PodCasts

19/12/2021

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


17/12/2021

O mercado de crédito de carbono funciona a partir de metas que organizações internacionais e países determinam para si e para indústrias dentro de suas fronteiras.

Determinadas indústrias têm direito de poluir mais que outras e algumas conseguem reduzir mais, gerando créditos. Os créditos podem ser comercializados entre empresas dentro das suas fronteiras e em todo o mundo. Empresas e pessoas podem comprar créditos de carbono, neutralizando suas emissões. A comercialização serve como incentivo para o desenvolvimento de projetos ambientais. O mercado já ultrapassou o valor de US$ 200 Bilhões e o preço do crédito de carbono, que equivale a uma tonelada de dióxido de carbono, tem crescido exponencialmente, viabilizando muitos projetos que antes eram inviáveis por conta de seu alto valor de investimento inicial. A COP26 e outras reuniões internacionais sobre o meio ambiente demonstraram que o ritmo de aquecimento global está acelerando. As práticas de ESG se tornaram a área de maior interesse em investimentos de fundos internacionais bilionários em busca de uma menor pegada ambiental. O processo de cálculo e compensação representa uma oportunidade de negócios e investimentos que ajudam a preservar as matas, rios e nossa costa, certificando as empresas que fazem essa compensação voluntariamente. O potencial de investimentos no Brasil é bilionário. O ritmo de redução na velocidade do aquecimento global é importante, mas não dá para todas as empresas reduzirem a sua poluição ao mesmo tempo. A mudança de combustíveis fósseis para renováveis, por exemplo, tem limitações de curto prazo. Por isso que o mercado foi criado. A expectativa é que se movimente algo em torno de US$ 100 Bilhões até 2030 somente no Brasil. Hoje, as empresas utilizam créditos de carbono de forma voluntária. Mas há projetos em discussão, inclusive no Congresso brasileiro, para regulamentar e exigir a compensação. O Brasil tem um papel importante, através das suas florestas, que geram crédito de carbono a ser comercializado, mas também da implantação cada vez maior de energias renováveis, como a eólica e a fotovoltaica. É importante entender que é possível produzir e preservar.


16/12/2021

A inflação, que não é mais transitória, vai fazer as taxas de juros americanas subirem 3 vezes em 2022.

O Federal Reserve (FED, Banco Central americano) passou a sinalizar um caminho mais hawkish (contracionista) com juros mais altos em 2022. Como isso pode afetar o Brasil? Na última reunião de 2021, o FED resolveu acelerar o tapering, ritmo de redução da compra de ativos, de US$ 15 Bilhões para US$ 30 Bilhões mensais, a partir de janeiro. Dessa forma, o FED irá deixar de comprar ativos financeiros em março, encerrando esse estímulo monetário. Ao mesmo tempo, o FED sinalizou indiretamente que poderá aumentar os juros básicos da economia americana logo após o encerramento do tapering. Os analistas apostam agora em 3 elevações de 0,25 p.p. cada, fazendo com que os juros encerrem 2022 entre 0,75% e 1,00%. Essa mudança irá trazer impactos significativos na conjuntura econômica internacional. Desde 15/03/20 que a taxa de juros nos EUA está em 0,25% para estimular a economia, via empregos, ganhos salariais e inflação. E isso deixou o Dólar desvalorizado em relação às demais moedas. Agora, os títulos americanos, que detém classificação alta, vão se tornar mais atrativos aos investidores internacionais, o que deve fortalecer a moeda americana à medida que fundos de pensão bilionários passarem a migrar para esses títulos. Haverá uma valorização do Dólar. O mundo poderá entrar em uma onda contracionista temporária até ajustar a questão inflacionária. O Banco Central da Inglaterra decidiu aumentar sua taxa de juros para 0,25% e outros países seguirão no mesmo caminho. O Brasil continuará elevando sua taxa até chegar em 12% ao ano. Os efeitos serão sentidos nos preços das commodities minerais, agrícolas e combustíveis. Enquanto a pandemia desorganizou as cadeias produtivas e o fornecimento de insumos, o ciclo contracionista poderá ser o remédio amargo para controlar a inflação, com crescimento menor. O Brasil será afetado duplamente, com uma SELIC muito alta e com os efeitos na queda do ritmo de crescimento mundial. O setor exportador poderá sentir o impacto do freio ou até mesmo queda nos preços internacionais das commodities exportadas, além do crédito interno mais caro.


15/12/2021

Afinal de contas, Eletrobras e Correios serão privatizados?

O TCU pediu mudanças no processo de desestatização da Eletrobras e a MP da privatização dos Correios empacou no Senado. Ambas as privatizações foram empurradas para 2022 e talvez nem saiam por ser um ano de eleições. A MP da Eletrobras virou uma criação de jabutis como, por exemplo, no que se refere a obrigação da estatal depois de privatizada em contratar termelétricas a gás na região Nordeste onde elas não existem ou não há infraestrutura. Isso poderá aumentar o custo para os consumidores. Os ministros do TCU empurraram a decisão sobre a MP da Eletrobras para 2022 em sua última sessão deste ano, após pedido de vistas de um dos ministros. Mas o relator também questionou diversos pontos que precisam de maior detalhamento e comprovações de viabilidade técnica. Já a MP da privatização dos Correios foi aprovada em agosto na Câmara dos Deputados, mas sofre muita resistência no Senado, que teve muita turbulência com a aprovação da PEC dos Precatórios. O desgaste político causado nessa aprovação talvez comprometa o avanço da privatização. Como 2022 é um ano de eleições e há 98,1 mil servidores nos Correios e 12,9 mil na Eletrobras, a probabilidade dessas privatizações não avançarem é muito alta. Nos Correios, principalmente, pois a pressão política de sindicatos de servidores pode trazer preocupações ao Senado. No caso da Eletrobras, a privatização é de fundamental importância para que os investimentos no setor elétrico. A Eletrobras não tem capacidade de investimentos em volume que atenda a necessidade de expansão, que pode prejudicar a economia como um todo, com escassez de energia. Os Correios seguem no mesmo caminho, mas com um componente adicional, a falta de competitividade com as empresas do setor privado. O modelo aprovado na Câmara traz melhorias significativas na entrega de correspondências e a privatização vai ajudar substancialmente o e-commerce.


14/12/2021

Recuperação do Setor de Serviços ainda está difícil.

Queda de 1,2% em outubro mostra, por outro lado, que o setor pode surpreender positivamente em 2022. Você sabe por que esse setor deve ser acompanhado tão de perto? Até mesmo mais de perto que a indústria? O Setor de Serviços apresentou a segunda queda seguida, após um crescimento de abril a agosto. No acumulado de 12 meses, o crescimento ainda está alto, em 8,2%. A queda na renda real das famílias e a forte inflação foram os principais responsáveis pela perda de tração do setor. O setor é muito importante pois responde por mais de 70% dos PIBs do Brasil e de Pernambuco e é o que mais contrata, principalmente mão de obra informal. Sua recuperação ajuda na queda da taxa de desemprego e movimenta todos os demais setores da economia, com fortes conexões. É preciso acompanhar de perto os subsetores Serviços Prestados às Famílias e Outros Serviços, pois têm o maior peso na composição do setor. Mais importante: eles ainda se encontram abaixo do nível pré-pandemia, indicando que ainda há muito espaço de recuperação para o país. O Setor de Serviços salvou o PIB do 3º trimestre de uma queda mais forte, com seu crescimento de 1,1%. Agricultura despencou e Indústria ficou estável. Espera-se um desempenho melhor no 4º trimestre, impulsionado pelos eventos, turismo e comemorações impulsionados pelo 13º. No ano que vem, o seu comportamento será decisivo para que a economia brasileira tenha um desempenho melhor que o atualmente projetado pelo mercado financeiro, crescimento fraco de 0,5%. A maior flexibilização das atividades sociais será determinante para que isso aconteça.


13/12/2021

Novo Marco das Ferrovias vai destravar investimentos privados no setor, com potencial de R$ 113 Bilhões em investimentos.

O Ministério da Infraestrutura informou que já foram protocolados 42 requerimentos para operação via autorização, correspondendo a ampliação de 7,78 mil kms. As ferrovias brasileiras ficaram perdidas no tempo. Enquanto os países do BRICS e os EUA investem muito nesse modal de escoamento de produtos e insumos, o Brasil tem a menor concentração de todos. Nos EUA, há 29,8 kms de trilhos para cada 1.000km2, no Brasil, 3,4. A opção pelo modal rodoviário faz o agronegócio brasileiro perder em competitividade para os seus principais concorrentes, como a Argentina e os EUA, pois se somos muito eficientes até a porta da fazenda, perdemos a partir dela até o consumidor final, com custos elevados. O Novo Marco vai criar um modelo de investimentos a partir da modalidade de autorização, sem predeterminação estatal referente à localização, extensão ou outras características. Agronegócio e mineração poderão investir em trechos de ferrovias ao invés de todo o percurso. Hoje, somente 25% das vias estão em plena operação e 46% estão com o tráfego baixo. A subutilização faz com que 29% das vias estejam sem operação comercial. O governo prevê um investimento, de imediato, na ordem de R$ 80 Bilhões, e redução do frete ferroviário em até 40%. A autorização para exploração poderá ser realizada por contratos de 25 a 99 anos e as operadoras de ferrovias com transporte de passageiros poderão ter outros imóveis na linha, oferecendo outros serviços como fonte adicional de renda, reduzindo a necessidade de subsídios. Com o aumento da malha ferroviária, o Brasil vai se tornar mais competitivo, podendo ter acesso ao mercado asiático, por exemplo, com preços que hoje perdem para os concorrentes americanos na exportação de commodities de baixo valor agregado como soja, milho e minério de ferro.


12/12/2021

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


10/12/2021

Ritmo de crescimento da inflação diminui em novembro, mas ainda está longe de começar a ceder.

O IPCA de 0,95% em novembro foi o maior desde 2015 e, no acumulado de 12 meses, chegou a 10,74%, sendo o maior nível desde novembro de 2003, quando bateu o patamar de 11,03%. No ano de 2021, o IPCA agora acumula alta de 9,26%, quase o dobro do Teto da Meta definida pelo Banco Central para 2021, 5,25%. Dos nove grupos pesquisados, sete apresentaram alta. A maior variação e o maior impacto, com 0,72 p.p., veio do grupo Transportes, que inclui a gasolina. A gasolina, sozinha teve uma contribuição de 0,46 p.p. no IPCA de novembro por conta de sua elevação de 7,38% no período. Etanol (10,53%), diesel (7,48%) e gás veicular (4,30%) seguiram na mesma linha. A gasolina acumula uma alta de 50,78% em 12 meses e tem um peso importante. Com a forte atuação do Banco Central, que deve continuar elevando a SELIC em 2022 até o patamar de 11,75% ao ano, o Dólar deve se comportar melhor, ajudando no preço dos bens importados e das commodities exportáveis. Essa situação deve apresentar melhoras de abril adiante. Mas o controle da inflação irá trazer um custo significativo para o desempenho da economia, diminuindo muito o ritmo de recuperação de vários setores que dependem do crédito e dos financiamentos, como a construção civil e as indústrias automotiva e de eletrodomésticos.


09/12/2021

Nubank tem seu IPO precificado em US$ 9,00 e se torna o banco de maior valor na América Latina.

Itaú e Bradesco vêm em seguida. Com esse valor, o Nubank vai ser a quarta maior empresa em valor na B3, atrás apenas de Petrobras, Vale e Ambev. Mas por que esse valor todo mesmo? O Nubank nasceu da sociedade entre um colombiano, David Vélez, uma brasileira, Cristina Junqueira, e um americano, Ed Wible, em 2004, quando o David Vélez tentou abrir uma conta num banco e não conseguiu, tamanha a burocracia. Eles criaram o Nubank, simplificando tudo. O valor projetado de mercado de estreia na NYSE é de US$ 41,5 Bilhões, acima dos US$ 37,7 Bilhões do Itaú e dos US$ 33,3 Bilhões do Bradesco. No início, o banco funcionava na casa de um dos sócios e os principais clientes eram os seus poucos funcionários. Hoje tem 48 milhões. Apesar do grande número de clientes, o Nubank ainda opera no prejuízo, mas para fintechs isso não é mal avaliado pelo mercado. Os múltiplos considerando sua rentabilidade são muito maiores que os bancos tradicionais, que gira em torno de 1,2 a 1,5x o valor patrimonial na bolsa. Num passo inovador, o Nubank distribuiu 7,5 milhões de BDRs (recibo de ações) aos seus clientes, num valor de R$ 63,18 Milhões. Esse número representa mais do que o total de investidores da B3 hoje, levando uma quantidade relevante de novos CPFs para a Bolsa Brasileira. As fintechs têm trazido uma nova dinâmica ao mercado financeiro tradicional, que estava até então, concentrado nas mãos de uns poucos bancões. Essa mudança recente tem apoio do Banco Central, através de flexibilizações quanto à sua governança, mas pode mudar no futuro.


08/12/2021

Comitê de Política Monetária eleva SELIC em 1,5 p.p. para 9,25% ao ano.

O COPOM confirmou a expectativa do mercado em sua última reunião do ano e deixou a porta aberta para novas elevações em 2022, com o intuito de combater a inflação, que ainda segue pressionando a economia. Mas fica o questionamento: como o COPOM irá se comportar com o fraco desempenho da economia nos últimos meses e expectativas ainda mais fracas de crescimento para 2022? A projeção de SELIC mais alta traz um freio importante nos investimentos e consumo, um problema em 2022. A previsão é que a SELIC seja elevada novamente na primeira reunião de 2022, de fevereiro, em 1,5 p.p., seguido por nova elevação em março de 0,75 p.p. e última elevação em maio, de 0,25 p.p. Assim, encerrando o ciclo contracionista em 11,75% ao ano até o fim de 2022. Um aumento tão expressivo tem impacto importante para mostrar que o Banco Central tem objetivo bem definido de controlar a inflação, mas traz consequências importantes sobre a atividade econômica. O resultado dos últimos 2 trimestres nos colocou em recessão técnica e vai piorar. A previsão para 2022, de acordo com o Boletim FOCUS, é de um crescimento de 0,51%, o que indica momentos de contração da economia brasileira para determinados trimestres ainda mais fortes que os de 2021. Os dados mais recentes de varejo e indústria já indicam isso. Outro ponto importante é que a inflação está no lado da oferta e tem atingido o mundo como um todo, como consequência da desorganização das cadeias de insumos pós-covid. Aumentos excessivos na SELIC são usados para conter a demanda, mas não têm efeito sobre a oferta. O cenário econômico fraco de 2022 poderá levar o COPOM a repensar essa previsão excessivamente contracionista para a economia brasileira. Mas para que isso aconteça, é preciso abandonar a cartilha que rege o comportamento do Banco Central, pelo menos temporariamente.