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02/11/2021

Brasil e mais de 100 países assinam acordo na COP26 para acabar com desmatamento até 2030.

Essa iniciativa terá um fundo de US$ 20 Bilhões com recursos públicos e privados para proteger e restaurar florestas em todo o mundo. Esse acordo será cumprido pelos países que aderiram? O acordo não é inédito. Em 2014, o mesmo tipo de acordo foi assinado em Nova York, tendo 2030 também como meta. Mas, na ocasião, China, Rússia e Brasil não assinaram. Desta vez, o apoio dos 3 foi fundamental para que o acordo tenha mais relevância e abrangência. Os recursos do fundo serão usados para os países combaterem eventos climáticos, como incêndios, e para restaurar florestas. Os recursos também ajudarão as tribos indígenas a proteger suas terras e servirão para melhorar os sistemas de rastreamento de extração ilegal de madeira. Do total, US$ 12,8 Bilhões de recursos públicos virão de 12 países e serão alocados entre 2021 e 2025. O setor privado irá contribuir com US$ 7,2 Bilhões, onde US$ 2 Bilhões serão repassados pelo Bezos Earth Fund, de Jeff Bezos, da Amazon. Outras 30 empresas irão contribuir. Esse compromisso firmado é muito importante para o Brasil. Acusado frequentemente de ser irresponsável na proteção da Amazônia, ter um acordo firmado com uma abrangência significativa de países que passam pelos mesmos tipos de problemas, ajuda o Brasil a melhorar sua reputação. Para o Brasil, quanto mais países assinarem esses tipos de compromissos, melhor. O combate aos investimentos em commodities que causam o desmatamento deve ser feito em todo o mundo, nivelando todos os países no mesmo compromisso. Dessa forma, não há desvios de competitividade. Com isso, o agronegócio brasileiro, que tem compromisso com a responsabilidade ambiental, terá mais segurança para acesso aos mercados, comprovado pelo acordo assinado. Caberá aos compradores internacionais exigir a execução do acordo em suas importações de commodities.


01/11/2021

Brasil vai entrar em estagflação?

Inflação de 2 dígitos e crescimento fraco em 2022 são alguns indicadores que a economia brasileira poderia estar entrando em um período de inflação alta com crescimento nulo ou negativo. Este é o fenômeno econômico chamado de “pior de 2 mundos”. Estagflação é um evento econômico onde o país passa por inflação alta e crescimento econômico estagnado, acompanhado por altas taxas de desemprego. O termo, criado pelo britânico Ian Macleod em 1965, traz um duplo impacto para o cidadão, sem emprego e pagando caro por produtos. Essa situação é particularmente complicada para os Bancos Centrais e Governos, pois precisam manter os preços controlados e impulsionar o crescimento econômico. Mas, para controlar os preços, o BC precisa aumentar juros, que desaceleram o crescimento e aumentam o desemprego. Como não é possível implementar as 2 políticas ao mesmo tempo, não há uma solução óbvia que a política macroeconômica possa tomar. Foi o que aconteceu nos anos 70, com a crise do petróleo. A inflação da restrição da oferta de petróleo derrubou o crescimento econômico dos países. No momento atual, o Brasil passa por uma situação temporária de inflação causada pela pandemia, que restringiu a oferta de diversos produtos e ainda por conta dos excessos de estímulos monetários para combater os impactos econômicos da pandemia, que inflaram consumo e preços. A economia brasileira vai crescer aproximadamente 5% esse ano e 1% em 2022. Portanto, pode até passar por trimestres de queda no PIB, mas não estará em recessão durante esse período. Pelo contrário, há estímulos que podem reverter a expectativa de crescimento fraco no período. O Auxílio Brasil vai trazer consumo que gera produção e investimentos; a eleição vai fazer com que muitos gestores iniciem e executem obras de infraestrutura, movimentando a economia; e, há uma agenda de leilões, concessões e privatizações que irão movimentar a economia em 2022.


31/10/2021

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


29/10/2021

Os investidores internacionais acreditam no Brasil.

Por que não conseguimos um crescimento mais forte? A OCDE divulgou que, no 1º semestre de 2021, o Brasil retomou o 6º lugar dentre os destinos mundiais para o IED – Investimento Estrangeiro Direto, posição de antes da pandemia. O Brasil se destaca entre os mais importantes destinos para o IED e não é de hoje. Está atrás apenas de China, EUA, Reino Unido, Canadá e Índia. Há várias décadas que multinacionais investem aqui no país, mesmo com todos os problemas estruturais que já conhecemos. Esse tipo de investimento é muito importante, pois gera empregos e renda e tem uma característica de longo prazo. Ou seja, não vai sair do país da noite para o dia, como acontece com os investimentos especulativos, que são movidos por retornos altos para riscos elevados. O que diferencia o apetite dos investidores internacionais pelo mercado brasileiro dos investidores nacionais? por que o Brasil não cresce de maneira mais forte com investimento doméstico? Entraves estruturais, conhecidos, deixam os brasileiros mais temerosos que os estrangeiros. Mas o dinheiro lá fora está mais disponível e custa bem menos que aqui. Além disso, países emergentes têm uma possibilidade de crescimento econômico mais elevado que as nações desenvolvidas que ajuda a gerar maiores retornos sobre o investimento, mesmo com riscos mais elevados. Por conta disso, o Brasil recebeu US$ 23 Bilhões em IED no 1º Semestre de 2021, US$ 7 Bilhões a mais que no 2º semestre de 2020, ou 2,64% do fluxo mundial e tem um estoque de US$ 608 Bilhões implantados na economia, equivalentes a 42,4% do PIB, comparado a 37,6% de um ano antes.


28/10/2021

Com a SELIC a 7,75%, como fica a rentabilidade dos seus investimentos?

Na decisão do COPOM em elevar a taxa de juros básica da economia para esse patamar, investimentos em renda fixa, como poupança, Tesouro SELIC, CDB, LCA e LCI melhoram a rentabilidade, mas ganham da inflação? A elevação da SELIC mexe diretamente na rentabilidade desses fundos, mas o problema é que a inflação está pressionada. No acumulado de 12 meses já chegou aos 10,25% em setembro. Com isso, os juros reais (SELIC descontada a inflação) estão negativos, impactando a Renda Fixa. Quando se observa o desempenho da poupança, que teve saques de mais de R$ 23 Bilhões em 2021, a perda acumulada já supera os 7,46%. Vale a pena lembrar que a partir da próxima reunião do COPOM, a poupança vai voltar a remunerar 0,5% + TR, com a SELIC indo para 8,75%. Os demais rendimentos de Renda Fixa até apresentam um desempenho menos ruim que o da poupança, mas ainda assim estão no negativo nesse ano por conta da forte inflação que o país está passando. Vale destacar que os CDBs dos grandes bancos apresentam os piores desempenhos. Para 2022, o cenário muda. Enquanto o BC estiver combatendo a inflação e ela ceder ao longo do ano, a SELIC vai se manter elevada, com previsão de chegar a dois dígitos. A inflação vai convergir para algo próximo de 5% até o fim do ano, trazendo rentabilidade à Renda Fixa. O ideal mesmo é pensar em investimentos em Renda Variável, como ações e Fundos de Investimentos. Mas é importante pensar neles como investimentos de longo prazo, pois sofrem muita volatilidade no curto prazo, mas ganham dos investimentos de Renda Fixa num horizonte maior.


27/10/2021

O Banco Central vai conseguir controlar a inflação com a SELIC mais alta?

Na reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) do BC, a SELIC foi elevada em 1,5 p.p. para 7,75% surpreendendo as expectativas de mercado de 1,25 p.p. e com a indicação de mesma elevação em dezembro. O comunicado do COPOM indica que houve uma deterioração no balanço de riscos e do aumento de suas projeções, ou seja, para a inflação convergir para a meta do ano que vem, o ritmo de ajuste precisou ser intensificado, com maior aperto monetário no território contracionista. O COPOM indicou que a SELIC deve atingir o patamar de 9,75% em 2022 para controlar a inflação. Essas previsões, segundo o COPOM, poderão ser repensadas, a depender do comportamento das variáveis macroeconômicas observadas por eles, como IPCA, câmbio e situação fiscal. O prolongamento da política fiscal de combate à pandemia, o Auxílio Brasil, promove um risco fiscal adicional que fez o COPOM aumentar a intensidade das elevações da SELIC por conta da demanda agregada mais pressionada. Ou seja, a mudança da semana passada impactou a decisão. Os dados recentes, como a forte elevação do IPCA-15 em 1,20% para outubro, maior elevação desde 1995, pesaram, também, na decisão do COPOM. Essa pressão vem de componentes mais voláteis, exógenos, mas existe uma preocupação com os itens que representam o núcleo da inflação. A resposta para a pergunta: o BC não necessariamente vai conseguir controlar a inflação, se depender de componentes exógenos, fora de controle. Mas ele faz o seu papel em impedir que a inflação contamine os núcleos da sua composição, sendo contracionista em sua atuação.


26/10/2021

Quem é o culpado pelo preço da gasolina estar tão alto?

Com esse último reajuste, a gasolina agora acumula um aumento de 73,4% em 2021. E o pior: esses aumentos contribuem para que outros itens no IPCA sejam inflacionados, pois dependem do frete rodoviário, também mais alto. De acordo com a política de preços flutuantes adotada pela Petrobras, desde 2016, a variação nos preços internacionais é repassada para os preços domésticos e o câmbio entra também nesse cálculo, já que o preço do barril é determinado em dólar no mercado internacional. O câmbio teve uma valorização de mais de 50% do período pré-pandemia para a cotação atual, por diversos motivos, como riscos fiscais e políticos, por exemplo. O Dólar deveria estar abaixo dos R$5,00, devido ao saldo comercial positivo recorde em 2021 que ajudaria o Real. Já o preço do barril de petróleo, este teve uma forte elevação, puxada pela retomada das economias mundiais e a falta de investimentos nos últimos anos, guiada por uma onda ide transição para tecnologias verdes, se situando atualmente no maior patamar dos últimos 5 anos. A Petrobras, na realidade, ainda não repassou todos os reajustes que poderia ter repassado levando em consideração os fatores câmbio e preço internacional. Os preços da Petrobras estão abaixo dos seus concorrentes internacionais, mas sem levar o câmbio em consideração no Brasil. Outro fator que impacta no preço é a alta tributação sobre a venda ao cliente final. Com uma tributação de 42,5% em média, de cada R$150,00 pagos para abastecer o seu veículo, você paga R$ 63,75 de impostos, sendo R$ 44,25 (29,5%) de ICMS e R$ 19,50 (13%) de CIDE/PIS/COFINS. Não há como mudar as regras impondo perdas significativas aos estados que, em sua maioria, têm grande parte de sua arrecadação oriunda da venda de combustíveis. Somente a Reforma Tributária resolveria o problema, reduzindo a carga com um Imposto Sobre Valor Agregado (IVA). Outra solução importante é promover a privatização da Petrobras, mas desde que ela seja fatiada em partes e se promova uma maior abertura comercial para permitir que outras empresas possam atuar no mercado brasileiro, aumentando a concorrência e quedas nos preços.


25/10/2021

Drible no Teto de Gastos deteriora as expectativas para a economia.

O Boletim FOCUS do Banco Central dessa semana apontou uma piora em todas as variáveis macroeconômicas para esse ano e até 2024. Inflação mais alta, Crescimento menor, Dólar mais caro e SELIC mais elevada. Ao planejar um maior gasto, refazendo o Teto de Gastos por conta de mudanças na metodologia de cálculo da inflação e consequente aumento do teto, o Governo sinalizou ao mercado que a ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo foi alterada para cima, mudando o cenário. No curto prazo, o Dólar foi afetado imediatamente, com forte elevação na semana passada, impactando na previsão de encerramento de 2021 e para os anos subsequentes. Essa mudança impacta o IPCA, através dos preços de produtos e/ou insumos importados e nas commodities exportadas. O Banco Central precisa controlar a inflação, pressionada pelo câmbio, já mencionado, mas também pela pressão fiscal adicional causada pela expectativa de aumento de gastos. As expectativas mudam para os próximos anos, também, pois o impacto é alto e espalhado ao longo do tempo. Maiores juros significam maiores custos para o capital, tanto para empréstimos dos consumidores finais, as famílias, quanto para o investimento e/ou capital de giro das empresas. A consequência é menor crescimento com menores projetos sendo implantados por falta de viabilidade. Se menos projetos são implantados e menos consumo é realizado pelas famílias, menos empregos são gerados, menos renda é disponibilizada para o consumo e poupança das famílias e a economia diminui seu ritmo de recuperação, impactando num desemprego mais elevado por mais tempo.


24/10/2021

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


22/10/2021

Governo e Congresso se uniram em manobra fiscal para liberar R$98 Bilhões para gastos adicionais em 2021 e 2022.

Uma comissão da Câmara aprovou o não-pagamento de parte dos precatórios e a mudança no cálculo da inflação no Teto de Gastos. Os impactos já estão sendo sentidos. Impor um limite para o pagamento dos precatórios é o mesmo que dar um calote nos cobradores, pois essas dívidas já foram discutidas até a última instância e devem ser honradas. Empurrar para frente aumenta o problema no futuro e repercute na recuperação das finanças públicas. Mudar a fórmula de cálculo da correção do Teto de Gastos de julho a junho para janeiro a dezembro faz com que o cálculo leve em consideração a inflação mais pesada desse segundo semestre, que libera espaço para gastar. Mas a LOA precisará ser ajustada até a votação em dezembro. Essas 2 medidas vão liberar R$15 Bilhões esse ano para a compra de vacinas e Auxílio Brasil; e, R$83 Bilhões para gastar em 2022 com os R$400,00 e ampliação do Auxílio Brasil, apoio aos caminhoneiros prometido por Bolsonaro, e gastos com emendas parlamentares. As duas medidas são infelizes. A revisão do Teto de Gastos está prevista para 2026 e antecipá-la com o intuito de gerar novos gastos, passa a mensagem de que não há respeito com o Teto. Não honrar compromissos com credores, postergando os pagamentos, afeta a credibilidade. O efeito nos últimos dias é visto no aumento do risco-país; o Dólar subindo drasticamente; e, a queda vertiginosa do Ibovespa. Os investidores estão descrentes no futuro do país e isso está se repercutindo nos juros futuros, que haviam caído na aprovação do Teto anos atrás. Os analistas financeiros já falam, inclusive, em aumento maior para a SELIC na semana que vem, repercutindo uma maior probabilidade de inflação, em 2022, e o aumento do risco fiscal comprometer o controle da inflação. O Governo deu com uma mão e vai tirar com a outra.