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01/11/2023

A balança comercial brasileira atingiu saldo recorde para o mês de outubro, com US$ 9 bilhões

O saldo teve um crescimento de 140% em relação ao mesmo período de 2022. O saldo da balança comercial no acumulado de 2023 já atinge um valor recorde de US$ 80,2 bilhões, contra US$ 62 bilhões de todo o ano de 2022. O resultado positivo em outubro foi puxado pelo aumento da venda petróleo, combustíveis e soja, além da forte queda nas importações. O resultado de outubro veio de uma queda significativa de 20,9% das importações para o mês por dia útil, na comparação com o mesmo mês de 2022, mesmo com uma queda das exportações de 0,3% por dia útil para o mesmo período. Com isso, o saldo da balança comercial disparou 140,1% em relação ao mesmo período de 2022 e a corrente de comércio caiu 10,1%. A forte queda das importações vem dos combustíveis, que apresentaram uma forte variação de valor importado negativo em relação ao mesmo período de 2022 (-26,2%), mas também da queda de bens intermediários (-24,5%) e de bens de capital (-19,3%). Esta queda reflete a desaceleração internacional no preço das commodities, mas também dentro do país, já que o volume importado também caiu. Por outro lado, as exportações, avançaram puxadas pela indústria extrativa, com crescimento de 26,4% em valor, principalmente com as exportações de petróleo, que cresceram 22,8% em relação a 2022. A agropecuária apresentou queda de 2,5%, apesar de um aumento de 12,2% da soja. A indústria de transformação, por sua vez, apresentou queda forte de 9,1%, mesmo com um crescimento de 43,2% de óleos combustíveis. No acumulado do ano, há um crescimento de 57,2% no saldo comercial. O saldo recorde vem se montando a partir de uma forte queda das importações de 12,2%, tanto em preço quanto em volume, com uma resiliência das exportações, que mantiveram um crescimento de 0,3%, principalmente pelo aumento do volume exportado, já que os preços também apresentaram forte queda na comparação anual (-7,6%). O desafio para este ano continua sendo manter o valor das exportações em crescimento na comparação com o mesmo período de 2022. A corrente de comércio apresenta saldo negativo crescente de 5,3%, mostrando que a desaceleração internacional também ocorre aqui no país, um resultado preocupante, apesar dos recordes recorrentes nos saldos da balança comercial.


31/10/2023

O ministro da Economia, Fernando Haddad, em coletiva de imprensa, não reafirmou o objetivo de ter o déficit zero para as contas do governo em 2024

A expectativa era grande, após o discurso que foi feito pelo presidente Lula na sexta-feira passada, onde ele disse que déficit zero não é uma prioridade para o governo. A coletiva de imprensa foi marcada por vários questionamentos com relação à manutenção dessa política de déficit zero para o ano que vem, mas o Ministro da Fazenda não confirmou nem desconfirmou se a política está mantida. Ele apenas disse que está no esforço do Ministério da Fazenda levar medidas para o governo para que objetivos sejam alcançados com relação a ter uma responsabilidade fiscal. É importante entender que o superávit primário é muito importante e é um dos tripés do Plano Real. Desde a sua concepção, o Plano Real trouxe o superávit primário como algo muito importante para conter a inflação. O simples fato do governo arrecadar mais do que gasta é de fundamental importância para que não haja uma pressão inflacionária na economia e as taxas de juros possam ser mais baixas. A partir do governo Dilma, vários déficits primários ocorreram. E isso terminou nunca sendo reorganizado, principalmente pelo lado das despesas que cresceram drasticamente em seu governo. No último ano do governo Bolsonaro, ocorreu um superávit primário, mas já em 2023 houve um abandono da política de teto de gastos e, consequentemente, um déficit muito elevado está programado para esse ano. O objetivo era que isso fosse algo passageiro, que só acontecesse esse ano e que no ano que vem o déficit zero fosse atingido para trazer novamente mais responsabilidade fiscal para a economia brasileira. Porém, a queda da arrecadação está muito forte nos últimos meses e os gastos estão bastante elevados e sem perspectiva, por exemplo, de uma Reforma Administrativa, que poderia fazer com que esses gastos diminuíssem. Então, as contas estão cada vez mais complicadas para o ano que vem, levando provavelmente a não obtenção desse déficit zero e menos ainda de um superávit primário das contas brasileiras. Como resultado, a relação dívida/PIB deve subir não só em 2023, mas também em 2024 por conta desses gastos mais elevados e de um déficit fiscal. Isso também preocupa em relação à política de juros do país, já que o Comitê de Política Monetária do Banco Central olha a inflação e a questão fiscal, que justamente pode trazer mais inflação para a economia. Isso já se refletiu no Boletim Focus, que essa semana já apresentou queda menos forte de juros em 2024 e 2025.


30/10/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


26/10/2023

Exportação avança e país enfrenta alta do protecionismo


25/10/2023

O protecionismo avança e afeta o Brasil

De 2020 a 2022, as exportações brasileiras ficaram sujeitas a uma média anual de 73 medidas de defesa comercial que estão vigentes, esse é um montante 58% maior que as 46 medidas anuais em média do triênio anterior. A exportação brasileira cresceu nesse período, vem batendo recordes e agora está se tornando alvo de medidas de defesa comercial, principalmente por conta de alterações de políticas comerciais depois da pandemia. De 2020 a 2022, as exportações brasileiras ficaram sujeitas a uma média anual de 73 medidas vigentes, o que é 58% maior que as 46 medidas anuais em média do triênio anterior e mais que o dobro das 33 medidas em média entre 2014 e 2016. Essas comparações incluem medidas compensatórias, anti-dumping e salvaguardas e consideram o estoque de medidas no final de cada ano. Estão consideradas não somente as novas medidas, mas também as que foram renovação, prorrogação e até mesmo alteração. O aumento das exportações e a intensificação de medidas de proteção à produção doméstica e a reorganização do comércio global com o nearshoring, friendlyshoring, após esse período mais crítico da pandemia, a partir de 2020, foram os principais fatores que explicam isso, segundo o levantamento da Fiesp. Considerando os dados de 2022, as medidas de defesa comercial vigentes contra o Brasil afetaram cerca de US$ 3 bilhões em exportações do país. 10 produtos exportados respondem por cerca de 85% do total afetado pelas medidas do exterior. O principal tipo de medida de defesa comercial contra o Brasil continua sendo a aplicação do direito anti-dumping. Os embarques brasileiros enfrentaram média anual de 43 medidas vigentes desse tipo entre 2020 e 2022. Já chama a atenção a disparada nas medidas de salvaguardas. Em 2017 eram apenas quatro medidas vigentes desse tipo. No período de 2018 e 2019 foram 5 e 7 respectivamente. Em 2020 o número saltou para 23 e permaneceu nesse nível até o ano passado. É preciso entender que, no processo de anti-dumping, geralmente o Brasil é acusado de estar vendendo bens no exterior a preços abaixo do mercado interno, com o objetivo de eliminar concorrência ou conquistar uma fatia maior do mercado de destino. Comprovada a prática de dumping, a exportação do bem e do país que foi investigado fica sujeita a uma taxa anti-dumping. Já as salvaguardas são medidas temporárias e emergenciais adotadas em situações de surtos agudos e repentinos de importação, que causam prejuízo grave à indústria doméstica do país importador. Elas podem ser aplicadas tanto contra todas as origens de um determinado produto, quanto contra origens específicas de um determinado país. O Brasil é considerado um país em desenvolvimento, então ele tem flexibilidade prevista nas regras multilaterais da OMC para as salvaguardas. Então, em muitos casos, as exportações brasileiras ficam isentas dessa aplicação de salvaguardas, mas isso pode ser revisto. Esse salto pode estar ligado aos desdobramentos logísticos, também ao descompasso entre oferta e demanda, resultante da retomada da economia mundial após o período mais crítico da pandemia, mas também há mudanças nas políticas de comércio com seus parceiros mais próximos, no Friendlyshoring, por exemplo, ou no Nearshoring. Além disso, o câmbio bastante favorável para as exportações brasileiras e o aumento significativo das exportações batendo recorde nesses últimos anos também são alguns fatores que impactam nisso. É importante entender que a OMC tem suas rodadas de negociações e as medidas de anti-dumping e salvaguardas são algo em discussão, mas até hoje a rodada de Doha, que se iniciou em 2001, nunca foi finalizada não tendo avanços significativos. A Argentina foi origem de 67 investigações de medidas anti-dumping e subsídios contra o Brasil de 1995 a 2022, com 36,8% do total. Os Estados Unidos vieram depois, com 31 investigações e 17% do total. Esses são os dois maiores parceiros para as exportações brasileiras depois da China, que vem em primeiro.


24/10/2023

Oito commodities representam dois terços das exportações brasileiras

De janeiro a setembro deste ano, as vendas externas desses oito produtos somaram US$ 163,2 bilhões, uma fatia de 64,5% de um total exportado de US$ 253 bilhões. O alto nível de concentração de produtos e de países representa um risco para o país, entenda. A concentração de commodities vem dos seguintes produtos: complexo da soja, petróleo bruto e óleos combustíveis, minério de ferro, complexo de carnes, açúcar, milho, celulose e café. Juntos, somaram US$ 163,2 bilhões, uma participação de 64,5% neste ano. Esse é um percentual um pouco superior ao do mesmo período em 2022, quando chegou em 60,5%. E quase duas vezes e meia os 26,3% dos 9 primeiros meses do ano 2000. Ou seja, há 23 anos esses mesmos produtos respondiam por pouco mais de um quarto de todas as exportações brasileiras. É importante entender que a alta das vendas para a China é o responsável por isso. De janeiro a setembro, os embarques para o país asiático, que foram dominados por produtos básicos, subiram 10,8% para US$ 77,2 bilhões. Assim, a participação das vendas para a China alcançou 30,5% acima dos 27,5% de igual intervalo de 2022. O valor das exportações totais brasileiras caiu 0,1% no acumulado do ano até setembro, em grande parte por conta das vendas para os Estados Unidos e União Europeia que recuaram 4,5% e 11,4%, respectivamente. A fatia das vendas para os Estados Unidos baixou de 11% para 10,5% e da União Europeia de 15,3% para 13,6%. Ao longo dessas duas décadas, o salto desses produtos na pauta exportadora tem uma explicação importante. Houve uma forte demanda da China por produtos que o Brasil produz com eficiência, ao mesmo tempo em que a indústria vem enfrentando problemas sérios de competitividade. O agronegócio vem aumentando sua produtividade ao longo do tempo e a China tem uma forte demanda por esses produtos mais básicos. Já a indústria brasileira vem perdendo protagonismo com a queda ao longo dessas duas décadas da sua produtividade e da sua representatividade, tanto na economia nacional como também na pauta exportadora. Isso traz preocupações. Primeiro, a concentração em poucos produtos exportados e, segundo, a forte concentração num único país que demanda boa parte das exportações brasileiras, a China, o país que, apesar de ter apresentado nesse mesmo período um crescimento muito forte na sua economia, agora vem apresentando um recuo nas suas perspectivas de crescimento que pode prejudicar o mercado exportador brasileiro.


23/10/2023

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


20/10/2023

IBC-Br cai 0,77% em agosto, ante estimativa de queda de 0,30%


19/10/2023

Preço do barril de petróleo tem funcionado como termômetro dos impactos econômicos do risco de guerra em Israel

Até o momento, o barril teve valorização aproximada de 9%, indicando previamente que a expectativa de desaceleração econômica saiu de cena. Mas o que pode vir pela frente? Enquanto as economias vinham apresentando desaceleração com os aumentos sucessivos de taxas de juros para combater a inflação que atingiu os países recentemente, como consequência da invasão russa à Ucrânia, novas preocupações agora trazem pressão no preço do barril de petróleo. No meio do ano, o barril chegou próximo de ficar abaixo dos US$ 70,00, mas agora já chegou novamente nos US$ 90,00 e poderá trazer impactos negativos nas economias mundiais, retardando ainda mais o processo de convergência das taxas de inflação às metas determinadas pelos bancos centrais. Enquanto o conflito ficar centrado entre Israel e Hamas, a precificação no barril já está contabilizada, com esse aumento recente de mais de 9%. O problema vem em situações mais extremas, como o possível envolvimento do Irã na guerra, que tem grande participação na produção mundial. Caso outros países produtores de petróleo, como o Irã, se envolvam diretamente na guerra, a repercussão trará uma escala considerável, envolvendo possivelmente os EUA, e elevando os preços do petróleo para patamares muito próximos do início da invasão russa à Ucrânia, o que deixará em xeque as políticas monetárias dos países, principalmente no Brasil. Esses aumentos poderão também trazer uma pressão adicional sobre a Petrobras, que abandonou recentemente a política de paridade de preços internacional. No momento, a Petrobras tem suas ações atingindo máximas históricas, com o aumento recente dos preços e expectativas de novos investimentos. Mas, e se os preços subirem drasticamente? Como será o repasse disso dentro do Brasil? Se a Petrobras repassar para o consumidor final, trará impacto relevante sobre o IPCA e a trajetória de queda da SELIC será revisada, ainda mais nesse momento atual em que a expectativa é atingimento de meta.


18/10/2023

O setor de serviços desacelerou forte em agosto com queda de 0,9% no mês

Esse resultado muda o cenário de expectativas de crescimento para o segundo semestre desse ano, mostrando um claro sinal de desaceleração da economia no segundo semestre, diferente dos bons resultados do primeiro trimestre? A queda de agosto foi registrada depois de 3 meses seguidos de crescimento na comparação com o mês anterior. O volume de serviços está 11,65% acima do nível pré-pandemia de fevereiro de 2020 e 1,9% abaixo de dezembro de 2022, o pico da série histórica iniciada em 2011. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o volume de serviços teve a 30ª taxa positiva seguida, de 0,9%. Agora acumula uma alta de 4,1% no ano e de 5,3% em 12 meses. A taxa acumulada em 12 meses era de 6% em julho. A queda para 5,3% demonstra perda de dinamismo. A retração veio em 4 das 5 atividades pesquisadas, com queda mais relevante (-3,8%) nos serviços às famílias devido ao seu peso no setor. A atividade mais fraca no setor ajuda a explicar a queda na inflação de serviços observada nos últimos meses, que tem ajudado o IPCA. Mesmo com o bom desempenho do mercado de trabalho, com contínua elevação do emprego formal e taxa de desemprego em 7,8%, o fim dos estímulos fiscais e o crédito mais caro e escasso devem continuar desacelerando o consumo das famílias, que impacta na demanda por serviços às famílias. E aí vem a preocupação: no primeiro semestre desse ano, o setor de serviços continuou sua trajetória de crescimento, puxando o PIB junto com o agronegócio no primeiro trimestre e sozinho no segundo trimestre. Como o setor representa mais de 70% do PIB, seu desempenho puxa o resultado geral. Se o setor continuar desacelerando nos próximos meses, o terceiro e o quarto trimestres poderão sofrer queda de desempenho, fazendo com o resultado do PIB desse ano seja revisado para baixo. Por outro lado, a redução dos juros pode ajudar o consumo das famílias, mas com impacto maior em 2024 e as festividades de fim de ano podem também ajudar.