PodCasts

24/02/2022

Invasão da Ucrânia traz incertezas aos mercados e mudanças de tendências

Os impactos das sanções econômicas à Rússia e um ambiente de incertezas irão impactar o crescimento mundial em 2021 e as expectativas inflacionárias, mexendo com o comportamento dos Bancos Centrais. Os EUA e a União Europeia já lançaram mão de diversas sanções econômicas contra importantes setores russos. As principais sanções afetam o sistema financeiro, como também procuram impactar políticos do governo. Bolsas russas e o Rublo despencaram com a fuga de investidores. O Ibovespa caiu mais de 2,46% e o Dólar subiu mais de 2,68% hoje refletindo o aumento das incertezas. O movimento é mundial, mediante uma expectativa de retração econômica por conta do aumento das incertezas. É provável que Ibovespa e Real se recuperem, mas não de imediato. O Brasil ainda não sofreu impactos negativos diretos dessa turbulência político-econômica. O maior impacto poderá ser sentido no agronegócio, através de possíveis sanções comerciais que venham a ser impostas no trade de fertilizantes, onde 30% das importações são russas. Por outro lado, Rússia e Ucrânia estão entre os 3 maiores exportadores de trigo, que pode afetar seu preço internacional. A Rússia tem participação importante nas exportações mundiais de milho e o preço futuro em Chicago subiu hoje, acompanhando as expectativas negativas. A soja pode também ser afetada, pois a Ucrânia produz e exporta óleo de girassol, um bem substituto da soja. Se restrições comerciais forem impostas, o mundo terá um impacto inflacionário significativo. Na minha opinião, um tiro no pé de governantes americano e europeus. Outro impacto mundial, mas com repercussão forte no Brasil, será no preço do barril de petróleo, que pode chegar aos US$ 150,00. Hoje passou dos US$ 100,00, patamar mais alto desde 2014. Isso poderá trazer mais inflação, direta e indiretamente, com o preço dos combustíveis. Outro ponto importante é que os EUA talvez retardem o processo de elevação dos juros mediante a queda na atividade econômica com as incertezas, enquanto o Brasil continua aumentando. Se isso realmente acontecer, o Dólar poderá cair nos próximos meses com a diferença de juros.


23/02/2022

Pacote de Bondades será anunciado após o Carnaval

O Ministro da Economia, Paulo Guedes, vem anunciando, em eventos que tem participado, que irá divulgar uma série de medidas para conter a diminuição do ritmo da economia brasileira em 2022, apontada por analistas de mercado. Segundo o Boletim FOCUS, divulgado semanalmente pelo Banco Central, a economia brasileira deve crescer somente 0,3% em 2022, mesmo após dados da arrecadação terem saltado mais de 16% em janeiro de 2022 e após um provável crescimento próximo de 5% em 2021. Fatores externos ajudam a explicar esse crescimento baixo, com desaceleração das principais economias mundiais e aumentos de juros para conter a inflação. Aqui no Brasil, também há um problema sério: temos um ano de eleições presidenciais com incertezas e juros mais altos. Então, Paulo Guedes tem divulgado, recentemente, uma série de mudanças que podem impulsionar o consumo das famílias durante esse ano. O IPI deve ser reduzido em 25%, diminuindo os preços dos produtos da linha branca, bem como automóveis e outros produtos industrializados. A redução do IPI terá um custo de R$ 20 Bilhões em queda de arrecadação. Ele também está propondo liberar R$ 30 Bilhões do FGTS para que os trabalhadores possam sacar esses recursos e quitar dívidas. Algo em torno de 40 milhões de trabalhadores poderão sacar até R$ 1.000,00. Outra proposta é de retomar o PRONAMPE e outros programas de crédito para MEIs, MPEs e Pequenas Empresas, usando recursos do Tesouro com fundos garantidores, como FGI, FAMPE e FGO, com o intuito de injetar mais de R$ 100 Bilhões na economia para capital de giro dessas empresas. Há, também, uma proposta de reajuste salarial para o funcionalismo público através de tíquete alimentação linear de R$ 400,00, que não traz peso sobre obrigações sociais e previdência. Dessa forma atenderia reinvindicações sobre a perda de renda com a inflação dos servidores. O ano de eleições sempre faz com que governantes procurem medidas que aumentam gastos e ajudam no curto prazo no crescimento econômico, pois ajudam na reeleição. É importante que essas medidas não aumentem o déficit fiscal ou o endividamento do país ou será ruim para a economia. Você acha que essas medidas deveriam ser permanentes?


22/02/2022

Tensão na Ucrânia se agrava com iminente invasão russa

Como isso pode afetar o Brasil? O Parlamento russo autorizou a invasão que pode acontecer a qualquer momento, pois Putin reconheceu como independentes, determinadas áreas da Ucrânia. EUA e UE lançaram sanções econômicas. O agravamento da situação na fronteira entre Rússia e Ucrânia derrubou boa parte das bolsas mundiais, inclusive na própria Rússia. Antes mesmo da iminente invasão, os EUA e a União Europeia já lançaram mão de diversas sanções econômicas contra setores importantes russos. As principais sanções afetam o sistema financeiro russo, bancos e relacionados terão restrições, como também procuram impactar políticos e representantes do governo russo. Gasodutos russos estão sofrendo perdas de certificações para atender países europeus, como a Alemanha. O Brasil ainda não sofreu impactos negativos dessa turbulência político-econômica. O maior impacto poderá ser sentido no agronegócio, através de possíveis sanções comerciais que venham a ser impostas no comércio de fertilizantes, onde 30% das importações brasileiras são russas. Outro impacto mundial, mas com repercussão no Brasil, será no preço do barril de petróleo, que pode chegar aos US$ 150,00. Isso poderá trazer mais inflação, diretamente no preço dos combustíveis e, indiretamente, num momento em que a expectativa é de redução nos próximos meses. No curtíssimo prazo, o impacto está sendo positivo. Enquanto investidores estão fugindo da Rússia, o Brasil se destaca como um destino substituto de investimentos dentre os emergentes. O Dólar continua caindo e a bolsa subindo com ingresso de investidores internacionais. Outro ponto importante, que alguns analistas já estão começando a colocar na mesa de discussão, é que os EUA talvez retardem o processo de elevação dos juros, enquanto o Brasil continua aumentando a SELIC. Se isso realmente acontecer, o Dólar pode cair mais nos próximos meses.


21/02/2022

A alta de 7,69% do Ibovespa em 2022 tem apenas 10 empresas responsáveis por 94,4% de sua alta até o momento

Os investidores internacionais têm entrado fortemente no mercado brasileiro, mas há explicações. O movimento é concentrado e pode mudar. Entenda melhor na minha análise. A entrada de investidores internacionais tem sido direcionada para empresas de valor, já consolidadas, com liquidez alta e exportadoras de matérias-primas ou do setor financeiro. Diferente das empresas de crescimento de longo prazo, de tecnologia, varejo on-line e fintechs. O crescimento de 7,69% do Ibovespa foi concentrado em 10 empresas, que respondem por 94,4% de sua alta com peso de 49,8% no índice. Das 90 empresas que compõem o índice, apenas 35 (39%) têm um desempenho acima do Ibovespa, concentradas em financeiro, matérias-primas e energia. O Ibovespa está com 30% de desconto, enquanto a maioria das bolsas internacionais tem um prêmio de 10%. Em termos relativos, o Brasil está barato. Os investidores internacionais já aportaram R$ 58 Bilhões em posição comprada no Brasil, incluindo o mercado à vista e o futuro. Na direção oposta, os investidores institucionais brasileiros retiraram mais de R$ 48 Bilhões da bolsa, reduzindo posições por conta da migração de muitos investidores para a renda fixa afetados pela forte elevação recente da SELIC, com resgates de posições em fundos de ações. Como o Banco Central se antecipou em relação aos demais países na elevação da taxa de juros, o movimento pode empurrar ainda mais o mercado. O Real tem se valorizado, beneficiando as ações brasileiras. Com a baixa da liquidez mundial, empresas de valor estão mais atrativas. A atratividade ajuda o Ibovespa, pois a maior parte das ações que compõem o índice é de empresas já consolidadas, Blue Chips, que não precisam de tempo de investimento para começar a dar retorno. Com juros mais altos, empresas de crescimento têm mais dificuldade em retorno.


21/02/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


18/02/2022

Paulo Guedes anuncia que R$100 Bilhões em crédito deverão ser colocados na economia

O anúncio da Medida Provisória deve ficar para depois do Carnaval, mas a proposta é usar o Tesouro como garantidor para novas operações de crédito. MEIs, MPEs e empresas de médio porte são alvo. Em evento com empresários essa semana, Paulo Guedes anunciou que já tem um projeto em formato de Medida Provisória pronto para anunciar e que só aguarda o Presidente Bolsonaro fazer o anúncio. O objetivo será de ajudar as empresas nesse ano que será mais difícil que 2021. O crédito será garantido pelo Tesouro com o FGO – Fundo Garantidor de Operações, administrado pelo Banco do Brasil, para empresas que faturam até R$ 4,8 milhões; e, do FGI – Fundo Garantidor para Investimentos, administrado pelo BNDES, para as que faturam até R$ 300 Milhões. Para os MEIs e trabalhadores informais, será o papel da Caixa criar um fundo que atenda esse público com recursos de microcrédito, atendendo principalmente os antigos beneficiados pelo Auxílio Emergencial. O SEBRAE deve entrar com o FANMPE, com R$ 600 Milhões em aval para MPEs. O problema atual é que a queda na atividade econômica com inflação e SELIC em alta dificultaram muito o acesso ao crédito para as empresas. O PRONAMPE foi lançado em 2020 e atendeu 49% dos bares e restaurante do país, mas 20% desses estão inadimplentes e o número tem aumentado. A primeira versão do PRONAMPE tinha juros equivalentes à taxa básica de juros da economia, a SELIC, mais 1,25% ao ano. O problema é que a Selic saiu de 2% ao ano, no início de 2021, para 10,75% e continuará aumentando. O custo total desse crédito saltou de 3,25% para 12%. A disponibilidade de crédito é importante, mas também é preciso revisar e repactuar as contratações que foram feitas no auge da pandemia. De lá para cá, muitos dos bares e restaurantes que pegaram esses empréstimos ainda não se recuperaram e o custo aumentou em mais de 4 vezes.


17/02/2022

Marco Legal da Energia Própria sancionado

Subsídio prorrogado até 2045 e novas regras de transição, que começam a partir de meados de 2023, irão alterar custos para geração própria. Ainda vale a pena fazer investimentos em geração própria a partir de energia fotovoltaica? Hoje, quem faz geração própria de energia, como da fonte fotovoltaica, recebe um subsídio ao não pagar pelo custo de distribuição. O consumidor gera energia, joga na rede da distribuidora e abate do seu consumo direto e de outros imóveis da pessoa, numa conta de compensação. Isso é diferente do consumidor em geral, que paga pela energia consumida, pelo custo da transmissão e pelos investimentos que uma distribuidora faz para montar a rede de distribuição. Por conta disso, a conta de energia incorpora esses custos de investimentos ao longo dos anos. O consumidor regular também está sujeito a variações nas bandeiras tarifárias, oriundas de fatores climáticos que podem acarretar na diminuição de capacidade de reservatórios em alguns meses do ano, como visto no final do ano passado. Políticas de preços também trazem impactos. O Marco sancionado mantém a isenção do custo de distribuição até 2045 para quem hoje gera sua própria energia. O marco trouxe segurança jurídica ao garantir o subsídio até um período superior ao da vida útil dos painéis solares, beneficiando quem já fez investimentos até hoje. O benefício será garantido, também, para aqueles que fizerem o investimento até os 12 meses subsequentes da lei, 07/01/2023. Dessa forma, não haverá uma correria para atender essa data. A partir dessa data, o consumidor será cobrado somente quando injetar energia na rede. Quem aderir entre 07/01/2023 e 07/07/2023, terá um desconto na quantidade injetada no sistema que subirá gradualmente, ano após ano, em 4,1%, chegando no máximo, em 2030, a 27%. Então, para cada 100 kwh injetados, terá um pagamento de 4,1 kwh para bancar a infraestrutura. Para quem aderir posteriormente, a regra é praticamente a mesma, mas caindo numa regra de transição mais curta, 24,3% em 2028. A partir dos anos seguintes, novas regras podem ser criadas, com risco de um desconto maior, pois a velocidade de adesão tem sido alta recentemente. O mercado vem crescendo rapidamente face a uma queda nos custos dos equipamentos e na forte elevação do custo da energia. Segundo a Absolar, dos mais de 89 milhões de consumidores de energia elétrica do País, 1,1% já faz uso da energia solar com muito espaço para crescer.


16/02/2022

TCU Dá aval para a privatização da Eletrobras

Após o 1º aval do processo de venda da estatal, outras etapas ainda precisam ser vencidas para que a operação seja realizada, possivelmente ainda nesse 1º semestre. Foram 6 votos a 1 para a continuidade. Quais os próximos passos? O governo vai transformar a Eletrobras numa empresa privada sem controlador definido através de uma capitalização da empresa, num modelo parecido com o que aconteceu com a Embraer. O governo abrirá mão do controle majoritário, 70% do capital votante, para ficar com 45%. Mesmo com 45% de participação, o modelo não permite voto para acionistas acima de 10% do capital. Os próximos passos virão da deliberação final do Tribunal de Contas da União (TCU) e convocação de uma assembleia dos acionistas para a aprovação da modelagem da oferta de ações. Após a aprovação de ontem pelo TCU dos valores da operação, como o bônus de outorga a ser pago pela Eletrobras para a União referente às 22 hidrelétricas da empresa, em 22/02 haverá a assembleia dos acionistas e em março uma 2ª reunião do TCU para aprovar o modelo de venda. O BNDES espera que a oferta de ações seja anunciada em março e a precificação ocorra em abril ou maio. A expectativa é que realmente ocorra nesse período, pois a turbulência política com as eleições deve se intensificar. Investidores pessoas física e jurídica poderão comprar. O valor mínimo deve ficar em R$ 1 mil e o máximo em R$ 1 Milhão, pulverizando a participação. Até 50% dos recursos do FGTS poderão ser utilizados, como na Petrobras e Vale. Empregados e aposentados da Eletrobras terão prioridade para adquirir até 10% do total das ações. O valor da Eletrobras deve ficar em R$ 67 Bilhões. R$ 25,3 Bilhões irão para a União; R$ 32 Bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético, para atenuar aumentos de tarifas e subsidiar políticas setoriais; e R$ 9,7 bilhões em investimentos para bacias hidrográficas.


15/02/2022

7 em cada 10 brasileiros moram em imóveis próprios

Dos 70% que têm imóveis próprios, 62% são imóveis quitados e 8% imóveis financiados. Esse percentual é maior nas regiões Norte (76%) e Nordeste (73%) e menor no Sudeste (67%) e Centro-Oeste (63%). Para 87% dos brasileiros entrevistados, a casa própria é um sonho de consumo. Numa avaliação de 0 a 10, ter uma casa própria como um dos aspectos mais importantes da vida teve nota 9,7, a mesma de ter uma profissão e acima de família (9,4) e ter um plano de saúde (9,2). O levantamento feito por QuintoAndar e Datafolha apontou que de toda a população do país, 70% já moram em imóveis próprios – 62% são quitados e 8% financiados –, 27% alugam o imóvel, e 3% moram em imóveis emprestados. Dos imóveis, 88% são casas, sendo 75% em ruas abertas. A pesquisa mostra que a maior parcela da população com imóveis quitados do Brasil está localizada na região N (76%), depois NE (73%), S (72%), SE (67%) e CO (65%). Entre as pessoas de 21 a 24 anos, 64% moram em imóvel próprio. Entre 45 e 59 anos, 74%; a partir dos 60 anos, 81%. Ao analisar o perfil de renda familiar, as famílias com 5 a 10 salários-mínimos são aquelas com mais imóveis próprios (71%) e as que mais financiam (10%). As famílias com até 2 salários-mínimos são as que menos têm imóveis próprios (60%) e que mais alugam (29%). O perfil também muda de acordo com a classificação econômica da população. Na classe A, 80% têm imóveis próprios e somente 4% financiados. Na B, destaca-se o maior % de imóveis financiados, 11%. E, na classe DE, menor % de imóveis próprios (56%) e maior de aluguel (33%). Esses dados são muito próximos aos resultados apresentados pela PNAD Contínua do IBGE e indicam para o governo e representantes do setor privado que mercados, renda e classes econômicas devem ser mais trabalhados em termos de políticas públicas e lançamento de novos produtos.


14/02/2022

E se a Rússia invadir a Ucrânia, quais os impactos econômicos no Brasil?

E se a Rússia invadir a Ucrânia, quais os impactos econômicos no Brasil? Os EUA têm reafirmado que uma invasão russa na Ucrânia está por acontecer a qualquer momento. Esse conflito iminente pode trazer impactos econômicos importantes no mundo e aqui no Brasil. Entenda melhor. As bolsas americanas e europeias têm apresentado forte oscilação negativa por conta da movimentação bélica que vem ocorrendo próximo à Ucrânia. O petróleo subiu novamente na semana passada em meio às incertezas que uma invasão pode trazer sobre retaliações às exportações russas. O impacto sobre o petróleo pode fazer com que o preço futuro chegue aos US$ 120,00. Isso vai trazer mais inflação mundial com a elevação dos preços da gasolina e do gás natural. Os juros americanos talvez caiam por conta da procura de investidores por títulos americanos. No Brasil, os impactos virão via aumento do preço dos combustíveis na inflação. O preço dos fertilizantes também pode aumentar, já que a Rússia responde por mais de 30% das importações, afetando o agronegócio e seus preços. O Real, pode até se valorizar com essa situação. A valorização do Real pode vir a acontecer, caso o Brasil continue elevando a SELIC e os juros dos títulos nos EUA caiam por conta do excesso de procura. A visita de Bolsonaro à Rússia tem sido muito criticada, mas pode ajudar a garantir o fornecimento de fertilizantes para cá. A relevância dessa visita realmente existe, mas o timing talvez não seja dos melhores. Ao longo do tempo as exportações brasileiras para a Rússia têm caído. Uma visita que gera acordos comerciais pode beneficiar vários setores brasileiros, permitindo acesso ao mercado russo.