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16/09/2021

Nova previsão de inflação deve alterar projeção de salário mínimo em 2022.

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia vê inflação mais alta em 2021, mudando de 6,2% para 8,4%, trazendo uma elevação para o salário mínimo, implicações no Teto de Gastos e no crescimento econômico, além de mudanças em outras variáveis macro para 2022. O salário mínimo deve ser reajustado para um valor de R$ 1.192,40 ao invés de R$1.169,00, que levava em consideração a projeção anterior de inflação. O valor serve de referência para mais de 50 milhões de pessoas no Brasil, trazendo um impacto sobre a renda delas. O impacto também será sentido no Teto de Gastos do Governo Federal, pois mais salários e benefícios serão pagos, deixando ainda menos espaço fiscal para o Governo tentar enquadrar tantas despesas dentro do limite imposto anualmente pelo teto, trazendo incertezas no mercado. Um fator importante é que a partir de setembro, o IPCA tende a ficar mais estático nesse patamar mais elevado, pois os últimos 4 meses de 2020 apresentaram uma elevação muito forte, com o mês de dezembro tendo uma aceleração de 1,35%. Então se manterá próximo dos 10%. Outro problema também é gerado. A retroalimentação da inflação causada pela própria inflação e a indexação da economia. Ao reajustar os salários por conta da inflação, esse peso maior é repassado pelas empresas para o preço dos produtos, causando ainda mais inflação. O problema vai se perpetuando e ampliando, como uma bola de neve descendo a montanha. Vai ficando maior e maior a cada repasse de reajuste de preços. A inércia da inflação precisa ser combatida com a continuação da mão forte do Banco Central elevando a SELIC. Do lado da Oferta, o fornecimento de insumos e produtos acabados deve se estabilizar em 2022, passado o momento mais forte da pandemia. Do lado da Demanda, à medida que os estímulos financeiros sejam diminuídos, o desaquecimento deve ajudar a diminuir a pressão sobre o consumo.


15/09/2021

IBC-Br encerra o mês de julho com alta de 0,6%.

IBC-Br, Índice que mede a atividade econômica brasileira e que é medido mensalmente pelo Banco Central, indicou que a economia avançou 0,6% no mês de julho. Em relação a julho de 2020, por sua vez, houve alta de 5,53%. Afinal de contas, a economia está se recuperando? No acumulado do ano, o índice apresenta um crescimento de 6,8% e em 12 meses, um crescimento de 3,26%. O mês de julho teve uma influência importante do setor de serviços, que representa mais de 70% do PIB e que cresceu 1,1% no mês de julho, apesar da queda de 1,3% da indústria. Tradicionalmente, o segundo semestre é melhor que o primeiro, em termos de crescimento da economia brasileira, pois as indústrias se preparam para atender o aumento das vendas do varejo no final do ano e há incremento de recursos na economia via pagamento de décimo terceiro. O segundo semestre desse ano deve ser ainda mais forte, pois a base de comparação para o setor de serviços em relação a 2020 é fraca. No ano passado, o setor estava praticamente parado, sofrendo os efeitos da economia, e nesse ano, encontra-se reaberto, trazendo uma retomada. Alguns fatores podem frear a retomada: as incertezas políticas, que pressionam o câmbio; a inflação, que tem prejudicado os mais pobres, principalmente; o crédito mais caro; e, o desemprego, que ainda está num patamar bastante elevado, reduzindo a renda disponível para consumo.


14/09/2021

Carros novos e usados mais caros por conta da pandemia.

Quebra na cadeia produtiva, dólar mais caro, crédito barato e mudança de hábitos dos consumidores são alguns dos fatores que, principalmente por conta da pandemia, empurraram os preços dos veículos novos e usados para cima. No período de 2011 a 2019, antes da pandemia, os veículos novos tinham uma valorização anual média de 0,5% e os usados, de 2,9%, segundo o IPCA. No período acumulado dos últimos 12 meses até agosto, os veículos novos tiveram um reajuste médio de 9,76% e os usados, de 12,48%. Dos 377 itens do IPCA, veículos novos e usados têm um peso significante e estão entre os 5 itens de maior reajuste nesse período recente. E a previsão é que esses itens continuem pressionando até o fim de 2022, quando a indústria começa a diminuir o backlog da demanda. Os veículos têm passado por uma transformação digital, usando mais semicondutores e concorrendo com smartphones, computadores e até mesmo geladeiras. Além disso, os consumidores brasileiros mudaram o seu hábito de consumo, dando preferência por SUVs, que também elevou os preços. O estímulo ao consumo recente, com crédito barato quando a SELIC estava em 2% ao ano e as quebras nos processos produtivos por conta da pandemia fizeram com que a média de estoque das concessionárias de 30 dias antes da pandemia caísse para 11 dias, gerando filas de esperas. A média dos preços dos veículos vai continuar elevada até que se acerte o fornecimento de insumos, principalmente os chips, e que se consiga produzir o suficiente para atender a demanda. Os juros mais altos, por conta da elevação da SELIC, também devem frear o lado da demanda.


13/09/2021

IPCA e SELIC em 8% e PIB quase abaixo de 5%.

Essa é a previsão para o término de 2021, segundo o Boletim FOCUS dessa semana. A pressão inflacionária está sendo a grande preocupação do das mais de 100 instituições financeiras pesquisadas pelo Banco Central. O IPCA acumulado dos últimos 12 meses está pressionado, chegando próximo dos 10%. Se encerrar o ano aos 8%, já vai ser o ganho. É importante entender que a partir de setembro, a base de comparação é mais elevada, deixando o IPCA nesse patamar alto, entre 8% e 10%. A SELIC vem sendo usada como forma de tentar conter a escalada do IPCA. O Banco Central já admitiu que irá ser mais forte em suas elevações caso a inflação não ceda. Então, naturalmente, o mercado já está admitindo essas novas elevações, mas o efeito não é sentido de imediato. O impacto sobre o PIB é importante. Ao aumentar a SELIC, a economia desacelera. Os juros ficam mais caros para os consumidores e produtores. Comprar veículos, imóveis, parcelar viagens, tudo fica mais caro. O efeito consequente é de retração da economia, controlando a inflação. O câmbio deveria ser impactado com a SELIC mais alta, pois os juros lá fora não estão aumentando na mesma intensidade. Isso deveria atrair investidores para títulos brasileiros, derrubando o Dólar e ajudando a conter a inflação, mas as questões políticas não estão ajudando. A deterioração dessas variáveis será repercutida no crescimento econômico de 2022. O Boletim FOCUS agora projeta o crescimento de 1,72% em 2022, como efeito da forte elevação da SELIC, que deve ser mantida nesse patamar alto também em 2022.


12/09/2021

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


10/09/2021

Vendas do Varejo cresceram 1,2% no mês de julho, recuperando o patamar recorde da série histórica.

Agora são 4 taxas de crescimento seguidas, mostrando uma retomada importante do consumo brasileiro. Até julho, 4 dos 10 setores pesquisados recuperaram as perdas da pandemia. Chama a atenção que o mês de junho foi revisado de uma queda de 1,7% na comparação mensal para um crescimento de 0,9% após uma revisão feita com a dessazonalização. Em relação a julho de 2020, o setor cresceu 5,7%, quinta alta seguida. Na passagem mensal, 3 atividades apresentaram queda, enquanto as 7 demais atividades, incluindo o varejo ampliado, mostraram crescimento relevante para o período. Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico tiveram um crescimento expressivo de 19,1%. Mas a recuperação do varejo não é uniforme, apenas 4 setores estão no positivo, enquanto setores como Tecidos, Vestuário e Calçados; Combustíveis e Lubrificantes; Equipamentos e Materiais de Escritório; e, Livros, Jornais, Revistas e Papelaria ainda não se recuperaram. Olhando regionalmente, a maioria dos estados apresentou crescimento positivo na passagem do mês, mas na comparação anual, ainda há um número importante de estados que ainda não se recuperaram. Ou seja, a retomada do varejo também é divergente, regionalmente. A retomada do consumo é influenciada pela reabertura gradual da economia, via diminuição das restrições de contato social e pelos estímulos monetários, como o Auxílio Emergencial. O emprego formal também tem colaborado, pois vem apresentando crescimento contínuo.


09/09/2021

IPCA de agosto surpreende e vem acima do esperado, com elevação de 0,87% puxada por combustíveis e alimentos.

No acumulado de 12 meses, chegou a 9,68%, com várias cidades já registrando inflação de 2 dígitos, como Fortaleza e Curitiba. A pressão inflacionária vai aumentar? No mês de setembro de 2020, o IPCA ficou em 0,64%. Nos 3 meses seguintes, ficou em patamares ainda maiores, com dezembro fechando o ano de 2020 com um IPCA de 1,35%. A partir de setembro, o IPCA deve se estabilizar nesse patamar elevado. O problema é baixá-lo. Os combustíveis, principalmente a gasolina, têm sido os vilões ao longo desse ano. Em agosto, a gasolina, sozinha, foi responsável por um aumento de 0,17 p.p. do índice, por conta de seu reajuste de 2,80% no mês. Em 8 meses, a gasolina sofreu reajustes em 7 deles. Os alimentos têm sofrido influência de diversos fatores. As commodities internacionais têm se valorizado com o excesso de estímulos monetários dos EUA e demais países. A oferta tem se complicado aqui dentro do país com a crise hídrica deste ano, que ameaça a safra. A crise hídrica também traz um componente preocupante no custo da energia elétrica, que até diminuiu o seu ritmo de crescimento no mês de agosto em relação a julho, mas que vai voltar a preocupar no mês de setembro, com o reajuste da bandeira vermelha. O que deveria estar ajudando a conter os preços dos itens importados ou que usam insumos importados, o câmbio, que deveria estar abaixo de R$5,00, está sendo pressionado por questões políticas e fiscais. Gasolina e commodities terminam ficando mais caros por conta disso. As paralisações dos caminhoneiros podem ainda ser mais um fator para complicar o IPCA no mês de setembro. Na última vez que aconteceu, durante 10 dias entre maio e junho de 2018, o IPCA teve um pico fora do comum, puxado principalmente pelos combustíveis, devido à sua escassez. Só resta ao Banco Central continuar elevando a SELIC, sua única ferramenta disponível, para conter a inflação e, principalmente, sua inércia. Infelizmente, a recuperação econômica de 2021 pode ser comprometida e, com certeza, 2022 terá um ritmo de crescimento ainda menor.


08/09/2021

O IGP-DI apresentou deflação de 0,14% no mês de agosto, puxada fortemente pelo Minério de Ferro, que apresentou queda de 21,39% no período.

Com este resultado, o índice acumula alta de 15,75% no ano e de 28,21% em 12 meses, mas já esteve pior, indicando desaceleração. O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) representa 60% do IGP-DI e teve queda de 0,42%, após alta de 1,65% em julho. Na análise por estágios de produção, os bens finais tiveram aumento maior este mês, influenciados pelos alimentos in natura. Com um peso de 30%, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) apresentou queda no seu ritmo de elevação, passando de 0,92% em julho para 0,71% em agosto. Passagens aéreas, energia elétrica e gasolina apresentaram desaceleração nesse mês, ajudando na queda do índice. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) representa 10% da composição do IGP-DI e teve, também, uma desaceleração em agosto, passando de uma elevação de 0,85% em julho para 0,46%. Materiais e Equipamentos; Serviços; e, Mão de Obra apresentaram queda no ritmo de reajustes. É importante entender que o IGP-DI registra o movimento da inflação partindo do nível de insumos, passando por atacado e chegando ao varejo, de acordo com sua composição. Nos resultados apresentados, a diminuição do ritmo da inflação se fez presente em todas as etapas.


07/09/2021

Dólar pode chegar a R$ 4,60 até o final do ano, segundo Goldman Sachs.

Para Caesar Massry, Chefe da Área de Mercados Emergentes, o Ibovespa deve chegar aos 135.000 pontos e a SELIC chega aos 7.75% nesse mesmo período, destacando o Brasil dentre os principais emergentes. Desde que o Dólar atingiu os R$ 5,00, mais do que questões locais, foi o cenário internacional que interferiu para que as moedas dos países emergentes, inclusive o Brasil, se desvalorizassem novamente e de forma tão rápida. O movimento deve perder força nos próximos meses. O aumento dos casos de COVID-19 com a variante Delta nos EUA e União Europeia, o rebaixamento generalizado das perspectivas de crescimento das economias e a desaceleração da China azedaram os mercados internacionais em relação às suas expectativas quanto aos emergentes. Nos próximos meses, esse posicionamento deve ser revisto e a perspectiva hawkish do BC, retirando os estímulos monetários, com a contínua recuperação da economia brasileira, devem trazer uma janela de oportunidades, ajudando a derrubar o dólar e elevar o Ibovespa. A retirada dos estímulos do FED lá nos EUA não deve trazer grande impacto no câmbio, pois o mercado deve apresentar alguma volatilidade inicial, mas que deve, posteriormente, se acomodar. Com isso, abre-se uma janela de investimentos no Brasil, que tem solidez na conta corrente. Ainda segundo a Goldman Sachs, os ativos brasileiros estão muito baratos, com muito pessimismo embutido no curto prazo, o que oferece um potencial de crescimento forte quando houver uma reversão, até mesmo impulsionado pela previsão de queda no câmbio para os R$ 4,60. Mas a janela é bastante curta. Essa retomada deve acontecer até o fim de 2021. No ano que vem, a eleição presidencial traz muitas incertezas que fazem com que as decisões de investimentos sejam adiadas, independentemente do resultado que esteja se configurando.


06/09/2021

A Transnordestina agora está mais próxima de ser finalizada.

O Novo Marco Legal das Ferrovias anunciado na semana passada vem agora permitir que os trens cheguem até Suape. O investimento agora será feito por um novo investidor, no lugar da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A mineradora BEMISA, controlada pelo Banco Opportunity do banqueiro Daniel Dantas, apresentou requerimento para assumir o trecho de 717 kms de Curral Novo (PI) até o Porto de Suape (PE). Esse trecho estava inacabado e sem perspectivas de conclusão desde 2010. A ferrovia deveria ter sido iniciada a partir do litoral, gerando receita à medida que avançasse pelo interior. Desta forma, diminuiria parte dos custos de implantação. Do jeito que está hoje, incompleta, não liga nada a lugar algum e precisa de R$ 6 Bilhões para a sua conclusão. Esse desdobramento vem como uma solução para as declarações feitas pelo Ministro Tarcísio de Freitas que o Governo não contava mais com o trecho até Suape pela CSN. Além disso, a ANTT já recomendou a caducidade do contrato de concessão, que já pode ser retomado pelo Governo. A ligação ferroviária entre Suape e o interior vai possibilitar o escoamento de minérios, mas também de gesso e de produtos da fruticultura irrigada, no sentido litoral. Na direção contrária, vai servir para levar produtos importados por Suape para os estados interioranos.