trilhão ao Governo, enquanto pagou R$ 94 Bilhões em dividendos para os sócios minoritários. O que foi feito com esses recursos é a questão a ser discutida. As últimas semanas têm gerado muitas discussões sobre o papel social da Petrobras como empresa pública diante dos preços elevados dos combustíveis e da inflação que tem gerado na economia. Muitos argumentam que a Petrobras deveria reduzir os preços pois é seu papel social. Segundo levantamento do Bradesco BBI, a Petrobras teve papel fundamental na arrecadação de impostos do Governo e via pagamento de dividendos, pois o Governo detém 50,8% das ações com voto e 28% das ações totais da Petrobras, o que renderá R$ 25 Bilhões agora entre maio e junho. Embora esses dividendos sejam obrigatoriamente usados para amortizar o endividamento público, ajuda em muito nas contas públicas, pois o Governo não precisa cobrar ainda mais impostos da população nem aumentar o endividamento num ritmo mais rápido, controlando a dívida. A ajuda no controle do endividamento libera orçamento para que o Governo possa fazer políticas públicas, com o intuito de trazer benefícios sociais para a população. Na realidade, o represamento dos preços pode trazer prejuízos como política econômica para toda a população. Os acionistas minoritários receberam 15 vezes menos que o Governo. Esse rendimento ficou inferior ao índice Ibovespa, o barril de petróleo brent ou mesmo o CDI. Ou seja, o retorno foi negativo no período, talvez até repercutindo as constantes ameaças de intervenção na Petrobras. Os brasileiros têm se beneficiado mais que os acionistas minoritários através da arrecadação de impostos e distribuição de dividendos para o Governo. Uma mudança na política de preços da Petrobras pode sair como um tiro pela culatra, pois irá derrubar a receita para o Governo.