PodCasts

25/07/2022

Afinal de contas, as ações do Governo ajudam ou prejudicam a economia?

A combinação de redução de impostos e expansão de gastos sociais têm gerado críticas e elogios quanto aos impactos dessas medidas sobre a inflação e os grupos que sairão mais beneficiados. Entenda melhor. O Boletim FOCUS dessa semana trouxe nova redução da expectativa de inflação para 2022, mas com consequente aumento para 2023. Ao mesmo tempo, a expectativa de SELIC mais alta para 2023 veio como implicação. Por outro lado, a expectativa de crescimento do PIB para 2022 subiu. Os preços administrados apresentarão crescimento praticamente nulo até o final do ano, mas os preços livres serão impactados pelo impulsionamento dado com as medidas fiscais anunciadas. Enquanto preços dos combustíveis e energia elétrica ficarão baixos, alimentos podem subir. É importante entender que combustíveis e energia elétrica influenciam diretamente os preços de toda a economia e podem trazer um impacto de difusão considerável, elevando os preços gerais em toda a economia, inclusive dos alimentos. Sua redução também tem o benefício contrário. Já uma política fiscal expansionista, ou seja, redução de impostos e aumento de transferências sociais, como o Auxílio Brasil, traz pressão inflacionária, pois estimula muito o consumo, sem uma contrapartida na mesma velocidade da produção, gerando inflação de curto prazo. O aumento temporário do poder de compra das famílias, impulsionado pelo aumento da renda disponível, leva a uma pressão sobre o consumo de bens que repercute sobre os preços. Esse aumento também muda a percepção de risco fiscal, pressionando o câmbio, que gera mais inflação. Por outro lado, há 2 questões importantes: o ICMS realmente era cobrado de maneira abusiva, chegando a mais de 30% sobre a gasolina em alguns estados; e, as famílias pobres nas Regiões Nordeste e Norte precisam receber esse auxílio até mesmo como questão de sobrevivência. É difícil determinar qual efeito se sobreporá até o final do ano e se trará consequências negativas ou positivas em 2023. É papel dos economistas trazer a análise e apresentar efeitos e devidos alertas para os impactos sobre a economia das atitudes conduzidas pelos governantes.


24/07/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


22/07/2022

Em 10 anos, a população com mais de 65 anos cresceu 41,6% enquanto a população brasileira cresceu somente 7,6%

A população acima de 65 anos agora representa mais de 10% da população total brasileira. O que isso pode representar na economia do país e o que pode ser feito? Do total de 212,5 milhões de habitantes em 2021, segundo o IBGE, 21,6 milhões tem mais de 65 anos de idade, ou 10,2%. Em 2012, a população era estimada em 197,7 milhões e os maiores de 65 anos eram 15,2 milhões, ou 7,7%. A evolução traz consequências econômicas importantes. A Reforma da Previdência aprovada em 2019 em breve não será suficiente para fechar as contas do país e uma nova e mais rigorosa reforma terá que ser discutida e aprovada. Isso acontece porque a base contribuinte, trabalhadores de 18 até 59 anos, se achatou no mesmo período. Essa queda é um reflexo da acentuada diminuição da fecundidade que vem ocorrendo no país nas últimas décadas e que impactou no passado na existência de um bônus demográfico, mas que está passando, sem ter tirado o país da condição de país ainda em desenvolvimento. Como a base produtiva está achatando devido à queda da participação da população de 18 a 59 anos, muitas mudanças econômicas afetarão o país. O foco das políticas públicas em saúde, educação, trabalho terá que se adaptar para incorporar a ideia que a população está envelhecendo. Será preciso investir ainda mais na educação que reverta em ganhos de produtividade, pois faltará mão de obra no futuro. As políticas voltadas para a saúde terão que se voltar cada vez mais para a geriatria e como garantir mais qualidade de vida, pois as pessoas viverão mais. Os negócios também precisam se adaptar a essa nova realidade, investindo no desenvolvimento de produtos e serviços que atraiam o novo perfil de consumidor preponderante nos próximos anos. Pois é, novos tempos, com população mais madura, num futuro não tão distante.


21/07/2022

Arrecadação federal bate recorde no mês de junho e no acumulado do ano

O resultado para ambos foi o melhor desde o início da série histórica em 1995. O resultado de junho representa alta real (descontada a inflação) de 17,96% na comparação com o mesmo mês do ano passado. A arrecadação de junho foi de R$ 181,04 Bilhões e no acumulado do ano ficou em R$ 1,11 Trilhão. Os 2 valores representam uma elevação real (descontada a inflação do período) de 18% e 11%, respectivamente. Ambos representam um recorde nos últimos 28 anos da série histórica. O recorde na arrecadação de junho foi puxado pelo Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), que totalizaram uma arrecadação de R$ 34,269 bilhões, um crescimento real de 37,47%, mostrando aumento na atividade econômica; pelo Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) - Rendimentos de Capital (investimentos), que teve arrecadação de R$ 15,207 bilhões, alta real de 97,42%. No mês de junho, ocorre a arrecadação do chamado "comecotas" para os em fundos de renda fixa, ajudado pelos com juros maiores; pela receita previdenciária, que teve arrecadação de R$ 44,516 bilhões, com acréscimo real de 10,80%; e, pelos tributos federais PIS/Pasep e Cofins, que apresentaram, juntos, uma arrecadação de 34,241 bilhões, representando alta real de 11,80%, mostrando aquecimento da economia. O aumento da arrecadação fortalece as mudanças nas expectativas de crescimento da economia para 2022, com previsões agora mais otimistas, na casa dos 2%. O risco fiscal causado pelas PECs aprovadas recentemente pode ser diminuído, se esses resultados persistirem até dezembro. Ainda é cedo para comemorar, mas pode ser que o resultado primário ao final do ano venha menos negativo que o esperado. Vai depender dos efeitos na economia da redução da inflação nos próximos meses, bem como dos estímulos fiscais. O 2º semestre historicamente é melhor que o 1º.


20/07/2022

Brasil tem o melhor ambiente para Parcerias Público-Privadas na América do Sul

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apontou em estudo que o Brasil é o melhor destino para investimentos em PPPs por apresentar melhor elaboração e sustentabilidade dos projetos. O relatório do BID, divulgado na semana passada, classificou os países em cinco importantes áreas: regulação e instituição; elaboração e sustentabilidade dos projetos; financiamento; gerenciamento de riscos e monitoramento de contratos; e, avaliação de performance e impacto. O Brasil teve melhores notas na elaboração e sustentabilidade dos projetos e financiamento, refletindo avanços nas novas regras de PPPs desenvolvidas. A pior foi em gerenciamento de riscos e monitoramento de contratos, reflexo das incertezas jurídicas e tributárias do país. Um exemplo recente disso é a PPP de esgoto que irá acontecer no Ceará, com interesse de investidores nacionais e internacionais. Duas concessões, nas regiões de Fortaleza e do Cariri devem atrair investimentos de R$ 6,2 Bilhões, universalizando o serviço até 2033. O Novo Marco do Saneamento Básico vem permitindo o interesse e rápido investimento de investidores internacionais no setor em diversas regiões da economia brasileira. Com a eleição no segundo semestre e os juros mais altos, o ritmo deve diminuir até o final do ano, porém. As PPPs oferecem uma grande oportunidade para expandir mercados, criar empregos e contribuir para a recuperação e o crescimento econômico das regiões brasileiras. Ainda mais na atual situação que o país vive, com déficits fiscais recorrentes desde 2014, sem margem para investir.


19/07/2022

Teremos deflação em julho?

Petrobras anuncia redução de R$ 0,20 (4,93%) no preço da gasolina. O impacto pode ser de queda de 0,5 p.p. no IPCA de julho. Ao mesmo tempo, a redução do ICMS derrubou o preço médio da gasolina em R$ 1,32 e a ANEEL reduziu o preço da energia elétrica. A redução ocorreu somente no preço da gasolina e foi a primeira desde dezembro de 2021. O preço voltou a ser o mesmo praticado em maio desse ano, antes da elevação para R$ 4,06 de junho. O diesel, porém, sofreu forte elevação em junho e pode influenciar a inflação para cima. A Petrobras informou que o preço do barril de petróleo vem cedendo, o que permitiu a redução. De fato, o barril atingiu seu pico em fevereiro em US$ 140,00, com a invasão da Ucrânia, e agora está rodeando o patamar de US$ 100,00, com a perspectiva de contração econômica mundial. O impacto dessa redução deve ficar em queda de 0,5 ponto percentual no IPCA de julho e 0,15 p.p. em agosto. Mas o impacto não para por aí. A redução do ICMS será responsável por uma queda ainda maior, pois na média, a gasolina teve redução de R$ 7,39 para R$ 6,07 (17,86%). Os preços de diesel e etanol também caíram no período. O diesel não caiu tanto, pois há o risco de desabastecimento por falta de estoque. O etanol deve cair ainda mais, pois vários estados já anunciaram a redução do seu ICMS para melhorar a competitividade em relação à gasolina. A energia elétrica, que também tem peso significativo na formação do IPCA, teve redução aprovada pela ANEEL na semana passada que pode chegar a 5,26% referentes a tributos que foram cobrados a mais dos consumidores em 2021. A energia elétrica também impacta outros setores. Todos esses importantes itens, somados, podem trazer deflação no mês de julho, que será importante para convergir o IPCA no final do ano para o patamar que os analistas têm esperado. O Boletim Focus dessa semana trouxe uma expectativa de IPCA em 7,54% e deve revisar para baixo.


18/07/2022

Governo Bolsonaro conseguiu levantar R$ 304,2 Bilhões com privatizações

Ao longo do seu governo, operações mais silenciosas de privatizações e desinvestimentos de estatais levantaram esses recursos. A Eletrobras, em contrapartida, rendeu R$ 67 Bilhões. Entenda a diferença. A maior parte do valor arrecadado com as privatizações (R$ 237 bilhões) veio a partir da venda de subsidiárias de estatais e de ações detidas pela União e suas empresas. Uma boa parte desse valor veio a partir da redução da participação do BNDESPar e CaixaPar em empresas. O BNDES, a Caixa e o Banco do Brasil detinham participações em empresas como Petrobras (R$ 31,5 Bilhões), Vale (R$ 24,5 Bilhões), IRB (R$ 9,9 Bilhões) e Fibria (R$ 8,1 Bilhões), que foram vendidas na bolsa, retirando a participação estatal nelas e atraindo investidores. A Petrobras também promoveu uma ampla redução na sua participação em outros setores econômicos, focando esforços na extração de petróleo. Com isso, vendeu a TAG (R$ 33,5 Bilhões), a BR Distribuidora (R$ 21,0 Bilhões) e a Refinaria Landulpho Alves (R$ 8,8 Bilhões). A Petrobras continua tentando vender outras refinarias, como a Refinaria Abreu e Lima, mas ainda sem sucesso, após várias tentativas de atração de investidores sem interesse. Os recursos arrecadados são utilizados para reduzir a dívida pública, atualmente em R$ 5,7 trilhões. A única empresa vendida com a necessidade de aprovação do Congresso foi a Eletrobras (R$ 67,0 Bilhões), mas que não irá totalmente para reduzir o endividamento. R$ 26,6 Bilhões irão reforçar o Auxílio Brasil, vale-gás e voucher para caminhoneiros e taxistas até o final do ano. A privatização dos Correios está travada no Senado, sem perspectivas, menos ainda nesse semestre de eleições. O valor arrecadado seria, contudo, menos da metade do valor levantado com a TAG. Com isso, o Governo arrecadou 30,4% do prometido no início do mandato (R$ 1 Trilhão).


17/07/2022

O que vem por aí na Semana Econômica!

Informações importantes, toda segunda-feira, trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.


15/07/2022

PIB da China tem forte desaceleração em seu ritmo, subindo somente 0,4% no segundo trimestre.

Esse foi o pior desempenho desde o começo da série histórica, em 1992. Os dados refletem as fortes restrições econômicas causadas pelos lockdowns generalizados contra o COVID-19. Essa elevação de 0,4% em relação mesmo período do ano passado ficou acima apenas da queda de 6,8% ocorrida no primeiro trimestre de 2020, quando a pandemia estava em seu pico. Na comparação trimestral, o PIB caiu 2,6% no segundo trimestre em relação ao período anterior. Esse resultado se contrapõe ao forte crescimento de 4,8% do primeiro trimestre e acende preocupações quanto ao crescimento no restante do ano, com até mesmo a possibilidade de entrada em recessão. No primeiro semestre do ano, o PIB cresceu 2,5% em relação ao ano anterior. É provável que o governo da China implemente medidas de estímulo econômico a partir de agora para reverter o desempenho fraco, com reduções nas taxas de juros, mas que podem ser uma preocupação com a pressão inflacionária que pode causar na economia do país. Com o movimento global de elevação de juros para combater a inflação que atinge diversos países, uma desaceleração chinesa pode vir a prolongar o período recessivo que se ameaça sobre as economias mundiais, inclusive impactando o Brasil, via comércio exterior. A China, além de ser a segunda maior economia do mundo, hoje representa o principal parceiro comercial da maioria dos países, inclusive o Brasil. Uma desaceleração de seu crescimento irá impactar as exportações e os preços de diversas commodities, como minérios e proteína animal.


14/07/2022

Você já usou o PIX Saque ou PIX Troco?

As transações nessas modalidades saltaram 20,3% somente em junho e surgem como substitutos naturais para os caixas automáticos. O formato também ajuda os lojistas na diminuição do custo com o numerário. Entenda melhor essas novidades. Muitas novidades disruptivas têm balançado o mercado financeiro com o PIX. Em 2 meses, já era o mais utilizado no país. Em 2022 já representa quase 20 vezes mais transações que o TED. Operações com cartão de débito, boleto e cheques estão caindo, substituídos pelo PIX. O PIX Saque e o PIX Troco ainda não são tão conhecidos, mas isso também está mudando. O PIX Saque permite o saque em dinheiro em estabelecimentos comerciais. O PIX Troco também permite o saque, mas associado à compra de um bem ou prestação de um serviço. Ambos têm crescido, mas o grande destaque está no PIX Saque. Eles permitem o saque/troco de até R$ 500,00 por dia e de R$ 100,00 das 20hs às 6hs. O cliente pode fazer até 8 transações por mês sem custo. A partir da nona operação, é cobrada uma tarifa do cliente. Das duas opções, o PIX Saque é o mais usado, representando 99% das transações, ou R$ 31,03 Milhões do total. Em junho, houve um crescimento de 21% em operações para 226.116 com um valor médio de R$ 137,20. Vale lembrar que essas ferramentas foram criadas em dezembro de 2021. Para os lojistas também representa uma vantagem. Os custos com o manuseio de numerário são significativos e incluem o risco da guarda em lugares seguros e a contratação de empresas de transporte de valores. Com o PIX Saque e o PIX Troco, eles recebem do banco por cada transação.