PodCasts

30/12/2021

Marco Legal do Câmbio é sancionado e deve trazer mais facilidades no comércio exterior.

As novas medidas devem facilitar a aceitação do Real nos mercados internacionais. Hoje o Dólar é a Moeda Veículo mais aceita no mundo. Você sabe o que é Moeda Veículo e por que o Real não é? O Banco Central submeteu ao Congresso o projeto de lei, que depois de ser aprovado nas duas casas, foi sancionado sem vetos pelo Presidente Bolsonaro, facilitando as transações do comércio exterior no Brasil e ajudando o país a atender 2 itens que facilitam o ingresso na OCDE. Agora será possível abrir contas no Brasil em Dólar e demais moedas estrangeiras. Será permitido que bancos e instituições financeiras do país possam investir no exterior recursos captados lá fora ou no Brasil e facilita o uso do Real em contratos de comércio exterior. O BC irá regular essas inovações que incluem o aumento do limite de circulação com dinheiro em espécie em viagens internacionais dos atuais R$ 10.000,00 para US$ 10.000,00 e facilitando trocas de até US$ 500,00 entre pessoas físicas, alinhado com a prática internacional. Essas mudanças ajudam o Real a se tornar algo mais próximo de uma Moeda Veículo, pois a fácil conversibilidade para outras moedas é fundamental para que o Real possa ser amplamente aceito em outros países. Hoje o Real é de difícil conversão e aceitação em países mais remotos. O Dólar é a Moeda Veículo número um no mundo. Para onde você for, facilmente conseguirá converter o Dólar na moeda local daquele país, ou mesmo usar o Dólar para fazer pagamentos de compras efetuadas no país. O Real dificilmente atingirá a aceitação do Dólar, mas é um avanço.


29/12/2021

2021 tem ano recorde de Unicórnios brasileiros, com 10 startups que receberam investimentos bilionários.

O valor investido em 2021 foi de US$ 8,85 Bilhões. Com esse recorde, o Brasil agora tem 18 startups bilionárias, sem as empresas de capital aberto, chamadas de IPOgrifos. Com muitos recursos internacionais disponíveis, os investidores tiveram apetite em 2021 em startups brasileiras, aportando US$ 8,85 Bilhões, mais do que o dobro de 2020, onde US$ 3,659 foram aportados em unicórnios brasileiros e batendo 2019, quando 5 startups viraram unicórnios. O 1º unicórnio brasileiro foi o aplicativo de viagens 99 em 2017. De lá para cá, o Brasil chegou a 18 startups bilionárias, descartando as IPOgrifos que já estão listadas na B3 ou em bolsas americanas. Das 18, 7 são fintechs, mas em 2021 o varejo predominou com 3 unicórnios. São Paulo foi responsável por 7 unicórnios, Paraná teve 2 e Minas Gerais, 1. Desde 2017, somente um unicórnio veio de fora das regiões Sudeste e Sul, a cearense Arco Educação, que atingiu seu primeiro bilhão de dólares em 2018, antes de abrir capital na Bolsa de Nova York. A rodada de investimentos onde a startup vira um unicórnio é, via de regra, a quinta, a E. Mas nesse último ano, 5 startups se tornaram bilionárias nas rodadas C e D e 2 na B. Isso indica que há muita confiança no mercado brasileiro, mas também que o câmbio está ajudando. Outro contexto importante é que há muita liquidez no mercado internacional. Os Estados Unidos só irão finalizar os estímulos econômicos no ano que vem, encerrando o programa de compra de títulos em março e começando a elevar as taxas de juros, que hoje estão em zero. Por conta disso, fundos internacionais têm participado constantemente como investidores em startups brasileiras devido ao alto volume financeiro e a necessidade de investir. A japonesa SoftBank, por exemplo, investiu nas rodadas de 5 dos 10 unicórnios brasileiros de 2021. O mercado pode mudar em 2022, com um maior aperto monetário que surgirá com a inflação que preocupa mundialmente, reduzindo o apetite dos investidores. Ainda assim, muitos unicórnios ainda continuarão surgindo pois apresentam disrupções tecnológicas e ganhos potenciais futuros.


28/12/2021

Taxa de Desemprego mantém trajetória de queda, chegando aos 12,1% no trimestre encerrado em outubro.

O nível de desemprego ainda está acima do patamar pré-pandemia, de 11% em janeiro de 2020. O rendimento real dos trabalhadores atingiu seu menor nível na série histórica. Após atingir seu máximo da série histórica em março de 2021, com 14,9%, o desemprego tem apresentado uma trajetória de queda nos dados divulgados pelo IBGE. Nos meses de novembro e dezembro essa trajetória irá continuar por conta do fim do ano, puxado pelas vendas no comércio. Os trabalhadores por conta própria representaram quase metade da variação positiva de ocupados em um ano. Isso mostra que os empregos com carteira assinada, que vêm em 2º lugar, têm perdido cada vez mais relevância na economia brasileira, principalmente por conta do alto custo. O que chama mais a atenção, porém, é como o rendimento real dos trabalhadores caiu nesse período. A inflação alta, encerrando 2021 em 10%, corroeu a renda dos trabalhadores, que sazonalmente já cai nos últimos meses do ano, pois o salário-mínimo só é reajustado em janeiro. Como o salário-mínimo vai ser reajustado em janeiro levando em consideração a forte inflação de 2021 e há uma expectativa que o IPCA desacelere em 2022, essa queda pode ser revertida, mas há muita preocupação se o mercado de trabalho vai continuar se recuperando ou não em 2022.


27/12/2021

O Brexit trouxe mais benefícios ou prejuízos?

O referendo realizado em 2016 levou a uma saída do Reino Unido da Comunidade Econômica Europeia que somente se concretizou em 31/01/2020, após diversas tentativas da Primeira-Ministra Theresa May, substituída pelo Boris Johnson. Após a saída, teve início um período de negociação sobre como a relação entre o Reino Unido e os 27 países da Comunidade Econômica Europeia deveria ficar. O comércio exterior entre o país e o bloco teve impactos significativos, pois o Reino Unido depende do seu abastecimento. O impacto recente do COVID-19 trará uma queda de 2% no PIB do Reino Unido, mas o impacto causado pelo isolamento em relação à Europa deve fazer o PIB cair mais de 4% no médio prazo. O país vive agora as consequências do Brexit, onde sofre essa crise de desabastecimento. A expectativa de defensores do Brexit era que uma abertura de novos mercados, através de negociações internacionais ajudariam, trazendo ganhos, mas isso até agora não aconteceu. A partir de 2022, restrições ainda mais rígidas sobre a importação de alimentos entrarão em vigor. A saída definitiva do Reino Unido modificou as leis de imigração, dificultando a entrada de caminhões, responsáveis pela entrega de 95% do que é consumido no país. A entrada de trabalhadores oriundos da Romênia e Bulgária, que se sujeitavam a trabalhar em empregos que pagam pouco e são fisicamente mais demandantes diminuiu, gerando uma demanda crescente por milhões de empregos desse tipo. Por outro lado, a taxa de desemprego está elevada, com britânicos que não conseguem vagas. Esse cenário tem resultado em um aumento significativo da inflação, alimentada pela falta de insumos europeus, não mais disponíveis. A situação pode representar uma oportunidade para países exportadores de commodities, como o Brasil, mas negociações de acesso comercial a novos países levam tempo e o Brexit já aconteceu, trazendo danos.


27/12/2021

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


24/12/2021

Você sabia que mais da metade da energia prevista para entrar no sistema em 2022 será das fontes eólica e fotovoltaica?

As eólicas devem adicionar ao sistema em 2022 5,9 GW de capacidade instalada, enquanto a energia fotovoltaica será responsável por adicionais 3,1 GW. O protagonismo da geração alternativa na expansão da matriz elétrica é fundamental para trazer mais segurança ao sistema, afastando o risco de racionamentos e apagões por conta de falta de chuvas nas regiões das principais hidrelétricas do país, como foi o caso em 2021. As eólicas devem encerrar 2022 com uma capacidade instalada de 26,4 GW, acelerando o ritmo médio de crescimento anual de 4 GW que vem tendo desde 2018. O setor tem 80% da sua indústria nacionalizada, sofrendo menos impactos do aumento do câmbio e da logística internacional. Já a energia fotovoltaica tem apresentado um crescimento muito voltado à geração distribuída, com 62% da potência, contra 38% das usinas de grande porte. O segmento deve encerrar 2021 com 12,5 GW de capacidade, um crescimento de 50% na capacidade total em um único ano. Este é o 2º ano consecutivo que os sistemas de pequeno e médio porte superam as usinas de grande porte no mercado. A população tem investido muito mais do que as contratações federais nesse período recente e deve aumentar com a aprovação do Marco Legal para a geração própria. Câmbio alto, crise de contêineres, falta de insumos chineses, que dominam o mercado, e demanda internacional aquecida são algumas das preocupações no investimento em energia solar. Apesar disso, a previsão de contas 21% mais caras em 2022 ajuda a manter o mercado aquecido. A aprovação do Marco Legal vai trazer mais segurança jurídica. Hoje a geração distribuída tem 8,1 GW de capacidade e pode crescer mais 7 GW em 2022. Com isso, o número de sistemas de geração própria conectados à rede pode subir dos atuais 678 mil para seu primeiro milhão em 2022.


23/12/2021

Com menor orçamento para investimentos públicos da história para 2022, a solução é continuar investindo no PPI.

A previsão da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) é que 2022 tenha R$ 377 Bilhões em investimentos de 146 ativos de concessões e privatizações. De 2012 para cá, o investimento público caiu de R$ 200 Bilhões para R$ 44 Bilhões aprovados para 2022. Será o menor patamar da história e é uma consequência da falta de responsabilidade dos políticos envolvidos que priorizam gastos eleitorais, por exemplo, ao investimento. O lado positivo, todavia, vem do fato que não temos mais o “Brasil do PAC” do passado, onde o setor público protagonizava o investimento e financiava os campeões nacionais com recursos do BNDES e com muita corrupção envolvida e gerando um uso ineficiente dos recursos públicos. Hoje a iniciativa privada, com recursos do mercado de capitais, está à frente. A previsão para 2022 é que 146 ativos sejam leiloados, provavelmente no 1º semestre, nas áreas de portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, iluminação pública e outros, levantando R$ 377 Bilhões. Esses recursos serão alocados da maneira mais eficiente possível, pois terão o custo precificado pelo mercado e o risco assumido por investidores privados. O risco de mal uso será baixo por serem recursos privados e o aumento do endividamento do setor público será nulo. O retorno para o país será importante, pois as áreas envolvidas representam importantes gargalos de infraestrutura que serão vencidos. Assim, a economia brasileira ganhará em eficiência e competitividade, melhorando seu protagonismo internacional e crescendo mais. Os leilões e concessões têm encontrado investidores que acreditam no país, gerando ágio nos certames. Mas, para que a credibilidade continue, é preciso que reformas, como a administrativa e a tributária sejam aprovadas, inclusive liberando orçamento para investimentos públicos.


22/12/2021

Congresso aprova Orçamento de 2022 incluindo Fundo Eleitoral de R$ 4,9 Bilhões.

Além disso, aprovou R$ 16,5 Bilhões em emendas de relator e um déficit de R$ 79,3 Bilhões. O Auxílio Brasil terá R$ 89 Bilhões e o salário-mínimo terá reajuste para R$ 1.210,00 a partir de janeiro. Com a aprovação da PEC dos Precatórios, o governo conseguiu uma margem de R$ 131 Bilhões, onde R$ 110 Bilhões serão usados pelo Executivo. Desse valor, R$ 54,39 Bilhões serão para o Auxílio Brasil. O programa terá ao todo R$ 89 Bilhões reservados, pagando R$415,00 em média. A área da Saúde terá mais de R$ 147 bilhões e a Educação, mais de R$ 113 bilhões. Os deputados aprovaram a matéria com 358 votos contra 97; os senadores, com 51 votos contra 20. O valor destinado a investimentos, como infraestrutura, é o menor da história com R$44 Bilhões. O orçamento aprovado leva em consideração mudanças importantes nas variáveis macroeconômicas do cenário econômico para 2022, com redução do crescimento do PIB para 2,1%, IPCA de 4,7%, SELIC de 6,6% e câmbio de R$ 5,50, ainda bastante otimistas, o que devem trazer dificuldades. O orçamento conta com R$ 1,9 Bilhão de Vale-gás para custear 50% do gás de cozinha às famílias de baixa renda por 5 anos, atendendo 5,5 milhões de famílias. O BPC teve aumento de R$ 4,5 Bilhões para R$77,47 Bilhões e o Censo de 2022 foi garantido com um valor de R$ 2,2 Bilhões. As eleições terão um orçamento de R$ 4,9 Bilhões, redução dos R$ 5,7 Bilhões aprovados anteriormente. O Fundo Partidário terá uma verba de R$ 1,1 Bilhão, perfazendo um total de R$ 6 Bilhões para os políticos brasileiros, muito além das estimativas de R$ 2 Bilhões. As emendas parlamentares, que totalizaram 6.689 emendas individuais e coletivas, tiveram um orçamento aprovado de R$ 16,5 Bilhões, com R$ 4,68 Bi para a Saúde, R$ 1,25 Bi para Assistência Social, R$ 880 Milhões para educação básica e R$ 60 Milhões para esgotamento sanitário. O substitutivo do relator apresenta um déficit das contas públicas de R$ 79,3 Bilhões. É um valor inferior à meta prevista para a LDO 2022 de R$ 170,5 Bilhões, mas superior aos R$ 49,6 Bilhões previstos na Lei Orçamentária. Com o déficit, o equilíbrio fiscal continua distante.


21/12/2021

Embraer cada vez mais próxima de produzir carros voadores.

A fusão entre a Eve, da Embraer, e a Zanite Acquisition significa um passo importante para o seu plano de negócios no segmento de mobilidade aérea urbana (UAM) em veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL). A Eve terá seus negócios combinados com a Zanite formando a Eve Holding e será listada na Bolsa de Nova York no segundo trimestre de 2022. Com isso, as ações da Embraer subiram consideravelmente na B3 com a expectativa que esse novo segmento traga resultados significativos. A Eve tem valor de mercado de US$ 2,4 Bilhões e deverá chegar em 2030 com uma receita de US$ 4,5 Bilhões, ocupando 15% do mercado internacional. O fluxo de pedidos já chega a US$ 5,2 Bilhões, o equivalente a 1.735 unidades de eVTOLs através de cartas de intenção de 17 clientes. Com uma equipe que ficará em sua maior parte no Brasil, a Eve planeja ter certificado do carro voador em 2025, com começo de operação em 2026. Rio de Janeiro e São Paulo devem concentrar a maior demanda, com expectativas de 400 a 500 unidades somente em São Paulo. O mercado global potencial de mobilidade aérea urbana está estimado em US$ 119 Bilhões no ano de 2040 e vai exigir uma regulação específica para a mobilidade urbana por conta do tamanho e riscos que o mercado pode atingir em unidades e possível congestionamento aéreo. Uma simulação recente entre a Barra da Tijuca e o Aeroporto Tom Jobim no Rio de Janeiro apontou média de mais de 80% de ocupação com 630 passageiros diariamente de helicóptero. Com custos mais baixos e menor burocracia, os eVTOLs terão ainda mais espaço nesse mercado. Essa inovação em mobilidade poderá trazer uma revolução em diversos segmentos, inclusive no imobiliário, trazendo oportunidades para condomínios mais distantes dos grandes centros urbanos. A tecnologia do desenho animado dos Jetsons está cada vez mais próxima da nossa realidade.


20/12/2021

8 cidades brasileiras ainda concentram 25% do PIB brasileiro.

O IBGE atualizou o PIB dos municípios para o ano de 2019, mostrando a evolução da distribuição da produção e riqueza dos municípios brasileiros. Pouco mais de 1/3 (36,2%) do PIB estava em 25 cidades brasileiras. O PIB está concentrado nas cidades de São Paulo (10,3%), Rio de Janeiro (4,8%), Brasília (3,7%), Belo Horizonte (1,3%), Curitiba (1,3%) e Manaus, Porto Alegre e Osasco, com 1,1% cada. As capitais respondem por 31,4% do PIB total e Salvador vem em 1º no Nordeste, com 0,9%. Apesar disso, os dados mostram uma evolução na distribuição do PIB entre os municípios e regiões. Enquanto a região Sudeste teve queda de 4,4% entre 2002 e 2019, as demais regiões cresceram sua relevância em 1% nas regiões Norte e Sul, 1,1% na Nordeste e 1,3% na Centro-Oeste. Na análise regional, chama a atenção que Rio de Janeiro vem perdendo relevância na indústria de transformação, enquanto São Paulo também tem perdido espaço no setor de serviços, principalmente financeiros. O Centro-Oeste destaca-se pelo forte crescimento do agronegócio. As demais regiões têm demonstrado um crescimento que substitui a redução e descentralização da região Sudeste para esses outros estados mais distantes. O custo logístico e a necessidade de tornar o acesso aos produtos e serviços mais próximos e/ou just in time têm colaborado. As 10 maiores concentrações urbanas brasileiras compõem cerca de 42,8% do PIB, sendo elas: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Campinas, Salvador, Recife e Fortaleza. Apesar disso, a participação do PIB nas capitais vem diminuindo. O desenvolvimento regional é importante para diminuir os impactos sociais que a concentração econômica traz em algumas regiões. A falta de oportunidades sempre levou as pessoas a se deslocaram para o Sudeste atrás de oportunidades. Aos poucos, essa realidade tem mudado.