PodCasts

20/03/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


18/03/2022

Mudanças de hábitos afetaram o mercado imobiliário

Agora que o pior da pandemia já passou, inúmeras mudanças de hábitos puderam ser notadas. O uso de máscaras para se proteger, avanços na higiene das pessoas, dos alimentos e no uso de objetos são os mais obviamente percebidos, mas outras mudanças passaram despercebidas. As aulas e reuniões online se tornaram algo normal nas escolas, faculdades e empresas. Trabalhar em home office não é mais algo de outro mundo. Com essa mudança de hábito e os avanços tecnológicos, o mercado imobiliário também passou por uma transformação profunda. Muitas famílias precisaram ficar mais em casa por longos períodos no auge da pandemia e perceberam que precisavam morar em um lugar melhor ou que poderiam se afastar mais dos grandes centros urbanos por conta dos avanços tecnológicos no trabalho remoto. Como consequência, aumentaram o investimento em imóveis de segunda residência na praia ou no campo, procurando se afastar dos riscos de contaminação vividos na cidade, mas também para ter hábitos mais saudáveis em condomínios, ao invés de prédios, com atividades ao ar livre. Houve, então, uma valorização das ofertas disponíveis no litoral, com foco em praias do Litoral Sul de Pernambuco, como Muro Alto. A valorização veio acompanhada do aumento da rentabilidade, pois a pandemia acelerou a aprendizagem de ferramentas digitais, os portais de locação. Hoje, um imóvel de segunda residência não pode ser visto somente como o lazer da família, mas também um investimento rentável. Para maximizar o retorno, a gestão de locação do imóvel precisa ser profissional, trazendo resultado financeiro satisfatório ao investimento realizado. Infelizmente, a maior parte dos investidores nesse mercado ainda não têm essa mentalidade. Com uma gestão desestruturada, o retorno da locação de imóveis de praia, por exemplo, pode ser insuficiente, resultando em um movimento depreciativo para o investimento, em alguns casos. É preciso analisar o que é oferecido em termos de administração do imóvel, de equipamentos para o locatário e segurança ao investidor. Parâmetros como: média de ocupação, valor médio de diárias e resultado mensal tendem a ser melhores quando a gestão do imóvel é profissional.


17/03/2022

Atividade econômica medida pelo Banco Central cai 0,99% no mês de janeiro

Esse foi o primeiro recuo desde setembro de 2021 e o maior tombo desde março de 2021, quando recuou 1,67%. O IBC-Br leva em consideração a produção agrícola, industrial e de serviços, mas não a demanda. O índice retornou ao mesmo patamar de dezembro de 2020, mostrando um forte recuo no mês de janeiro em consequência do desaquecimento da economia apresentado em todos os setores e fruto de uma maior inflação e juros mais elevados, com a elevação da SELIC no período. O início do ano mostra que o desafio de fazer a economia crescer em 2022 vai ser relevante. No mesmo mês em 2021, o índice havia apresentado crescimento de 0,54%, seguido por nova elevação em fevereiro de 1,6%. O mês de janeiro teve forte impacto da variante ômicron do COVID-19. A partir de fevereiro, o efeito da nova variante começou a diminuir e deve haver uma recuperação da economia, mas a escalada dos juros funciona como um freio no crédito, que impacta diretamente no consumo das famílias e nos empréstimos para as empresas, desacelerando a economia. O Governo tem se deparado com a perspectiva de crescimento mais baixo e o Ministério da Economia revisou sua previsão de crescimento, que já era bastante otimista, de 2,2% para 1,5% para 2022. Pelo andar da carruagem, talvez precise revisar novamente, se a tendência continuar. Uma estratégia que está sendo adotada é de impulsionar a economia com mais crédito e reduções temporárias de impostos. Redução do IPI em 25%, antecipação de 13º, saque de R$ 1.000,00 do FGTS e outras medidas estão sendo pensadas para atenuar a queda de ritmo da economia. Como o país está avançando com flexibilizações no uso de máscaras e tem um percentual cada vez maior de vacinados, pode ser que o setor de serviços surpreenda positivamente. O setor não se recuperou plenamente da pandemia e representa muito do PIB nacional, mais de 70%.


16/03/2022

Em dia de Super Quarta, EUA e Brasil aumentam juros

Os EUA aumentaram sua taxa de juros, o que não acontecia desde 2018, mas por conta da maior inflação desde 1982. No Brasil, a elevação do preço de petróleo por conta da Guerra da Rússia e Ucrânia também levou o COPOM a subir. Os EUA elevaram sua taxa de juros de uma banda entre 0% e 0,25% para 0,25% e 0,50% e a expectativa é que o aumento de juros perdure ao longo das próximas reuniões do FOMC, chegando ao final de 2022 em 1,875%. Em 2023 seguirá subindo para 2,75%, se mantendo assim em 2024. No Brasil, a preocupação com a inflação, que deveria começar a enfraquecer agora em março, foi renovada por conta da guerra da Rússia e Ucrânia, que elevou consideravelmente o preço do petróleo e das demais commodities agrícolas, empurrando a expectativa do IPCA para cima. Essa preocupação fez com que os membros do COPOM elevassem a taxa de juros para 11,75%. Mas não deve parar por aí. A pesquisa do Boletim Focus indica que a SELIC deve continuar subindo nas próximas reuniões, com previsão de encerrar 2022 em 13,25%, bastante contracionista. Com essa elevação nos EUA e no Brasil, movimentações de investidores internacionais devem fazer com o que recursos sigam para o mercado que melhor remunerar, levando em consideração o risco, claro. O spread entre Brasil e EUA aumentou, mas os juros lá agora são mais atrativos. É provável que o Real continue se valorizando no curto prazo, mas esse movimento pode mudar com um término da guerra, que ajudará na redução do preço das commodities, tirando investidores da bolsa brasileira. Vale lembrar que a eleição brasileira está cada vez mais próxima.


15/03/2022

Presidente sanciona lei que unifica ICMS nos estados e zera PIS/Cofins do diesel

O projeto de lei que tramitou pelo Congresso foi sancionado sem vetos por Bolsonaro e deve trazer um custo de R$ 20 Bilhões para o Executivo em 2022. Estados também sofrerão perdas de arrecadação. Com a pressão política dos reajustes causados pela elevação do preço do petróleo mundialmente, Legislativo e Executivo se uniram para trazer medidas compensatórias para frear o aumento dos preços dos combustíveis aqui no Brasil, através de subsídios e mudança de regras no ICMS. As alíquotas de PIS e Cofins sobre diesel, gás de cozinha e querosene de aviação foram zeradas até dezembro de 2022, um custo ao contribuinte de mais de R$ 20 Bilhões. O valor é metade do disponível no orçamento desse ano para investimentos em educação, saúde e outras áreas. A lei também trata do ICMS sobre combustíveis, unificando o valor a ser cobrado em todos os estados e mudando a regra de um valor percentual sobre o preço praticado para um montante fixo por litro. As alíquotas poderão ser diferenciadas por produto (gasolina, etanol etc.). A cobrança será monofásica, uma única vez, evitando o efeito cascata do tributo ao longo da cadeia produtiva, que onera o preço sobre o combustível. Com a monofasia, os estados terão que criar sistemas de compensação entre si, entre a origem da produção e o destino do consumo. Os valores a serem cobrados serão definidos pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), onde os Secretários de Fazenda dos estados fazem parte. Os valores poderão ser reajustados após 12 meses depois de terem sido fixados. Nos reajustes seguintes, poderá ser 6 meses. A questão que mais preocupa nessa fórmula é que o momento é de aumento de preços internacionais, apesar de ter caído para menos de US$ 100,00 o barril. Mas, e quando o preço voltar a cair, após uma possível trégua na guerra entre Rússia e Ucrânia? Os valores terão um peso maior. Outro problema que surge é na arrecadação. Os combustíveis têm um grande peso na arrecadação dos estados e o ICMS, por ser uma legislação estadual, e o Congresso talvez não tenha autoridade para fazer alterações em regras e determinar alíquotas, gerando risco de judicialização.


14/03/2022

Repasse da Petrobras eleva previsão de inflação em quase um 1 p.p.

Como os combustíveis têm participação direta significativa na formação do IPCA, o impacto foi contabilizado na pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com analistas de mercado. Mas o impacto pode ser maior. Gasolina, diesel e gás natural têm pesos no IPCA de 6,47%; 0,24%; e, 1,36%, respectivamente. Com a elevação de 13,7%; 24,9%; e, 16,1% na mesma ordem, o aumento somado desses 3 itens no IPCA de março vai ser de 1,17 p.p., sem levar em consideração os demais itens da cesta. Com esse cenário, o resultado apresentado no Boletim Focus para o IPCA no final do ano subiu de 5,65% para 6,45%, um salto de 0,80 p.p., ainda tímido para o impacto que poderá ser sentido quando esse aumento começar a ser transferido para frete de produtos e produtos em si. Como os combustíveis são usados no frete de produtos comercializados no país e o principal modo de escoamento é o rodoviário, haverá um efeito multiplicador sobre os demais setores e o impacto poderá ser ainda maior e prolongado nos próximos meses, passando dos 7% no acumulado. Imagem projeção IPCA Por conta disso, a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central na quarta-feira deve trazer uma decisão de manutenção do aperto monetário, com uma elevação forte na SELIC. Isso foi visto, inclusive, na nova projeção também apresentada no Boletim Focus, de 12,75%. A única melhora que poderia ser visualizada, seria uma trégua na guerra Rússia x Ucrânia, que viesse a derrubar o preço do petróleo para patamares pré-guerra, diminuindo a disparidade do PPI da Petrobras em relação ao resto do mundo. Isso de fato aconteceu no início dessa semana.


13/03/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


11/03/2022

Auxílio Combustível, Mudança no ICMS e Conta de Estabilização de Preços

Após o forte reajuste de preços do Diesel e Gasolina que já eram esperados, o Congresso resolveu atrapalhar digo, trabalhar, para modificar a precificação dos combustíveis no Brasil, aprovando 2 projetos. A Petrobras, que vinha desde 12 de janeiro sem promover os repasses do aumento do petróleo aqui no Brasil, resolveu fazer isso ontem, reajustando a gasolina em 18,8% e o diesel em 24,9% ainda abaixo do tamanho da defasagem e mantendo sua Política de Paridade Internacional. Com isso, o Congresso resolveu acelerar a votação de 2 projetos que se propõem a melhorar a situação dos combustíveis. Na Câmara, foi aprovado um projeto que deixa o ICMS nominal e fixo em Reais por litro, não mais uma alíquota, deixando de aumentar com o preço do combustível. O congelamento do ICMS diminuirá a arrecadação dos estados, que são contra a medida. Mas, se os preços caírem, o peso do ICMS será maior, já que agora será fixo. O PIS/Cofins foi desonerado para o diesel e gás natural até o fim do ano, um subsídio, de mais de R$ 19,5 Bilhões. O Senado aprovou outro projeto que cria o Auxílio Combustível, atrelado ao Auxílio Brasil, de até R$ 300,00 por mês para taxistas, motoristas e motociclistas de aplicativos e outros que comprovem o uso como atividade remunerada e tenham renda familiar de até 3 salários mínimos. O Auxílio terá um custo de R$ 3 Bilhões ao Tesouro e vai depender de disponibilidade orçamentária. Além disso, ainda está sendo discutido se poderá ser aplicado esse ano por conta da Lei das Eleições, que impede implantação de benefícios federais em ano de eleição presidencial. O mais preocupante, porém, é a criação de um programa de estabilização de tarifas, onde o Senado propõe alterar a política de precificação da Petrobras, na tentativa de amenizar a oscilação de preços. A proposta cria uma banda móvel de variação de preços dos combustíveis. As compensações de diferenças de preços nacionais x internacionais irão suavizar os reajustes ao longo do tempo e o fundo será composto por royalties e dividendos da Petrobras. Felizmente, retiraram do projeto a ideia errônea de tributar as exportações de petróleo bruto. Mais uma vez o Congresso insiste num caminho que não vai resolver o problema, trazendo distorções ao mercado. Ao invés de fazer a importante Reforma Tributária e abrir mais o mercado para a concorrência, essas medidas trazem mais incertezas ao setor e afastam investidores.


10/03/2022

Realidade muda e União Europeia agora precisa do Acordo com o Mercosul

A invasão russa à Ucrânia trouxe à tona uma preocupação que os europeus não levavam a sério: a forte dependência de importações de commodities russas. Agora a UE precisa resolver o acordo com o Mercosul. O Acordo Mercosul-UE de livre comércio fechado em junho de 2019 após 20 anos de tratativas, traz benefícios para o Brasil, com o acesso a um mercado com 25% do PIB mundial, mas que ainda se situa como o 8º destino das nossas exportações e que vem caindo ao longo dos anos. O acordo pode representar um acréscimo de mais de US$ 87,5 Bilhões ao PIB brasileiro em 15 anos, com aumento de US$ 100 Bilhões em exportações brasileiras para a UE e Investimento Estrangeiro Direto europeu acima de US$ 113 Bilhões na economia brasileira, no mesmo período. Apesar do Brasil e demais países do Mercosul terem evoluído com a ratificação do acordo, a União Europeia está travando o avanço, por conta de preocupações ambientais referentes, principalmente, ao desmatamento das florestas em território brasileiro, sem mudanças recentes. A configuração geopolítica agora mudou. A UE não pode se valer somente da dependência de importações russas de commodities agrícolas, minerais e energéticas, e retomou conversas com outros acordos que vem desenvolvendo com o Chile, México e Canadá. Mas, e o Mercosul, como fica? Em comparação aos demais acordos, a relevância econômica para a UE do acordo com o Mercosul é muito superior aos demais países em andamento. O Brasil e a Argentina podem atender muitas das demandas por importações de alimentos, combustíveis e minerais que os europeus precisam. A preocupação ambientalista é importante, mas pode ser melhorada pela UE ao incluir programas de apoio e acompanhamento no Brasil, com restrições a importações de origem ilegal e incentivando a preservação ambiental. O contexto pode servir para que o acordo finalmente avance.


09/03/2022

Preço do níquel dispara e pode deixar carros elétricos mais caros

O preço subiu mais de 111% na Bolsa de Londres, que suspendeu e depois encerrou a negociação do metal. O aumento do preço impacta no custo de fabricação das baterias dos carros elétricos e pode beneficiar a Vale. A Rússia tem a maior produção mundial de níquel de alta qualidade no mundo e a guerra fez com que o preço dessa commodity também reagisse aos embargos econômicos que o país vem sofrendo, saindo de US$ 25 mil por tonelada para mais de US$ 42.200 essa semana, mais de 111%. O metal é essencial para a transição energética que o mundo está passando e o seu preço médio no ano de 2021, US$ 18 mil, já era o dobro do preço histórico médio, US$ 9 mil. Agora, novos players podem ver lucros positivos para justificar o foco no mercado. Um deles é a Vale. A Vale é conhecida como uma grande produtora de minério de ferro, onde, de fato, 83% da sua receita vem da extração desse minério. O restante vem da exploração de minérios não ferrosos, como cobre, alumínio e zinco. Com a margem atual de lucro, o níquel deve assumir relevância. A Vale detém unidades no Canadá, Indonésia e no Brasil e pode vir a fazer uma oferta inicial de ações desse braço na B3, dissociando o níquel da atividade principal, mas com potencial de vasto crescimento devido à transição verde da economia, que continuará aumentando a demanda. Essa é uma situação bem diferente daquela sofrida pela Petrobras. Como a Vale foi privatizada, não sofre influências políticas na formação do seu preço e pode diversificar as atividades, apenas tendo que reportar aos seus investidores. o planejamento de longo prazo é possível. O valor de mercado está em R$ 516 Bilhões, R$ 75 a mais que a Petrobras. Petróleo e minério de ferro têm impactos diferentes na economia, mas como seria, caso a Vale fosse estatal e o Governo sofresse pressões para interferir no preço do níquel por conta dos carros elétricos?