PodCasts

28/09/2021

COPOM reitera necessidade de política contracionista

Comitê de Política Monetária do Banco Central reitera necessidade de manutenção de política monetária significativamente contracionista para assegurar a convergência da inflação para a meta de 2022. Assim foi divulgado no relatório do COPOM, que aumentou a SELIC para 6,25%. O relatório também apontou que espera uma retomada robusta da atividade no segundo semestre, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente na economia brasileira. A SELIC a 2% também foi importante para essa retomada econômica, vale ressaltar. É importante entender o posicionamento contracionista pois ele difere tanto do posicionamento neutro, que se esperaria, caso a inflação estivesse controlada e do posicionamento expansionista recente que aconteceu quando a SELIC foi reduzida para os 2% até o início do ano. O papel do Banco Central é importante para trazer segurança sobre o controle da inflação na economia brasileira. O BC autônomo, como temos hoje, dá mais certeza sobre como o mal inflacionário será tratado com as medidas mais indicadas na política macroeconômica moderna. A preocupação inflacionária está se espalhando, com elevação expressiva do preço do petróleo, afetando as economias mundiais; do gás natural, que passa a impactar o início do inverno europeu com preços mais altos; e, até mesmo com a crise de abastecimento energético na China. Os títulos de 10 anos do Tesouro Americano estão com forte elevação, derrubando as bolsas mundiais, principalmente a Nasdaq nos EUA. Essa elevação do preço do T-10 indica que o mercado está precificando uma elevação mais iminente dos juros americanos para controlar a inflação. Os impactos da elevação dos juros e retirada das compras de ativos mensais pelo Federal Reserve devem trazer as economias para uma redução do seu ritmo de crescimento, principalmente em 2022, com revalorização da moeda americana. Uma hora os estímulos iriam cobrar o seu preço.


27/09/2021

Petrobras e Banco do Brasil serão privatizadas?

Paulo Guedes deu palestra no ICC, informando que o plano para os próximos 10 anos é privatizar as duas estatais para levantar recursos que possam ser usados em políticas sociais, mesmo tendo ficado de fora dos planos de Bolsonaro. Paulo Guedes afirmou que o Governo Bolsonaro arrecadou R$ 240 Bilhões em privatizações de subsidiárias e concessões, mas que as grandes empresas, como os Correios e a Eletrobras, vêm agora. De acordo com ele, o timing da agenda de privatizações é ditado pela política. Um horizonte de 10 anos é muito longo para um programa de privatizações importante, como o da Petrobras. Daqui a 10 anos, nem ele nem Bolsonaro estarão no poder e talvez a Petrobras já nem tenha tanta importância, caso as alternativas energéticas avancem consideravelmente. Para resolver os problemas sociais que o país tem, já que o timing político não ajuda a levantar recursos importantes via privatizações, Paulo Guedes e a equipe política deveriam empreender mais esforços nas Reformas Administrativa e Tributária, diminuindo as desigualdades. A Reforma Administrativa, do jeito que está colocada, trará poucos resultados no curto prazo, deixando o Estado inchado e mantedor de privilégios. A Reforma Tributária, que poderia ajudar a combater a regressividade dos impostos, ajudando os mais pobres, não avança no Congresso. Será que o Governo Federal conseguirá reverter essa tendência e avançar com as reformas estruturadoras que a economia brasileira tanto precisa para poder crescer num ritmo mais rápido e, ao mesmo tempo, poder diminuir as desigualdades sociais que se agravaram com a pandemia?


26/09/2021

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


24/09/2021

Inflação de 2 dígitos!

O IPCA-15, divulgado hoje pelo IBGE e que serve como uma prévia do IPCA, apontou que o Brasil está com a inflação acumulada em 12 meses de 10,05%, quase o dobro do teto da meta estabelecida pelo Banco Central para a inflação deste ano, que é de 5,25%. O indicador avançou 1,14% em setembro e foi o maior resultado para o mês desde o início do Plano Real em 1994, quando chegou a 1,63%. No ano, o índice já acumula alta de 7,02%. Como os últimos 3 meses de 2020 foram fortes, o IPCA-15 deve fechar 2021 um pouco abaixo dos 10%. A gasolina e a energia elétrica são os grandes vilões da inflação em 2021 e no acumulado de 12 meses. A gasolina teve uma variação acumulada de 33,37% no ano e de 39,05% em 12 meses. A energia elétrica apresentou alta acumulada de 20,27% e 25,26%, respectivamente. A grande preocupação é que quase tudo está mais caro. Gasolina e energia elétrica influenciam nos preços de diversas indústrias e no seu escoamento, trazendo um efeito de espalhamento nos outros setores. Dos 367 itens que compõem a cesta de bens analisada, 253 registraram alta. O efeito também está igualmente espalhado regionalmente. A alta do IPCA-15 foi registrada em todas as 11 regiões que o IBGE acompanha. Fortaleza apresentou o menor patamar, com 0,68% e Curitiba, a maior variação deste período, 1,58%. A tendência é que continue se espalhando. O pico da inflação acontecerá nesses últimos meses do ano, pois o consumo de produtos e serviços se intensifica durante esse período, com o pagamento do 13º e as compras de fim de ano. Os efeitos da contínua elevação da SELIC pelo BC só devem ser sentidos ao longo de 2022.


23/09/2021

Resultado de agosto da arrecadação federal foi o melhor para toda a séria histórica iniciada em 1995.

A arrecadação apresentou um aumento de 7,25% na comparação com o mesmo mês de 2020, descontando a inflação. A economia está se recuperando mesmo ou tem outras explicações? Tanto no mês de agosto, como no acumulado do ano, o desempenho é o melhor da série histórica. Ou seja, em termos de pagamento de impostos, 2021 promete ser importante para a redução da previsão de déficit das contas públicas e consequente diminuição do ritmo do endividamento. As compensações tributárias tiveram queda de 31,5% em relação ao ano anterior. Houve crescimento de 38,2% da apuração do IRPJ/CSLL, indicando que a iminente aprovação da tributação sobre dividendos levou muitas empresas a apurarem o IRPJ para distribuir dividendos. Em agosto de 2020, o IOF sobre operações financeiras estava isento, reduzindo a arrecadação daquele mês e que agora não se repetiu. No ano passado houve diferimento de impostos por conta da pandemia num montante quase 6 vezes maior que o observado esse ano. Mas as variáveis macroeconômicas também trouxeram um efeito sobre a arrecadação. Em relação ao ano anterior, a produção industrial subiu 1,78% em agosto. As vendas de bens avançaram 7,10% e as de serviços, 17,80%. O valor em Dólar das importações também subiu 43,91%. Quando se leva em consideração a emissão de notas fiscais eletrônicas, o valor aumentou em 26,28% e a quantidade de notas emitidas, em 12,61%. A conclusão que se chega é que, de fato, as receitas extraordinárias influenciaram, mas há indícios importantes de recuperação econômica.


22/09/2021

Resultado da Super Quarta traz realidades diferentes.

O COPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou a SELIC em 1,0 p.p. para 6,25% ao ano e o FOMC - Federal Open Market Committee manteve a taxa de juros nos EUA no patamar entre 0% e 0,25%. O Banco Central vem travando uma batalha importante contra a inflação de curto prazo que está bem acima do Teto da Meta de inflação, de 5,25%. No acumulado dos últimos 12 meses, está em 8,99%, ainda pressionada. A única arma que o BC dispõe para combater, é a elevação dos juros. Parte da inflação vem dos reajustes dos combustíveis, da crise hídrica e das commodities, onde elevando a SELIC para desaquecer a economia não vai trazer efeitos diretos. O único efeito indireto vem através da melhora no câmbio, ofuscado por conta dos riscos políticos. Lá nos EUA, a situação é outra. Enquanto há alguma preocupação com a inflação de curto prazo, o FED decidiu que vai conviver com uma meta de inflação mais elevada, com o intuito de perseguir um objetivo maior de recuperação econômica e dos empregos. Eles têm cacife para isso. Mas os indicadores de crescimento para 2021 já indicam que os EUA devem crescer 6% esse ano, recuperando-se do tombo que também sofreram com a pandemia. Por conta desses números mais robustos, o programa de compra de ativos mensal de US$ 120 Bilhões deve ser encerrado esse ano. As taxas de juros serão elevadas, mas não na mesma velocidade que vemos aqui no Brasil. Esse diferencial de juros, somado ao superávit comercial, deveria forçar para que o câmbio ajudasse na contenção da nossa inflação, deixando insumos e produtos importados mais baratos. O que vem pela frente? Juros mais elevados aqui no Brasil irão reduzir o crédito das pessoas físicas e inviabilizarão projetos de investimentos de empresas que antes eram factíveis com taxas de juros mais competitivas. O ritmo de crescimento econômico certamente irá diminuir.


21/09/2021

OCDE Melhora previsão de crescimento brasileiro.

OCDE diminui ritmo de crescimento da economia mundial e melhora projeção de crescimento brasileiro para 2021. O relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) é importante para acompanhamento do desempenho econômico mundial. A projeção de crescimento da economia mundial foi diminuída em 0,1 p.p. para 5,7%, enquanto a brasileira foi elevada em 1,5 p.p. para 5,2%. Essa nova projeção leva em consideração dados mais recentes do desempenho econômico dos países, já que o relatório anterior foi de maio. As perspectivas são de um crescimento de 8,5% para a China, voltando a um nível pré-pandemia, enquanto os EUA devem crescer impressionantes 6% e a Zona do Euro deve crescer num rimo parecido com o brasileiro, com 5,3%. Essas previsões apresentam uma retomada econômica mundial. O mesmo relatório aponta que o crescimento em 2022 deve desacelerar para 4,5%, mas ainda forte. O Brasil aparece com uma perspectiva de crescimento de 2,3%, apesar dos analistas brasileiros estarem mais pessimistas, com projeções de 1% a 1,5% para o mesmo período. Uma preocupação importante foi divulgada pela OCDE: a inflação, que tem se tornado uma tormenta aqui no Brasil, também é preocupante nos demais países, com uma estimativa de fechar 2021 em 4,5% a nível mundial. Para 2022, a situação deve melhorar, fechando o ano em 3,5%. O pico da inflação deve acontecer em dezembro, oriundo da desorganização pelo lado da oferta, causado pela pandemia, e pelos estímulos monetários, pelo lado da demanda. A OCDE defende que esses estímulos monetários devam permanecer ainda durante esse ano e repensados para 2022. É importante acompanhar a análise feita por organizações internacionais, como a OCDE, o FMI e o Banco Mundial, porque o olhar é mais abrangente, incluindo dados de diversos países que são comparados entre si. Assim, pode-se ter um contraponto às previsões de analistas locais.


20/09/2021

Crise na Evergrande traz tensão nos mercados mundiais.

A semana começou agitada nos mercados financeiros internacionais com temores que a segunda maior incorporada chinesa possa dar um calote nos seus fornecedores de uma dívida de mais US$ 300 Bilhões, com efeito multiplicador. O Ibovespa teve queda forte, de mais de 3% ao longo do dia, mas não foi o único mercado a sofrer. Dow Jones e Nasdaq também sofreram quedas próximas aos 3%. Por que o mercado está em alerta com isso e quais podem ser as consequências para o Brasil e para o mundo? Para se ter ideia do tamanho da Evergrande, ela tem mais de 1,4 milhão de imóveis em construção, que correm o risco de não serem entregues ou de atrasos na entrega. O setor de construção civil representa 7% do PIB chinês diretamente e 25% levando em consideração fornecedores. O impacto direto pode ser sentido no mercado de commodities. Principalmente no mercado de minério de ferro, que teve queda próxima de 9%. As ações da Vale, que tem ligação direta com a exportação dessa commodity, teve queda significativa, próximo de 5%, derrubando o Ibovespa. Além do mercado de commodities, o mercado financeiro pode ser abalado também. A maior parte da dívida da Evergrande é com bancos chineses. Um calote pode causar um efeito cascata de insolvência no sistema chinês de financiamento. Esses prejuízos podem paralisar os investimentos. A construção civil é o motor de crescimento chinês. Gerando empregos e ajudando na retomada da economia chinesa após a pandemia, a paralisação das atividades pode ter impactos nos grandes fornecedores de insumos, como o Brasil, que tem a China como principal parceiro comercial.


19/09/2021

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


17/09/2021

Aumento de IOF mais atrapalha do que ajuda.

O Governo Federal resolveu dobrar o IOF até o fim do ano para arrecadar recursos que ajudem a turbinar o Bolsa Família até dezembro. Mas isso pode trazer um efeito negativo maior do que o benefício para as famílias beneficiárias. O IOF vai aumentar de 1,5% para 2,04% ao ano para Pessoas Jurídicas e de 3,0% para 4,08% para pessoas físicas. Com esse aumento, financiamento bancário, compras de cartão de crédito no exterior, cheque especial, câmbio, investimentos de curto prazo e seguros serão afetados. As empresas, que já estão tendo que amargar uma recuperação difícil após o enorme baque que sofreram com a pandemia, além de pagar juros mais elevados porque a SELIC está sendo elevada para combater a inflação, terão agora que pagar mais caro em operações de capital de giro. O Governo espera arrecadar R$ 2,14 Bilhões este ano para custear o Auxílio Brasil, programa que reformula e amplia o Bolsa Família. Mas esse custo adicional irá gerar mais custos para a geração de negócios, o que pode, na realidade, gerar mais desemprego e perda de renda. O caminho a ser tomado para viabilizar um programa social maior e melhor deveria vir de medidas importantes que estão travadas no Congresso, como as Reformas Administrativa e Tributária, que diminuem custos para o Estado e cobram impostos da melhor forma, liberando recursos. Política pública precisa ser muito bem pensada. Tentar ajudar os mais pobres com mais tributos sobre empresas e pessoas físicas endividadas não traz um resultado positivo. Pelo contrário, é uma medida que mantém o país empobrecido, apenas mudando o direcionamento dos recursos.