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21/10/2021

Auxílio Brasil vai ajudar ou prejudicar os brasileiros?

O governo está querendo impor um valor de R$400,00 para o Auxílio Brasil com um custo de mais de R$ 30 Bilhões fora do Teto de Gastos, que será rompido, temporariamente, para atender essa mudança até o final de 2022. O programa vai ter início em novembro, substituindo o Bolsa Família e o Auxílio Emergencial e vem sendo defendido pela equipe política do Governo Federal como a principal medida para ajudar na reeleição do Presidente em 2022. Mas essa medida traz consequências preocupantes. A B3 caiu drasticamente essa semana, pois antevê impactos muito negativos sobre o crescimento e os juros futuros. O Dólar também se valorizou muito nesses últimos dias, com a mesma preocupação. No acumulado do ano, o Ibovespa e o Real têm os piores desempenhos mundiais. Segundo Paulo Guedes, há duas opções para viabilizar o pagamento do benefício: a primeira é rever o teto de gastos, acabando com o descasamento existente entre as correções do teto e das despesas obrigatórias. Com isso, o governo poderia abrir espaço fiscal no Orçamento de 2022. E a outra opção seria tornar excepcional a parcela do auxílio que não cabe no teto, ou seja, deixar esse montante fora da regra fiscal. Essa licença para "furar" o teto seria limitada a pouco mais de R$ 30 bilhões em 2022, segundo o ministro, que usou o termo de usar um waiver. Nas 2 opções, a preocupação é a mesma: o desrespeito com o Teto de Gastos, única ferramenta que ainda tenta segurar o descontrole fiscal nesse país. E tem mais, quem garante que o Congresso não irá aumentar esse valor para R$500,00 ou R$600,00 ou que irá colocar outras despesas? A população a ser beneficiada precisa desse auxílio, os aumentos para 17 milhões de pessoas e para R$400,00 são até pouco, tendo em vista a inflação que o país está passando, mas outras medidas, como a Reforma Administrativa deveriam ser aprovadas para liberar recursos. Como isso é o mais difícil e não vai acontecer, o auxílio vai tão somente retroalimentar a inflação brasileira e aumentar os juros, causando queda no ritmo de crescimento de longo prazo, falta de investimentos, desemprego e mais pobreza. Justamente o que deveria ser combatido.


20/10/2021

China pode ajudar a conter inflação brasileira?

Com uma barreira de importação de carne bovina que já dura 45 dias, a China está trazendo um impacto no setor exportador de proteína animal brasileiro que traz repercussões na balança comercial e até mesmo na inflação brasileira. Como isso é possível? Como a carne bovina tem substitutos diretos, na proteína animal, como as carnes de frango e suína, ao restringir as importações de carne bovina, a China faz com que haja um excesso de oferta do produto no mercado brasileiro, impactando os demais produtos. A China aumentou suas importações brasileiras de carne bovina em 74% em volume em 2020. O Brasil agora é o principal fornecedor de carne bovina para a China, que também é o principal destino das exportações brasileiras desse produto com um valor de R$ 4 bilhões também em 2020. O governo brasileiro, através do Ministério da Agricultura, está comunicando aos produtores brasileiros que não enviem produtos para o mercado chinês até que a situação referente ao caso isolado de vaca louca se resolva, pois há acordos de cooperação entre os dois países. Mas a produção bovina não muda da noite para o dia. Muitos bezerros estão em processo de engorda e próximos do abate, fazendo com que a oferta comece a exceder a demanda paralisada na China. Qual será a alternativa? Ou encontrar outros mercados ou vender no mercado brasileiro. Esse movimento pode ajudar no curto prazo a controlar a inflação, com repercussão nas demais proteínas animais, diminuindo o ritmo de evolução do IPCA em 2021. A situação externa precisa ser resolvida, pois o mercado chinês é fundamental para o agronegócio exportador brasileiro.


19/10/2021

Adeus ao Teto de Gastos?

Governo resolve aumentar ainda mais o Auxílio Brasil para R$400,00, incluindo parte dos gastos com receita fora do Teto de Gastos. Esse movimento derrubou a B3 e empurrou o Dólar para cima, pois sinaliza maior endividamento e juros mais altos no futuro. A equipe econômica vem apostando na aprovação da PEC dos Precatórios com um jabuti que inclui a prorrogação dos gastos com o Auxílio Emergencial até dezembro de 2022 com recursos fora do Teto de Gastos, um movimento que mostra a fragilidade do único controle de despesas do país. O Teto de Gastos foi aprovado no Governo Temer e tem sofrido ameaças de descumprimento regularmente pelo Congresso, principalmente. Ele é importante pois traz previsibilidade na evolução do endividamento público e ajuda as taxas de juros a se manterem num patamar mais baixo. A equipe econômica quer fazer essa despesa extra de R$20 a R$30 Bilhões a mais até 2022 com o aumento do valor do Auxílio Brasil em R$100,00. O problema é que o Congresso também pode querer se mostrar bonzinho e aumentar o tamanho da despesa, como no Auxílio Emergencial de 2020. O problema está justamente no limite desse rombo. A falta de responsabilidade fiscal é preocupante e pode fazer com que o crescimento econômico futuro do país seja limitado por conta das incertezas e do endividamento alto. O certo seria promover reformas que liberassem recursos. Caso essa movimentação seja concretizada, vai alimentar ainda mais um cenário bastante difícil para 2022, onde o crescimento será baixo, a inflação continuará pressionando, o Dólar se manterá pressionado com as incertezas fiscais e os juros estarão num patamar muito elevado.


18/10/2021

Auxílio Brasil deve substituir o Bolsa Família, incluindo 2,4 milhões de pessoas.

Essa semana será decisiva para que o Ministério da Cidadania consiga emplacar a ampliação do programa para 17 milhões de beneficiários com um aumento de R$190,00 para R$300,00 no valor da parcela. A definição de novo valor e a ampliação de beneficiários depende da aprovação de novas fontes de recursos. A PEC dos Precatórios é uma possível fonte, postergando pagamentos e abrindo espaço no teto de gastos. O projeto de Reforma do Imposto de Renda também pode gerar receita. Os 2 projetos estão em discussão no Congresso e poderão trazer impactos na economia, caso sejam aprovados. Vale lembrar que a última parcela do Auxílio Emergencial será paga agora em outubro. Após isso, muitos beneficiários ficarão desassistidos ou voltarão para o Bolsa Família. A continuidade e ampliação do programa traz, além de um efeito econômico, um impacto sobre o nível de popularidade do Presidente Bolsonaro, que foi muito beneficiado quando o valor do Auxílio Emergencial estava em R$600,00 no auge da pandemia no 1º Trimestre do ano passado. Em estudo que realizei no ano passado sobre os impactos do Auxílio Emergencial a nível municipal, os resultados apontaram que os municípios mais pobres nas Regiões Norte e Nordeste foram os mais beneficiados, tendo um impacto significativo na economia de forma pulverizada. O desafio está em fazer essas mudanças sem comprometer a questão fiscal. Muitas famílias podem ser beneficiadas, mas a responsabilidade fiscal precisa ser mantida, pois, caso contrário, os impactos negativos podem ser ainda maiores. O Governo precisa chegar na equação correta.


17/10/2021

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


15/10/2021

O PIB de 2021 vai ficar abaixo de 5%?

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de agosto teve queda de 0,15%, indicando uma alta em relação a agosto do ano passado de 4,74%. Se o ano estivesse encerrado, ficaria abaixo de 5%, mas há outros pontos a considerar. Vale lembrar que o IBC-Br, divulgado pelo Banco Central, serve de proxy para o PIB, que só é divulgado trimestralmente pelo IBGE. No acumulado em 12 meses, o IBC-br apresenta uma elevação de 3,99%. Já no acumulado até agosto de 2021, o índice tem alta expressiva de 6,41%. Vale lembrar que o mesmo período de 2020 foi fortemente influenciado, de forma negativa, pela pandemia. Então, a base de comparação é fraca. Mas, ao se levar em consideração os meses de setembro a dezembro de 2021, com maior circulação de pessoas, pode surpreender positivamente. O setor de serviços tem apresentado uma contínua recuperação, conforme dados divulgados para agosto, que apresentaram sua quinta elevação consecutiva. Esse setor representa mais de 70% do PIB e vai ser fortemente impactado nos últimos meses do ano, puxando toda a economia. Como o 2º semestre do ano passado também apresentou recuperação econômica, é possível que no acumulado do ano e comparando ao ano passado, a economia diminua o ritmo de crescimento para ficar mais próximo de 5%. Mas, pelo que os números têm mostrado, não deve ficar abaixo disso.


14/10/2021

Setor de Serviços cresce 0,5% em setembro e acumula alta de 5,1% em 12 meses.

O setor atingiu o nível mais alto em quase 6 anos, mas a recuperação foi desigual e ainda há muito caminho pela frente para alguns dos segmentos dentro desse setor, que representa mais de 70% do PIB. A maior abertura da economia com os avanços da vacinação tem ajudado, fazendo com o setor de turismo, que sofreu tanto com as restrições de circulação de pessoas durante a pandemia, mostre uma recuperação, tendo alojamento e alimentação e transporte aéreo como destaques. Mas esses setores estão ainda muito abaixo do seu patamar de fevereiro de 2020, antes da pandemia. Os serviços de alojamento e alimentação, que inclui hotéis, bares e restaurantes, e o de transporte aéreo estão 17,6% e 7,7% abaixo do nível pré-pandemia, respectivamente. É importante entender que a retomada desse setor traz uma consequência muito positiva para o nível de emprego e o crescimento da economia brasileira. O setor de serviços demanda muita mão de obra. À medida que você tem uma retomada forte, a taxa de desemprego seguirá caindo. O crescimento do setor de serviços deve se intensificar nos últimos 3 meses do ano, justamente quando mais famílias viajam de férias, fazem festas, vão a eventos sociais, ajudando na retomada. E isso é importante porque o setor de serviços representa mais de 70% do PIB nacional.


13/10/2021

Inflação ao Consumidor nos EUA acelera para 5,4% em 12 meses, após aumento inesperado de 0,4%.

Os estímulos monetários devem manter a inflação alta no curto prazo, estimulada pelos gargalos no lado da Oferta e aumento de mobilidade no lado da demanda. Qual o impacto no Brasil? O Fed deve anunciar o tapering em sua próxima reunião, iniciando ainda em novembro. Isso significa que as compras bilionárias de ativos pelo Fed serão retiradas e a economia sofrerá menos estímulos de demanda. A elevação da taxa de juros deve vir, também, mas não tão rápido. Ao retirar os estímulos monetários, os preços das commodities internacionais, como minério de ferro, petróleo, carvão, gás natural e até mesmo agrícolas, terão uma freada em seu ritmo de expansão, ajudando a controlar a inflação nos Estados Unidos e, provavelmente, no Brasil. A questão mais importante a ser respondida é sobre os efeitos que isso irá trazer sobre o crescimento econômico em 2022. Com a retirada dos estímulos, o Brasil pode ter o seu setor exportador atingido em cheio, pois hoje mais de 70% das exportações brasileiras são commodities. Se a expectativa de crescimento da economia brasileira para 2022 é de algo próximo a 1%, essa mudança pode trazer um impacto ainda mais negativo, fazendo com que o setor exportador diminua sua contribuição. O crescimento da demanda interna vai aumentar em importância para o PIB. Com a elevação da taxa de juros americana, outro fator trará preocupação: os títulos americanos terão mais atratividade e a moeda se valorizará. Essa desvalorização em relação ao Dólar, por sua vez, pode ajudar as exportações brasileiras, compensando a queda nos estímulos.


12/10/2021

Estados aceleram gastos, de olho em 2022.

Com ajuda do Governo Federal em 2020, aumento do ICMS via retomada econômica e empurrada pela inflação, os estados brasileiros já aumentaram em 42% somente os investimentos no período de maio a agosto, mas vale a pena fazer esses gastos? Goiás, Alagoas e Maranhão já gastaram de janeiro a agosto desse ano 269,3%; 129,3%; e, 111,5%, respectivamente, a mais que em 2020. Apenas 6 estados gastaram menos que no período anterior, mostrando que o final de 2021 e 2022 terão muitas contratações de obras e pessoal. Os investimentos devem continuar acelerados, embalados para a corrida eleitoral de 2022, sustentados por superávits financeiros de 2020 e pela forte arrecadação em 2021, impulsionada pela inflação e retomada econômica. Soma-se a isso, estados que estão tomando empréstimos. A situação é bastante positiva, mas somente no curto prazo. A previsão é que 2022 não tenha o mesmo ritmo econômico que 2021. A conta do aumento das despesas vai chegar e, provavelmente, vai ficar nas mãos dos governantes que venham a assumir em 2023 e, claro, dos contribuintes. Alguns estados já ensaiam reajustar salários. A justificativa é a inflação alta do período, que deve ser repassada para evitar a perda de renda dos servidores. Isso preocupa bastante, pois o impacto sobre as contas dos estados vai ser alto e não há garantia de receitas futuras. O correto seria que os estados promovessem medidas que facilitassem o investimento privado, através de PPPs – Parcerias Público-Privadas e concessões. Dessa forma, o investimento privado entraria forte na economia, gerando negócios, empregos e renda, sem comprometimento fiscal.


11/10/2021

O Prêmio Nobel de Economia 2021 foi anunciado e chama a atenção para os estudos sobre o mercado de trabalho.

David Card, Joshua D. Angrist e Guido W. Imbens foram premiados nessa segunda-feira. Meu destaque vai para a contribuição metodológica em relações causais de Angrist. Card estudou o impacto da imposição das leis de salário-mínimo e imigração de trabalhadores nas taxas de desemprego. Contradizendo a teoria tradicional, seus resultados indicam que não há aumento de desemprego quando o salário-mínimo é elevado ou mais imigrantes entram no país. A grande contribuição vem do Angrist. Ele desenvolveu diversos estudos baseados em uma metodologia econométrica chamada Diferenças em Diferenças. Nessa metodologia, você compara grupos distintos ao longo do tempo para determinar o impacto de uma política econômica, por exemplo. Na área educacional, ele comparou estudantes em programas que obrigavam os alunos a frequentar a escola com outras escolas que não exerciam essa obrigatoriedade. Seus resultados mostraram que houve ganhos em desempenho escolar com a obrigatoriedade na frequência escolar. Na economia do trabalho, Angrist comparou o comportamento e os retornos em níveis salarias de trabalhadores que foram veteranos de guerra comparados àqueles que não foram para a guerra. No caso dos veteranos do Vietnã, descobriu que eles ganhavam 15% menos que os demais. As contribuições metodológicas de Angrist e Imbens mostraram que experimentos naturais são uma rica fonte de conhecimento. A pesquisa deles melhorou substancialmente nossa capacidade de responder às principais questões causais, o que foi de grande benefício para a sociedade.