PodCasts

31/03/2022

Em termos de empregos, temos dois Brasis

Nessa semana foram divulgados os resultados do CAGED, que mede o saldo de contratações e demissões no emprego formal e a PNAD Contínua, que mede empregos formais e, principalmente, informais, bem como a taxa de desemprego na economia. No CAGED, fevereiro foi responsável pela criação de 328,5 mil empregos, menos que em 2021, mas o segundo melhor desempenho para o mês de fevereiro na série histórica, perdendo justamente para fevereiro de 2021. Esse resultado mostra continuidade na recuperação das contratações. Já o resultado da PNAD contínua apontou que o trimestre encerrado em fevereiro teve uma estabilidade na taxa de desemprego na comparação com o trimestre encerrado em janeiro, ficando em 11,2%. O dado também foi positivo, pois o mercado esperava um aumento para 11,4%. Essa expectativa de aumento se deu porque o período tradicionalmente é de retração, com demissões após o fim do ano e porque em janeiro e fevereiro aconteceu o auge de contaminações da variante Ômicron do COVID-19. Apesar desses fatores negativos, o emprego se manteve estável. O setor de serviços continua sendo o destaque na recuperação das contratações formais e também na geração de empregos informais. À medida que os avanços no setor acontecem, com maior liberação oriunda da maior vacinação, mais empresas contratam trabalhadores formais e informais. O problema atual está na queda da renda real dos trabalhadores. A inflação acima de 10% ao ano continua deteriorando o poder de compra dos trabalhadores, o que traz dificuldades na continuidade da recuperação da economia, com queda no consumo e, consequentemente, dos empregos. No pior momento da pandemia, houve deflação na economia brasileira, levando a renda real dos trabalhadores para o seu maior valor. Agora, o momento é inverso e só irá melhorar quando a inflação começar a ceder, supostamente a partir de maio, encerrando o ano melhor que agora.


30/03/2022

PIX ganha espaço e já tem mais operações que cartões de crédito e débito

O Banco Central indicou que no 4º trimestre de 2021, o PIX teve um crescimento de operações de 34% sobre o trimestre anterior, com 3,89 bilhões de transações, passando cartões de crédito e débito. Com o surgimento do PIX, rapidamente a adesão aconteceu, principalmente para operações que substituem as transferências via TED, DOC ou interbancárias, que caíram mais de 50% em um ano. Como o PIX é rápido, fácil e sem custo para pessoas físicas, sua adoção só tem aumentado. Os cartões de crédito e débito ainda concorrem com o PIX e tiveram crescimento em sua utilização no mesmo período, com crescimento de 9% para débito, com 3,85 bilhões de transações e 12% para crédito, com 3,73 bilhões de transações. Mas isso também pode mudar muito em breve. Por enquanto, o valor médio das transações em PIX é bem superior (R$ 495,00) àquelas de cartões de crédito (R$ 126,00) e débito (R$ 67,00). Isso indica que nas pequenas transações do dia a dia, o cartão de crédito/débito predomina, com transferências entre pessoas no PIX. O uso do PIX de um ano para cá mostrou que há uma evolução nas transferências de pessoas para empresas. Em fevereiro de 2021, 79% das transações eram de pessoas para pessoas contra 9% de pessoas para empresas. Agora em fevereiro de 2022, mudou para 72% e 18%, respectivamente. E vai continuar evoluindo. Com o PIX troco e saque se tornando mais conhecidos, vai se tornar mais comum, concorrendo com os cartões de crédito e débito. O Banco Central também anunciou uma nova modalidade a ser implantada em breve, substituindo o débito automático para contas.


29/03/2022

Mudança no comando da Petrobras não vai reduzir preço dos combustíveis

O Presidente Bolsonaro anunciou a substituição de Joaquim Silva e Luna por Adriano Pires no comando da Petrobras, mas a mudança não afetará o preço dos combustíveis e nem é por conta do novo escolhido. A Petrobras vem sofrendo ameaças de novo intervencionismo do Executivo para controlar os preços dos combustíveis e a forma como os repasses de reajustes do barril de petróleo funcionam. Mas as novas regras da Lei das Estatais trazem mais governança e teriam que ser alteradas. Essa lei foi criada em 2016, após o problema que a empresa vivenciou entre 2008 e 2018, com o intervencionismo nos preços que resultaram um prejuízo de mais de R$ 180 Bilhões no período e perdas com corrupção reconhecidas pela estatal em mais de R$ 6,2 Bilhões no mesmo período. A Petrobras chegou a se tornar a empresa mais endividada do seu segmento no mundo, com muitas preocupações sobre a sua sobrevivência no mercado. Por conta dos ajustes na governança, incluindo a atual política de repasse de preços internacionais, a empresa contornou a situação. O recém-escolhido para o cargo tampouco tem interesse em fazer alterações na política de repasse de preços internacionais. Com vasta experiência no segmento, defendeu diversas vezes o NÃO intervencionismo estatal. A solução, se for confeccionada, virá dos cofres públicos. O Tesouro Nacional poderá ser acionado para bancar mais um subsídio ao consumo. Dessa vez, o de combustíveis fósseis, copiando o que já vem acontecendo na Zona do Euro, Califórnia e Canadá. Um Auxílio Combustível ou outra forma indireta de baixar preço com mais impostos virá. Mas aí novamente surge a indagação: deveria o estado subsidiar combustíveis em detrimento de alocação de recursos para educação, saúde, segurança, infraestrutura, redução da pobreza e tantos outros problemas socioeconômicos que o país sofre e sem orçamento? Claro que não! A substituição de presidente representa apenas uma movimentação política em ano de eleição para atender os eleitores, mostrando que algo está sendo feito, mesmo que na realidade, não traga efeitos a não ser mais volatilidade no preço das ações da Petrobras no mercado financeiro.


28/03/2022

Diretora-geral da OMC visita o Brasil em meio a discussões sobre distorções com subsídios e segurança alimentar

O Brasil questiona na OMC os subsídios que a Índia tem dado adicionalmente à política de preços mínimos aos seus agricultores, impactando as exportações brasileiras. Por conta dos subsídios agrícolas, a Índia atualmente é o maior exportador de arroz no mundo e o terceiro maior de açúcar, além de ser responsável por montanhas de trigo em estabelecimentos estatais que estão apodrecendo por falta de uso. Um subsídio de mais de US$60 Bilhões. O governo indiano quer aproveitar o momento de preço alto do trigo para despejar seus estoques no mercado internacional, tendo acesso aos países importadores e se mantendo fechado para o comércio. Sua safra começa agora em março, enquanto na Ucrânia somente em agosto-setembro. O Brasil questiona na OMC, juntamente com EUA, União Europeia, Austrália, Canadá, Japão e outros sobre a ajuda dada aos produtores de trigo e arroz indianos. A visita da Diretora-geral é importante para o Brasil mostrar a importância do agronegócio num país em desenvolvimento. A segurança alimentar é impactada negativamente pelos subsídios oferecidos aos agricultores indianos, pois distorce as relações de comércio, tornando países mais competitivos artificialmente, enquanto países com vantagens comparativas, mas sem subsídios, perdem fatia de mercado. Essa é uma batalha muito importante para o comércio exterior brasileiro. Nas inúmeras negociações multilaterais de comércio da OMC, o setor agrícola sempre foi deixado de lado, com preocupações junto aos fazendeiros europeus, principalmente, de manutenção da segurança alimentar. Agora que os países estão se fechando mais por conta da pandemia e da invasão russa à Ucrânia, novas ondas de protecionismo prejudicam as relações comerciais e dificultam o acesso dos produtos brasileiros a mercados europeus e asiáticos, um retrocesso ao livre comércio.


27/03/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


25/03/2022

PPPs avançam consideravelmente em 2021, com destaque para saneamento e iluminação pública

Enquanto o país não encontra disponibilidade de orçamento para investimentos importantes em infraestrutura, as Parcerias Público-Privadas avançam, com 3.667 iniciativas em 19 segmentos. Os principais destaques em PPPs são saneamento, com 474 projetos desde a aprovação do Novo Marco do Saneamento Básico, seguido por iluminação pública, com 461 projetos. Em terceiro lugar, a administração de resíduos sólidos traz 415 iniciativas de parcerias. Em 2022, as PPPs de iluminação pública devem atrair mais de R$ 1,8 Bilhão em investimentos privados em 35 projetos, o maior valor desde 2014, quando a gestão da administração dos parques de iluminação pública passou das distribuidoras para municípios, sem recursos para investir. Os investimentos são viabilizados pela Contribuição de Serviço de Iluminação Pública (COSIP) cobrada na conta de energia e que é garantida constitucionalmente, representando um fluxo de caixa de baixo risco para os investidores. Assim, o projeto se torna viável no longo prazo. O BNDES e a Caixa desenvolvem os modelos dos projetos, aumentando o interesse da iniciativa privada. O BNDES já levou 6 projetos à leilão: Petrolina, Caruaru, Jaboatão dos Guararapes, Porto Alegre, Teresina e Vila Velha. A economia passa de 50% com redução de 130 Mil MWh/ano. As iniciativas têm partido, geralmente, de cidades de médio porte nas regiões do Nordeste e Sudeste, mas pode aumentar ainda mais já que traz ganhos além da redução de custos. Há valorização do patrimônio público, melhorias no comércio e na segurança pública e melhor governança. Um passo adiante pode ser tomado na implantação de cidades inteligentes através das PPPs. O conceito vem avançando, mas a tecnologia já existe e tem se tornado mais acessível. Os mesmos postes poderão fazer controle de trânsito, segurança pública e outros serviços públicos.


24/03/2022

Alta do preço das commodities levará o Brasil a recorde no saldo da Balança Comercial em 2022

O cenário externo favorável também deve fazer com que o saldo das Transações Correntes feche no positivo pela primeira vez desde 2007. Esse resultado é muito importante para o Brasil. O Banco Central divulgou o Relatório Trimestral de Inflação e apontou que, no setor externo, o ano de 2022 será muito positivo para o país. A Balança Comercial trará um superávit recorde de US$ 83 Bilhões oriundo do aumento de preço das commodities, mesmo com queda no volume. As importações terão queda em seu ritmo de crescimento, apesar da elevação dos preços internacionais, pois o aumento dos juros no país e a expectativa de crescimento baixo farão com que as importações de insumos industriais, principalmente, tenham retração, ajudando no saldo. O relatório também aponta que as transações correntes do país com o resto do mundo, que inclui a parte de serviços e rendas também deve fechar no positivo pela primeira vez desde 2007. Isso deve acontecer por conta da queda no turismo internacional e outros fatores. O envio de royalties, juros e lucros por parte das multinacionais instaladas aqui no país será menor que nos anos anteriores, impactando de forma menos negativa o resultado. O Brasil é um grande pagador de empréstimos e envia lucros para as matrizes de multinacionais lá fora. O resultado já pode ser sentido através do câmbio que continua pressionado para baixo, diminuindo a pressão sobre o preço de produtos importados e, consequentemente, a inflação. Este já é um aspecto positivo do resultado recorde da balança comercial brasileira em 2022. O saldo positivo traz mais segurança no ambiente externo para a economia brasileira. O saldo positivo aumentará as reservas internacionais e um resultado positivo para o Banco Central pode fazer com que ele repasse mais recursos para o Tesouro Nacional fazer políticas públicas. No passado, com um saldo externo positivo e com as contas equilibradas, o Brasil conseguiu chegar ao tão sonhado Grau de Investimento. Mas isso aconteceu por conta do equilíbrio nas contas públicas, com superávit primário para controlar o ritmo de crescimento do endividamento.


23/03/2022

Inovação foi o único caminho para recuperar o desempenho das PMEs durante a pandemia

Em pesquisa realizada pelo SEBRAE com empresas atendidas no programa Brasil + Inovador, esse foi o caminho preponderante para contornar os problemas oriundos da crise causada pela pandemia. O SEBRAE realizou um levantamento com empresas de pequeno e médio porte em todo o Brasil no programa Brasil + Inovador sobre como conseguiram impulsionar os seus negócios em 2021 para recuperar a queda de faturamento e outros problemas que tiveram com a pandemia. As mudanças mais importantes têm muito a ver com a mudança na cultura empresarial: melhora do atendimento; melhora na qualidade dos produtos; redução de desperdícios; aumento das vendas; inserção em redes sociais; redução de custos; e, uso mais eficiente de água e energia. As dificuldades impostas, inclusive pela inflação, muito mais forte junto aos fornecedores de insumos, medida pelo IGPM, que chegou a ficar em 35% ao ano e não totalmente repassada aos clientes finais, por conta da queda de renda das famílias, achatou a margem das empresas. As empresas que desenvolveram um ambiente adequado ao perfil do público; priorizaram um atendimento de qualidade; não criaram burocracias para o consumo; e, criaram um canal de comunicação adequado para relacionamento e divulgação de futuras promoções obtiveram sucesso. A melhoria dos produtos envolve a contratação de consultores e o uso de laboratórios para desenvolver protótipos. Os desperdícios podem ser evitados com a adoção de padrões e rotinas de compras de insumos e sua organização em previsão de consumo, evitando o excesso de estoque. Para usar as redes sociais, é preciso: entender quais são as redes sociais ideais para se comunicar com seu público; pensar como será a abordagem no mundo digital; planejar a presença digital e a atuação com links patrocinados; e, manter o engajamento dos seguidores e clientes. O empresário, independentemente do seu porte, precisa estar em constante evolução para poder superar os diferentes momentos do mercado, principalmente no Brasil, quando flutuações de mercado internacional e crises domésticas estão sempre impactando o resultado do seu negócio.


22/03/2022

Reajustes salariais nos estados passarão de R$ 32,7 Bilhões em 2022

Após a regra do congelamento de reajustes do funcionalismo público ter caído em dezembro de 2021 e com eleições para governadores nesse ano. Todos os estados já aumentaram ou apresentaram projetos de reajuste. Na esteira de um aumento na arrecadação de 14,2% em 2021, para R$ 851,7 Bilhões, os estados estão promovendo reajustes que variam de 10% a 13% de forma linear para todos os servidores e com algumas áreas recebendo um acréscimo de 20%, como no caso de SP para saúde e segurança. A justificativa apresentada vem do fato que a inflação corroeu os salários dos servidores públicos. Em 2 anos, a inflação foi de 15% no acumulado, fazendo com que o poder de compra dos funcionários públicos tenha caído sem reajustes por conta do congelamento feito na pandemia. A situação é favorecida por um caixa mais gordo dos estados que foi beneficiado com o aumento na arrecadação por conta da inflação, do aumento no preço das commodities, retomada da economia em 2021, com crescimento de 4,6%, repasses federais e suspensão temporária da dívida. Mas a situação é bastante preocupante, pois os cenários para 2022 e 2023 irão mudar completamente. O crescimento em 2022 será de 0,5% e em 2023 nem sabemos ao certo. A forma de arrecadação com o ICMS oriunda dos combustíveis, que representa a maior parcela nos estados, mudou. Esse movimento de reajustes vai trazer um problema para as novas gestões, a partir de 2023. A folha de pagamentos é a maior rubrica no orçamento de todos os estados e um reajuste representa um gasto permanente, mas o aumento de receita atual é passageiro e não se repetirá. Há pouco tempo, muitos desses estados não tinham recursos para pagar a folha e tiveram de ser socorridos pelo governo federal para não falirem. Os serviços de saúde, educação e segurança pública foram severamente atingidos por conta da má gestão, com aumentos dos salários. No final das contas, os governadores estão tentando sua reeleição, gastando mais. Essa conta será sentida por eles próprios no ano que vem, quando o orçamento se tornar inviável. A solução, como sempre, será aumentar os impostos para que a população pague por erros passados.


21/03/2022

Dólar a R$ 5,00, novamente! É hora de comprar?

A semana teve início com o Dólar abaixo dos R$ 5,00 devido a fatores externos, como preço das commodities, mas também por conta do aumento dos juros no Brasil. Esse patamar vai se manter em 2022? Entenda o que pode influenciar. O Real está fortalecendo perante o Dólar em 2022. O Real já se valorizou 10,7% em 2022 até sexta-feira e nesta segunda caiu abaixo de R$ 5,00 novamente. Dentre as 25 principais economias do mundo, o Real é o mais valorizado no ano, apesar do Dólar estar em queda em outras 10. O forte reajuste do preço das commodities no início do ano, reforçado com a invasão russa à Ucrânia, ajudam as ações brasileiras, que têm recebido um volume significativo de investidores internacionais, mais de US$ 50 Bilhões, principalmente em exportadoras de commodities. O aumento do preço das commodities no mercado internacional também afeta o fluxo direto de dólares na economia, como saldo das exportações. A receita cambial das exportações de soja, minério de ferro, petróleo e outras commodities gera um forte ingresso de dólares no país. O aumento da taxa de juros na economia brasileira, para 11,75% ao ano, deixa o Brasil com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, somente atrás da Rússia. Como a reunião do COPOM também indicou uma nova elevação na próxima reunião, o mercado já está se antecipando. Mesmo com a elevação dos juros nos EUA, os títulos brasileiros estão muito atrativos para os investidores internacionais, com spread muito alto em relação aos demais. Soma-se o fato de que investidores estão saindo das bolsas americanas, principalmente de ações de tecnologia. Mas é o momento para comprar dólares? Se você tem uma viagem internacional pela frente, talvez esse seja sim o melhor momento para fazer essas compras, apesar do câmbio ainda estar bem acima dos R$ 4,32 de fevereiro de 2020, quando começou a subir por conta da pandemia. O cenário deve mudar consideravelmente a partir do 2º semestre, quando as eleições se tornarem protagonistas nas discussões político-econômicas aqui no Brasil. Tradicionalmente, o câmbio é bastante pressionado nesse período, pois o ambiente de incertezas se intensifica.